João Campos chega para convenção com apoio de Lula, chapa consolidada e legado de Eduardo

Ex-prefeito do Recife terá candidatura ao Governo oficializada neste sábado (1), na convenção da Frente Popular de Pernambuco, no Clube Internacional
Por Pedro Beija do JC
Após pouco mais de quatro meses de pré-campanha, o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) oficializará sua candidatura ao Governo de Pernambuco neste sábado (1), na convenção da Frente Popular de Pernambuco.
O evento, que será realizado no Clube Internacional do Recife, encerra o processo de construção política da candidatura socialista e marca o início de uma nova fase da disputa pelo Palácio do Campo das Princesas.
Ao longo dos últimos meses, João consolidou a chapa majoritária, ampliou a frente de partidos aliados e fortaleceu sua relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), um dos principais ativos que pretende explorar durante a campanha.
O que chegou a ser tratado como uma incógnita nos primeiros meses da pré-campanha passou a ser um dos principais ativos políticos do socialista após Lula reafirmar publicamente o apoio à candidatura e participar, nesta semana, da convenção nacional do PSB ao lado do ex-prefeito.
Desde antes de disputar a Prefeitura do Recife pela primeira vez, em 2020, João já era apontado nos bastidores do PSB como o principal nome do partido para suceder o ciclo iniciado por Eduardo Campos e voltar a disputar o Governo de Pernambuco. A construção de uma candidatura de João foi intensificada pelo partido após o resultado eleitoral de 2022, quando Danilo Cabral (PSB) foi derrotado no pleito estadual no primeiro turno.
Para 2026, é esperada uma eleição acirrada e que pode ser decidida nos mínimos detalhes. Nos últimos meses, as pesquisas de intenção de voto apontaram uma inversão no cenário eleitoral. Se ao longo de 2025 João liderava com folga – ainda sem anunciar candidatura ao Governo, os levantamentos publicados nos últimos dois meses passaram a mostrar a governadora Raquel Lyra (PSD) à frente da disputa.
Da Prefeitura à construção da candidatura
João deixou a Prefeitura do Recife em março, em meio a altos índices de aprovação, para se dedicar integralmente à disputa pelo Governo de Pernambuco. Desde então, concentrou a agenda na articulação política, intensificou viagens pelo interior, participou de convenções e atos de partidos aliados e buscou ampliar a base que sustentará sua candidatura.
Ao longo da pré-campanha, a principal missão do PSB foi concluir a montagem da chapa majoritária e consolidar uma frente capaz de reunir partidos de diferentes campos políticos. O Republicanos indicou o deputado federal Carlos Costa para a vice, enquanto o senador Humberto Costa (PT) e a ex-deputada federal Marília Arraes (PDT) completaram a composição para o Senado.
Embora reúna um número menor de prefeitos do que a governadora, o socialista chega à campanha apostando em uma estratégia diferente de capilaridade política.
Ao longo dos últimos meses, buscou fortalecer palanques de oposição em municípios administrados por aliados de Raquel Lyra. João trouxe para o seu palanque ex-prefeitos, candidatos derrotados nas eleições municipais de 2024 e lideranças locais que permanecem como adversários dos grupos governistas em diversas regiões do Estado.
Presença nacional, apoio de Lula e legado de Eduardo
Além da articulação em Pernambuco, João chega à convenção em posição de destaque no cenário nacional. Como presidente nacional do PSB, comandou as negociações que resultaram na manutenção da aliança entre a legenda e o PT para as eleições presidenciais de 2026, assegurando novamente o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) como companheiro de chapa de Lula, além de garantir palanques estratégicos da aliança entre socialistas e petistas em diferentes estados.
A atuação fez com que o socialista ampliasse sua interlocução com o presidente da República durante a pré-campanha. O gesto mais simbólico ocorreu na última quarta-feira (29), durante a convenção nacional do PSB, quando Lula declarou ter “muito orgulho” de João como “candidato a governador de Pernambuco” e parceiro político.
“Tenho muito orgulho de estar na convenção do PSB, tenho muito orgulho de ter você como parceiro nessa caminhada, de ter você como candidato a governador de Pernambuco”, disse Lula.

Além da estrutura partidária e do apoio nacional, João também chega à campanha carregando um dos principais ativos políticos do PSB em Pernambuco: o legado do ex-governador Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo durante a campanha presidencial de 2014.
Filho de Eduardo, João tem intensificado, desde a pré-campanha, referências ao pai em discursos, entrevistas e publicações nas redes sociais. Imagens dos dois juntos e menções à gestão do ex-governador passaram a aparecer com frequência nas peças divulgadas pelo PSB, reforçando a estratégia de associar sua candidatura ao ciclo político iniciado por Eduardo no Estado.
A aproximação também dialoga com a própria trajetória do socialista. Em entrevista à Veja, na última terça-feira (28), ao ser perguntado sobre a mudança no cenário das pesquisas, João lembrou que acompanhou a campanha de Eduardo Campos ao Governo de Pernambuco em 2006, quando o então candidato iniciou a disputa em desvantagem e acabou eleito.
“Eu vi meu pai sair com 3% das intenções de votos numa pesquisa para o governo do Estado, vencer a eleição e ser o maior governador da história de Pernambuco. É uma eleição disputada, um cenário de equilíbrio e eu tenho certeza de que a partir do momento em que a gente começar a botar o time em campo, a campanha na rua, a gente vai ter um cenário bastante favorável de crescimento e de construção”, comentou, em entrevista à Veja.
Redação com texto de Pedro Beija compartilhado do JC em 31/07/2026 Fotos: reprodução JC
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