João Campos comenta pedido de impeachment de Priscila Krause: “apontamentos graves”
O pedido de impeachment foi protocolado na Alepe por três deputados estaduais do PSB, aliados de João Campos
Por Larissa Aguiar do JC
O candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) afirmou nesta sexta-feira (21) que não cabe a ele explicar o pedido de impeachment apresentado por três deputados estaduais do PSB contra a vice-governadora Priscila Krause (PSD). A fala foi feita durante sabatina na 3ª edição do Aponti Conecta, evento promovido no Bairro do Recife com participação de representantes do setor de tecnologia.
A declaração ocorreu após a governadora Raquel Lyra (PSD) afirmar, durante caminhada no bairro da Várzea, no Recife, que seu principal opositor estaria tentando chegar ao Palácio do Campo das Princesas “no tapetão”.
João evitou rebater a crítica e disse que os questionamentos devem ser respondidos pela própria vice-governadora e pela gestão estadual. “Quem deve explicações a isso não sou eu, é a própria vice-governadora”, afirmou.
Segundo ele, o pedido apresentado pelos parlamentares trata de “apontamentos muito graves” relacionados à execução de serviços de saúde, incluindo procedimentos de hemodiálise e tratamento de câncer, além da devolução de recursos considerados elevados.
João também defendeu a iniciativa dos deputados e classificou a fiscalização do Executivo como uma obrigação do mandato parlamentar. “Eles têm uma atuação na área de saúde, já tinham feito várias ações nessa área e, repito, é papel de um parlamentar fiscalizar”, declarou.
Para o ex-prefeito, seria “estranho” que um deputado deixasse de exercer a função de fiscalização e de cobrar informações e dados da administração pública. “Você não pode condenar um deputado que está fazendo o papel dele. Quem deve explicação é quem está sendo questionado nesse momento”, acrescentou.
Questionado sobre qual será a linha de sua campanha, de críticas ao governo ou mais de propostas, João afirmou que pretende manter um discurso voltado à apresentação de propostas, ao diálogo com a população e à crítica de problemas que, segundo ele, precisam ser enfrentados pelo Estado.
“O nosso tom é o tom de compromisso com o povo, de ouvir as pessoas, de dialogar, de poder construir as melhores propostas, de fazer isso com um sentimento de muito futuro e dizendo a verdade”, afirmou.
Ao citar a situação da saúde pública, o João voltou a fazer críticas à administração de Raquel Lyra. Ele mencionou episódios como a queda de parte do teto do Hospital da Restauração, a existência de leitos fechados e a redução de recursos destinados à área. “Quando a gente vê um teto caindo numa pessoa num hospital, 400 leitos fechados, mais de meio bilhão de reais retirados da saúde por ano no Estado de Pernambuco, isso penaliza, isso mata pessoas na ponta. Isso precisa ser dito”, declarou.
Apesar do tom crítico, João afirmou que pretende preservar o respeito aos adversários durante a disputa. “Eu sempre vou fazer isso com respeito aos adversários. Eu não estou falando mal das pessoas, eu estou aqui falando dos problemas”, afirmou.
Impeachment
O pedido de impeachment contra Priscila Krause foi apresentado por três deputados estaduais do PSB e aumentou o embate entre o grupo de João Campos e a gestão Raquel Lyra em meio às eleições de 2026.
Rodrigo Farias, Sileno Guedes e Romero Albuquerque foram os deputados que protocolaram na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) o pedido de impeachment contra Priscila Krause e a secretária de Saúde, Zilda Cavalcanti.
Os parlamentares apontam irregularidades e um suposto prejuízo aos cofres públicos apontados em uma auditoria do DenaSUS (Departamento Nacional de Auditoria do SUS). O foco da denúncia é a Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns, gerida por Jorge Branco, marido da vice-governadora.
A oposição alega que Priscila teria autorizado repasses e nomeado servidores de cargos-chave na Secretaria de Saúde durante períodos em que assumiu o governo interinamente, beneficiando a unidade de saúde.
O Governo de Pernambuco reagiu por meio de nota oficial classificando a investida dos deputados como uma ação de puro caráter político-eleitoral em plena campanha, afirmando que as acusações não correspondem aos fatos.
A gestão ressaltou que Priscila Krause não faz parte do quadro societário do hospital, que presta serviços ao SUS há 55 anos, tendo atendido a gestões de 16 governadores diferentes. O Estado apontou, ainda, que o relatório tratou de inconsistências documentais de apenas 1,4% do montante e lembrou que o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) já analisou o caso em 2024, afastando ilegalidades nas contratações do hospital.
Redação com texto de Larissa Aguiar do JC Foto: reprodução
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