Pernambuco faz eleição de resultado mais esperado do Brasil, só perdendo para a de presidente
A governadora Raquel Lyra e o ex-prefeito João Campos são considerados a nível nacional lideranças jovens promissoras no quadro de renovação política
Por TEREZINHA NUNES do BlogDellas Especial para o JC
Na quinta-feira, ao divulgarem o resultado da pesquisa Datafolha, os canais CNN e Globonews informaram, através dos seus analistas políticos, que o resultado da eleição de Pernambuco este ano é o mais esperado do Brasil entre os 27 estados da federação.
O motivo apresentado, além da campanha ter chegado ao seu final com os dois principais candidatos em empate técnico, foi o fato da governadora Raquel Lyra e do ex-prefeito João Campos serem considerados a nível nacional lideranças jovens promissoras no quadro de renovação pelo qual a política deve passar daqui para a frente.
Se sair vencedora, a governadora Raquel Lyra surgirá como a liderança feminina de maior destaque e representação em um país onde as mulheres não conseguiram sequer ocupar mais que 12 a 15% das vagas na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.
Embora nascida em família de políticos, ela foi delegada da Polícia Federal e é Procuradora do Estado, cargos que conquistou via concurso público, o que é inusual na política brasileira. Em se tratando de um país onde as mulheres ainda chegam na política sob patrocínio masculino, o currículo da governadora deve ser um diferencial importante para que ela possa dar passos mais largos no quadro político brasileiro.
Sucessão de Lula
O ex-prefeito do Recife, João Campos, saindo vencedor, e apesar de vir de uma linhagem política de décadas através do bisavô Miguel Arraes e do pai, Eduardo Campos, vai passar a ser ouvido nacionalmente. No Nordeste é o único expoente da esquerda que não faz parte dos quadros do PT, o que pode ser um diferencial importante em um momento em que a esquerda não terá mais o presidente Lula como candidato nas próximas eleições e o PT, caso não vença a eleição de presidente, deve enfrentar uma crise sem precedentes para escolher um sucessor de Lula.
O cientista político pernambucano Felipe Ferreira Lima concorda com as avaliações dos analistas políticos nacionais sobre a eleição pernambucana e afirma que três fatores estão contribuindo para que ela alcance a projeção que tem tomado.
“Um mais imediato – diz – é a evolução da trajetória de Raquel Lyra e João Campos nas pesquisas eleitorais, com troca de posições e acirramento da disputa desde o período pré-eleitoral, de maneira a chegar agora a um empate técnico. Outro é o duelo singular entre uma governadora bem avaliada (e no exercício do cargo) e um prefeito de capital que deixou a Prefeitura com avaliação recorde”.
Tabuleiro político nacional
“O último, e a meu ver mais chamativo – conclui – é o fato de existir uma espécie de projeção de ambos como potenciais lideranças nacionais que podem capitanear o campo da centro-esquerda no Brasil, que anda carente de alternativas pós-Lula. Acho que quem vencer aqui não governa só Pernambuco, ganha um capital político para o tabuleiro da política nacional”.
Isto não significa que o derrotado na eleição deste domingo, caso não haja segundo turno, será deixado de lado. Raquel deve continuar sendo um quadro de grande destaque no PSD com condições de compor uma chapa presidencial na condição de vice representando as mulheres e o próprio Nordeste.
João Campos continuará presidente nacional do PSB, um partido que ficará menor porque só tem possibilidade de eleger a ele próprio como governador este ano, mas, pela proximidade com o PT, será prestigiado e considerado.
Terá ainda o controle da Prefeitura do Recife e como Raquel tem condições de ser candidato a vice-presidente representando o Nordeste em 2030 ou disputar o Governo do Estado em condições melhores do que a atual.
Redação com texto de Terezinha Nunes especial para o JC Fotos: Hesíodo Góes e Marlon Diego/divulgação
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