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Favorita nas pesquisas, Raquel Lyra sofre campanha apócrifa agressiva

Por Letícia Lins do Blog #OxeRecife

Mal começou a campanha eleitoral e o jogo sujo já está nas ruas, em Pernambuco. No Recife, dezenas de paredes da cidade amanheceram com cartazes colados que acusam a Governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), pela morte do marido. Ela ficou viúva em 2 de outubro de 2022, quando o empresário Fernando Lucena, pai dos seus dois filhos, teve um mal súbito e foi fulminado por um infarto do miocárdio. Era o dia do primeiro turno da eleição. Ele foi sepultado no mesmo domingo, em Caruaru, a 130 quilômetros do Recife, reduto eleitoral de Raquel, então militante do PSDB. Raquel lidera a corrida eleitoral, segundo as pesquisas mais recentes. De acordo com a Quaest, ela estaria com 44 por cento das intenções de votos contra 33 por cento do seu principal opositor, o ex-Prefeito João Campos (PSB).

Os cartazes apócrifos são de péssimo gosto, denunciam o caráter extremamente aético e misógino – além do cunho criminoso – de quem os produziu. Em um deles, há uma foto do rosto da governadora, com fundo negro bem sinistro, com a legenda: “Ela matou o marido para ganhar a eleição”. Lucena era coordenador da campanha eleitoral da esposa. Outro cartaz mostra Raquel entre duas mulheres que respondem por homicídio dos respectivos esposos, uma delas a ex-deputada Flordélis, protagonista de um caso policial que chocou o Brasil. Ela está condenada a 50 anos e 28 dias de prisão como mandante do assassinato do seu então companheiro, Anderson do Carmo, em 2019. Na legenda, “Matadoras de maridos”.

Cartazes apócrifos espalhados na cidade culpam indevidamente Raquel pela morte do marido, em 2022

Há, ainda, um terceiro cartaz em que Raquel aparece abraçada com Flávio Bolsonaro, em montagem que associa a governador ao polêmico candidato à sucessão presidencial: “Chapa anti-Lula”. Para um estado onde Lula sempre teve maioria eleitoral, é fácil se perceber a intenção da iniciativa e da comparação. Tanto na sua eleição, em 2022 quanto em 2026, Raquel tem adotado postura de neutralidade.

Em 2026, tem se disseminado a intenção de voto chamado de “Luquel”, referindo-se a eleitores que votam em Lula para Presidente e em Raquel para Governadora, embora os dois estejam em campos ideológicos opostos. Não é a primeira vez, em 2026, que se registra comportamento pouco cidadão na atual campanha. No último dia 24, bandeiras da candidata foram queimadas na zona sul. A campanha suja dos cartazes contra Raquel foi denunciada pelo deputado Túlio Gadelha (PSD), em suas redes sociais.

Marido de Raquel morreu de infarto na data do primeiro turno da eleição de 2022 e foi sepultado no mesmo dia

Já a Frente Popular de Pernambuco, coligação liderada por João Campos, distribuiu nota informando que adotará todas as providências cabíveis perante a Justiça Eleitoral “para que a produção e disseminação de conteúdos apócrifos contra qualquer candidatura sejam rigorosamente investigadas, com a devida identificação e responsabilização dos autores”. Nas redes sociais, João Campos disse que os panfletos apócrifos são “um completo absurdo” e que qualquer pessoa que “queira atribuir isso a mim ou à minha candidatura vai responder criminalmente na Justiça brasileira”. Ele lembrou que perdeu o pai (Eduardo Campos) em eleição, e que Raquel também “perdeu o marido durante eleição”.

Disse, ainda, que não admite que “nem a minha nem qualquer família” seja atacada na eleição. “Isso está fora da política, é um absurdo”. E que “democracia não permite isso”, e que vai seguir seu caminho “respeitando os adversários”. Nas redes, Raquel disse ter se surpreendido com o baixo nível, e – pelas redes – pediu que respeito “a quem não está mais aqui” e “à minha dor”.

Os dois candidatos, no entanto, já estão com questões na Justiça Eleitoral. João acusou Raquel de ter um “gabinete do ódio” para difamá-lo com “fake news”, enquanto a governadora o aciona para que dê nomes aos bois. Não é a primeira vez que uma candidata é tratada com desrespeito em Pernambuco. Em 2020, quando Marília Arraes (PT) disputou a Prefeitura com o primo João Campos (PSB), o clima também esquentou, com acusações que levaram o PT a responder que os escritos contra ela haviam sido produzidos no “subsolo da política e da condição humana”. Hoje, primo e prima – ex ferrenhos adversários políticos – estão do mesmo lado.

Redação com texto de Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Yacy Ribeiro/PSD e redes sociais

e-mail: redacao@blogdellas.com.br

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