Divisão da direita na luta pelo Senado pode beneficiar esquerda

A primeira fase da pré-campanha para o Senado deste ano em Pernambuco foi marcada por uma divisão da esquerda representada por três candidatos do mesmo campo: o senador Humberto Costa, do PT; e Marília Arraes, do Solidariedade, que foram confirmados na chapa do ex-prefeito João Campos. Mais recentemente, Túlio Gadelha, ex-Rede e agora PSD, foi confirmado na chapa da governadora Raquel Lyra, representando parte da esquerda lulista. Nesta segunda fase, nascida pós convenções, a direita e a centro-direita, cujos votos muitas vezes se confundem, têm dois nomes na disputa depois que o PL lançou a candidatura do deputado federal Mendonça Filho que vai concorrer no mesmo campo que o deputado federal Eduardo da Fonte, da chapa da governadora.
No meio político é voz comum neste momento que Humberto Costa pode se eleger no campo da esquerda com a ajuda do presidente Lula – o que Teresa Leitão fez em 2022 – e que a segunda vaga será disputada por Eduardo da Fonte e Mendonça. Embora o quadro para o Senado só vá começar a se definir após a campanha chegar ao Rádio e TV – hoje mais de 70% dos eleitores não definiram o voto e muitos nem sabem quem está concorrendo – Marília Arraes, até então considerada carta fora do baralho, por falta de estrutura na sua campanha e a da ajuda de prefeitos, pode voltar a entrar no páreo, à medida que o voto de direita se fragmente.
Ainda mais agora que o presidente Lula aceitou fazer fotos ao lado de João Campos, dela e de Humberto, embora não tenha definido se vem a Pernambuco no primeiro turno, apesar dos fortes apelos do PSB e de João. Se só tivesse um nome no campo conservador era mais fácil, na medida em que há tantos candidatos, eleger um nome de direita ou de centro direita. Agora está mais difícil.
Tanto assessores de Mendonça Filho quanto os de Eduardo da Fonte juram de pés juntos que um ajuda o outro pois o eleitor de direita não vota na esquerda e pode votar nos dois, já que há duas vagas em disputa. “Essa candidatura de Mendonça ajuda Eduardo pois a direita bolsonarista não estava entusiasmada para ir às urnas porque, além de não ter um nome próprio disputando o Governo, os nomes para o Senado do PL e do Novo não eram conhecidos . Agora com o nome de Mendonça eles vão sair de casa para votar e aí cravam os dois”- disse a este blog um deputado do PP.
As razões de cada um
Partidários de Eduardo da Fonte já fazem as contas do que ele pode absorver de votos, além dos tradicionais da direita na disputa com Mendonça. Estariam nessa conta os votos de estrutura que virão dos prefeitos ligados à governadora Raquel Lyra, os votos dos evangélicos com os quais ele tem muita ligação, e a própria estrutura que o PP tem através de deputados federais e estaduais, somado ao apoio dado a Dudu por Miguel Coelho. A estes seriam somados ainda o apoio da área de saúde que ele tem beneficiado muito através de emendas parlamentares e das pessoas com deficiência e suas famílias.
Mendonça e os votos de opinião
Já os partidários de Mendonça contam a seu favor com os votos de opinião que ele tem no Recife e em toda a Região Metropolitana, além dos votos bolsonaristas. Votos de estrutura no interior Mendonça tem mas de forma concentrada em algumas áreas e agora em Petrolina com a ajuda de Miguel Coelho. Há que considerar ainda que em 2018 ele foi candidato ao Senado e perdeu por 120 mil votos concorrendo com Jarbas Vasconcelos. De qualquer forma, ele e Eduardo da Fonte vão lutar taco a taco pela possível vaga da centro-direita.

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