Agressões a Raquel Lyra abalam primeiro final de semana da propaganda eleitoral

 

Cartaz contra Raquel no Recife na campanha de  2022 e agora em 2026. Semelhanças?

A campanha eleitoral é feita em fases que seguem a cartilha definida pela justiça eleitoral. Na campanha deste ano a 1ª delas terminou dia 4 de abril quando encerrou a janela partidária que permitia mudanças de partido dos atuais deputados, decididos a disputar a eleição. A 2a encerrou no dia 5 de agosto com o fim das convenções que definiram as chapas concorrentes ao pleito, a 3ª teve início na última sexta-feira, 28 de agosto, com a chegada da campanha no rádio e TV. Esta fase é marcada, normalmente, pelas propostas dos candidatos levadas a todo o estado através das emissoras acessadas em cada recanto de Pernambuco.
                
Este ano, no entanto, os candidatos nem tiveram tempo de fazer propostas e o panorama foi abalado este domingo por um ato de agressão sem precedentes à governadora Raquel Lyra que fugiu da política para um ataque à honra da candidata e provocou a maior onda de indignação e solidariedade observada no estado nas últimas décadas. Políticos de direita, esquerda e centro fizeram questão de inundar as redes sociais de pronunciamentos condenando os cartazes afixados nas ruas da capital, explorando uma tragédia familiar vivida por Raquel Lyra e até hoje não superada quando ela perdeu o esposo Fernando, vítima de ataque cardíaco fulminante,  no dia do 1.º turno da eleição de  2022 da qual sairia vencedora superando, no 2º  turno, sua concorrente, Marília Arraes.
               
Foram às redes sociais em solidariedade à governadora, entre outros,  o candidato a governador pelo PSOL/Rede, Ivan Moraes, o senador Humberto Costa, que chamou os ataques de “vis e desumanos”, os candidatos ao Senado Eduardo da Fonte, Mendonça Filho e Túlio Gadelha, prefeitos, deputados e até vereadores de todas as regiões pernambucanas. O principal adversário da governadora, o ex-prefeito João Campos, fez um vídeo após a Frente Popular repudiar, em nota, a agressão considerando “um absurdo” os cartazes e seu conteúdo, disse que perdeu o pai em campanha e a governadora perdeu e esposo e que não admite que isso seja explorado na política. Ameaçou de processo quem o acusar de responsabilidade sobre o fato e anunciou que vai solicitar à Justiça Eleitoral a investigação sobre os autores e sua responsabilização perante a lei.

Pista em 2022

O administrador e empresário Fernando Holanda divulgou em seu instagram este domingo uma foto que fez de um cartaz contra Raquel afixado no Recife na eleição de 2022, muito parecido com os atuais (reprodução acima). Na época em que muito se falava no voto Luquel – em Lula e Raquel – ela aparecia no centro do cartaz cercada de acusações que claramente buscavam atingir os evangélicos. Era acusada de ligada ao Candomblé, de ter sido a primeira prefeita a fechar igrejas na pandemia e que o coordenador de sua campanha defendia a legalização da maconha, entre outras acusações de igual teor.

Ânimos exaltados

A comoção criada pode servir, como muitos políticos comentavam este domingo, a acalmar os ânimos da campanha eleitoral que está há mais de uma semana mergulhada em acusações sobre postagens nas redes sociais contra os principais candidatos. A Justiça Eleitoral inclusive já se posicionou mandando apagar das redes sociais matérias ofensivas e sem provas e tanto a campanha de João Campos como a da governadora Raquel Lyra colecionam reclamações, lado a lado, sobre postagens considerados infundadas. Choveram pronunciamentos de políticos este domingo afirmando que o nível de agressão contra a governadora “atingiu o seu limite” e exigindo providências.

O baixo nível da campanha eleitoral atingiu mesmo o seu limite?

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