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Crise no STF avança entre independentes e aumenta o risco para Lula

Quaest mostra desconfiança de 65% no Supremo entre independentes e vantagem de dez pontos (eram quatro) de Flávio Bolsonaro sobre Lula nesse grupo.

Por Igor Maciel do JC

A crise do Supremo Tribunal Federal já chegou à eleição. A Quaest mostra que 56% dos brasileiros não confiam na Corte e apenas 9% confiam muito. Um tribunal com tamanho poder e tão pouca confiança pública vira parte da disputa, mesmo sem pedir voto. Pior ainda quando seus ministros oferecem ao eleitor uma briga pública, personagens definidos e suspeitas suficientes para abastecer o imaginário popular contra a corrupção por meses, incluindo a campanha até outubro.

Desgaste

Em agosto, 46% diziam não confiar no STF. Agora são 56%. No mesmo período, o grupo que confiava muito caiu de 18% para 9%. Em apenas um mês, a desconfiança cresceu dez pontos e a confiança mais sólida foi reduzida pela metade.

O desgaste atingiu quase todos os grupos. Entre os lulistas, a desconfiança passou de 27% para 30%. O movimento mais grave ocorreu entre os que confiavam muito na Corte. Eram 41% em agosto e agora são 23%. Até onde havia simpatia política, começa a faltar disposição para defender o tribunal.

Entre os bolsonaristas, a rejeição continua elevada, com 69%. Esse número já foi maior e chegou a 83% em março. A crise atual, portanto, não está apenas reforçando uma hostilidade antiga. Ela avança mudando de lado também. Na medida em que os bolsonaristas se identificam com Mendonça no embate contra Moraes, a confiança deles melhora.

Independentes

Entre os independentes, a parcela dos que não confiam no STF saltou de 50% para 65%. Uma alta de quinze pontos em um mês. É nesse mesmo grupo, talvez não por acaso, que Flávio Bolsonaro (PL) apresenta um de seus melhores resultados contra Lula (PT).

No segundo turno, Flávio tem 36% entre os independentes. Lula aparece com 26%. Na rodada de 7 de setembro, o placar era de 32% a 28%. A diferença cresceu de quatro para dez pontos e saiu da margem de erro específica do segmento.

Há ainda 29% que votariam em branco, anulariam ou não votariam e outros 9% de indecisos. Flávio lidera, mas o grupo permanece bastante disponível. São eleitores que desconfiam do Supremo e ainda não decidiram se essa insatisfação será suficiente para levá-los até o candidato do PL.

A pesquisa não afirma que uma coisa provocou a outra. A política, porém, não costuma esperar por uma certidão. Quando a rejeição a uma instituição cresce no mesmo eleitorado em que avança o candidato que a combate, qualquer campanha minimamente atenta sabe o que fazer com a coincidência.

Disputa

Lula continua à frente no primeiro turno, com 36%, contra 31% de Flávio. A diferença é de cinco pontos. Flávio, contudo, cresceu dois pontos desde a rodada anterior. No segundo turno, aparece numericamente à frente pela primeira vez, com 42%, diante de 40% do presidente. Há empate técnico, mas já não existe tranquilidade técnica.

A crise do STF ajuda a explicar por que o tema interessa tanto à eleição. No embate sobre as investigações do Banco Master, 37% consideram correta a atuação de André Mendonça. Apenas 16% dizem o mesmo sobre Alexandre de Moraes.

O eleitor começou a separar os ministros. Mendonça recebe uma avaliação melhor. Moraes concentra a rejeição. O Supremo deixou de aparecer como um bloco e passou a ser visto a partir das disputas políticas travadas dentro dele. A Corte ofereceu à campanha os personagens que a campanha precisava.

Flávio

Flávio pode explorar esse ambiente de maneira mais eficiente do que Jair Bolsonaro fez durante seu governo. O pai atacava o Supremo inteiro, comprava briga com os onze ministros e conseguia unir o tribunal contra ele. O filho tem a oportunidade de escolher os adversários e preservar os possíveis interlocutores.

Moraes pode ser apresentado como símbolo dos excessos que o bolsonarismo denuncia. Mendonça pode ocupar o papel de ministro disposto a enfrentar esses excessos. Assim, Flávio mantém o discurso contra o STF sem precisar prometer uma guerra contra toda a Corte. É uma versão um pouco mais organizada da mesma hostilidade. Mas é mais sustentável.

Lula

Para Lula, a situação é bem mais desconfortável. Moraes não integra o governo, mas foi associado por parte do eleitorado ao campo político que enfrentou Jair Bolsonaro. Essa percepção permite que Flávio tente transferir ao presidente o desgaste do ministro e, por extensão, a rejeição ao próprio Supremo.

Lula procura afastar-se de Moraes enquanto critica Mendonça. A pesquisa mostra que, nesse conflito, o público está muito mais próximo do segundo. O presidente pode terminar defendendo a posição mais impopular sem sequer receber do STF qualquer benefício eleitoral em troca.

O STF entrou na campanha sem candidatura, sem programa e sem horário eleitoral. Mesmo assim, já corre o risco de ajudar a escolher o próximo presidente.

Redação com  texto deIgor Maciel do JC Foto: divulgação

e-mail: redacao@blogdellas.com.br

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