‘Quem é pernambuquista’ vota em Lula, diz Humberto Costa em alusão a termo usado por Raquel Lyra
Senador reeleito citou obras federais em Pernambuco ao defender Lula e relacionou continuidade dos investimentos ao resultado da eleição presidencial
Por Pedro Beija do JC
O senador reeleito Humberto Costa (PT) recorreu ao termo “pernambuquista”, utilizado pela governadora reeleita Raquel Lyra (PSD) durante a campanha eleitoral, para defender o voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da disputa presidencial contra Flávio Bolsonaro (PL). Em entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, nesta quarta-feira (7), Humberto associou a defesa da reeleição do presidente à continuidade de investimentos federais em Pernambuco e citou obras de infraestrutura previstas ou em andamento no Estado.
“Quem é realmente pernambuquista, como criaram esse termo aí, que eu acho até meio inadequado, quem é realmente pernambuquista não vai deixar de votar em Lula, porque Lula, de todos, é o maior pernambuquista que nós já tivemos”, afirmou.
Durante a campanha pelo Governo de Pernambuco, Raquel utilizou o termo “pernambuquista” para definir uma posição de defesa dos interesses do Estado independentemente das disputas partidárias nacionais. A governadora não declarou voto para presidente no primeiro turno e, após ser reeleita, manteve a posição de neutralidade para a segunda etapa da eleição.
Humberto, que apoiou João Campos (PSB) na disputa estadual, defendeu que uma nova vitória de Lula seria mais favorável a Pernambuco e afirmou estar preparado para atuar no Senado em qualquer cenário resultante das urnas.
“Acredito que a vitória de Lula é muito melhor para o Brasil e é muito melhor para Pernambuco. Mas eu estou pronto para enfrentar qualquer que seja o desafio”, disse o petista.
Obras federais
Ao tratar dos impactos da eleição presidencial sobre Pernambuco, Humberto citou obras como o Arco Metropolitano, as intervenções nas BRs 232, 423 e 104 e investimentos na Refinaria Abreu e Lima. O senador afirmou que projetos do Estado poderiam ser atingidos pelo que chamou de “tesouraço” defendido por Flávio Bolsonaro.
“Quando o candidato Flávio Bolsonaro fala em aplicar o tesouraço, isso, inclusive, era importante que a governadora de Pernambuco pensasse nisso. Esse tesouraço vai pegar por inteiro as obras e ações do PAC”, declarou.
Na sequência, Humberto enumerou projetos que considera importantes para Pernambuco.
“As obras e ações do PAC para Pernambuco são fundamentais do ponto de vista do eixo rodoviário. Nós temos aí obra do Arco Metropolitano, duplicação da 423, duplicação da 232, ações na BR-104”, afirmou.
A possibilidade de interrupção de investimentos em um eventual governo de Flávio foi apresentada por Humberto como uma avaliação política do senador. Ele também apontou riscos para a Refinaria Abreu e Lima e afirmou acreditar que uma gestão do candidato do PL retomaria a possibilidade de privatização do empreendimento.
“Se acontecer de eles ganharem, vão privatizar também. E a refinaria é, hoje, responsável em Pernambuco pela maior parte da arrecadação do nosso ICMS, juntamente com a Stellantis. E, com certeza, a obra será paralisada, a obra será privatizada. E aí, nós vamos ter o quê para o desenvolvimento em Pernambuco?”, questionou.
Transnordestina como prioridade
Reeleito para um terceiro mandato no Senado, Humberto também apresentou as principais prioridades que pretende defender para Pernambuco nos próximos anos. A conclusão do trecho da Ferrovia Transnordestina entre Salgueiro e Suape foi colocada pelo petista no topo da lista.
“A maior delas, e eu vou me dedicar a isso 24 horas por dia, é a conclusão da obra da Transnordestina, no trecho que vai de Salgueiro a Suape”, afirmou.
Para tentar acelerar o empreendimento, o senador voltou a defender a participação da Petrobras em uma estrutura voltada à construção da ferrovia, em conjunto com a Infra S.A., vinculada ao Ministério dos Transportes.
“Eu, inclusive, tenho apresentado uma proposta que é absolutamente viável para que nós possamos apressar o processo de construção da ferrovia, que é a participação da Petrobras”, disse.
Segundo Humberto, a proposta permitiria reunir recursos oriundos de diferentes fontes para financiar o avanço da ligação ferroviária até o Porto de Suape.
“A Petrobras formando uma empresa com um propósito específico de construção da ferrovia, juntamente com a Infra do Ministério dos Transportes. Isso pode fazer com que nós tenhamos recursos na forma de recebíveis da própria Petrobras, juntamente com recursos da Infra e do Orçamento da União”, explicou.
A infraestrutura hídrica aparece como outra prioridade apontada pelo senador para o novo mandato. Humberto mencionou o Canal do Sertão e o Canal de Entremontes como projetos que pretende acompanhar no Congresso.
“O Canal do Sertão vai representar uma redenção, tanto para o Sertão do São Francisco, que já é uma área rica, com uma fruticultura irrigada muito forte, e para a região do Sertão do Araripe, que pode ter essa mesma vocação”, afirmou.
O terceiro eixo citado pelo petista envolve a continuidade de obras rodoviárias no Estado. Para Humberto, a execução desses projetos estará diretamente relacionada ao resultado da eleição presidencial e à política de investimentos adotada pelo próximo governo federal.
Ao comentar o novo mandato, o senador também destacou a experiência acumulada no Congresso e afirmou que está preparado tanto para integrar a base de um eventual novo governo Lula quanto para atuar na oposição caso Flávio Bolsonaro seja eleito.
“Eu já tenho uma experiência de tudo isso. Eu vivi diretamente o impeachment da presidenta Dilma, fui líder da oposição no governo de Michel Temer e depois no governo de Jair Bolsonaro. E também como governo, com Dilma eu fui líder do governo, com o presidente Lula agora eu fui vice-presidente do Congresso Nacional”, declarou.
“Então estou disposto para enfrentar qualquer que seja o desafio que venha pela frente”, completou.
Redação com texto de Pedro Beija do JC Foto:Ricasrdo Stuckert/PR
e-mail: redacao@blogdellas.com.br


