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Com ares de “bala de prata”, imagem de Lula é explorada à exaustão no guia eleitoral

Qual a razão para exibir Lula logo no 1º dia da propaganda eleitoral?

O presidente Lula passou a ser visto em todo o Nordeste como argumento essencial para garantir a vitória de seus apoiadores nas eleições estaduais

Por TEREZINHA NUNES para o JC

Definida nos dicionários como solução mágica capaz de resolver problemas complexos de forma imediata, a expressão “bala de prata”, popularizada no filme O Lobisomem (The Wolf Man) de 1941, produzido pela Universal, é citada popularmente quando se quer mostrar o poder de algo ou de alguém para favorecer outras pessoas.

No mundo da política, o presidente Lula passou a ser visto em todo o Nordeste, onde conserva altos índices de popularidade, como uma bala de prata essencial para garantir a vitória de seus apoiadores nas eleições estaduais.

Mas, como tudo que é precioso na garantia do voto, a imagem do presidente em geral era citada em comícios, reuniões e caminhadas, mas no Rádio e na TV era o último trunfo exibido pelos candidatos que tinham o seu apoio.

Primeiro se “vendia” a imagem dos protagonistas, suas obras e ações e Lula só aparecia nos últimos 15 dias para sacramentar a vitória do seu escolhido. Foi assim que a senadora Tereza Leitão venceu a eleição de 2022 no palanque do PSB, que acabou em quarto lugar na disputa. Apresentando-se como “senadora de Lula” ela só exibiu nos últimos dias de campanha o próprio presidente, em suas inserções, pedindo voto.

Caminho inverso

A campanha deste ano na mídia tradicional começou pelo caminho inverso. Lula apareceu pedindo votos para João Campos, Humberto Costa e Marília Arraes logo no primeiro programa exibido esta sexta-feira, como se não houvesse tempo para esperar mais um pouco.

Já no tempo dos senadores do palanque da governadora, Lula não apareceu pois seu partido não faz parte da coligação de Raquel, mas o candidato Túlio Gadelha falou no presidente em reprodução do seu pronunciamento na convenção da governadora e chegou até a fazer o “L” de Lula com a mão em imagem onde se encontravam também Raquel e Priscila, sua vice.

Qual a razão para exibir Lula logo no 1º dia? Não seria uma precipitação que poderia acabar virando lugar comum na hora da real definição do voto?

O cientista político Felipe Ferreira Lima, ouvido por este blog, vê uma razão principal nisso. Afirma que “a composição da chapa de João Campos com dois senadores de esquerda fez com que o candidato passasse a depender da força de Lula para impulsionar o seu palanque, já que não acenou para os eleitores de centro e nem de direita e ele precisou usar isso no início para poder crescer. Este é o único caminho natural que ele tem para ganhar pontos neste momento da disputa”.

Em 2024 João não usou Lula

Segundo ele, neste particular é preciso observar que “João traçou em 2026 um caminho diferente do que trilhou na eleição municipal de 2024 quando não se viu um único cartaz ou foto dele com Lula. Como queria vencer no 1.o turno e para isso precisava dos votos do centro e da direita ele silenciou sobre Lula, caminho totalmente diferente do que faz agora”.

Já a cientista política Priscila Lapa acha que a estratégia de João Campos se dá “porque ele tem pressa de buscar uma reversão dos votos lulistas pró-Raquel”. “Eu acredito – afirma- que tem a ver com o pilar estratégico da campanha de João que é a aposta e insistência na nacionalização do pleito, diante dos altos índices de votos no presidente aqui no estado. Essa busca pelo posicionamento no cenário nacional é uma tentativa de trazer a política para a disputa, sabendo que Raquel atuará pela trilha da gestão. É pela trilha da gestão que ela vai buscar se contrapor às gestões do PSB. Marília e Humberto querem, também, reforçar e usufruir dessa estratégia de João”.

Coringa de Raquel

Sobre o fato de Túlio Gadelha ter logo no primeiro dia falado em Lula e feito o L, Felipe Ferreira Lima diz que o deputado federal e candidato a senador “ é o coringa no palanque de Raquel para acenar aos eleitores de esquerda. Ela formou um palanque onde cabem todos os lados da política e Túlio é o que carrega a bandeira de Lula. Natural que se posicione como tal”.

Priscila Lapa diz que Túlio “se viabilizou no palanque governista quase como um contraponto a essa estratégia de João Campos, mostrando que a aliança com Lula não interfere nas escolhas locais, que podem se dar por razões distintas. Assim a exploração da imagem do presidente demonstra que essa linha vai prevalecer como um dos principais panos de fundo da disputa estadual. Até porque isso é meio que vital para a estratégia central de João”.

O que está acontecendo no guia é, para Felipe “ muito interessante para Lula. Ele não tem interesse em se dividir localmente em uma campanha onde enfrenta o escândalo do INSS e o envolvimento de Lulinha nisso tudo. Ele precisa unir forças sobretudo no Nordeste e quanto mais os dois principais palanques falarem nele melhor”.

Redação com Texto de Terezinha Nunes para o JC em 30/08/2026 Foto: Ricardo Stuckert

e-mail: redacao@blogdellas.com.br

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