Disputa na União Progressista favorece Fernando Dueire na luta pela reeleição para o Senado

 

Apesar de, como senador, ter direito garantido a disputar a reeleição – é candidato natural pela legislação eleitoral – o senador Fernando Dueire, do PSD, mesmo partido da governadora Raquel Lyra, conquistou o apoio de mais de 100 dos 184 prefeitos pernambucanos para renovar seu mandato mas até agora vinha lutando com um obstáculo: a falta de vaga na chapa da governadora. Essa chance apareceu esta segunda-feira quando a executiva estadual da Federação União Progressista escolheu o deputado federal Eduardo da Fonte, por cinco votos favoráveis e duas abstenções, como pré-candidato ao Senado pelo colegiado mas a decisão, apesar de homologada pelo senador Ciro Nogueira, vice-presidente nacional da Federação, foi contestada em nota oficial pelo presidente nacional da mesma, Antonio Rueda, que é favorável ao nome de Miguel Coelho.

O assunto, citado esta terça-feira pela imprensa nacional como a primeira exposição pública dos desentendimentos nas secções estaduais da União Progressista – está difícil contornar situações semelhantes em outros estados – ao mesmo tempo que não está permitindo que Eduardo da Fonte tenha tranquilidade na sua pré-campanha também atinge Miguel Coelho que sequer conseguiu votos da executiva e está apelando para a nacional.

Nesse caldo de cultura ganhou realce o nome de Fernando Dueire, mantido pela governadora em banho-maria até o dia da Convenção, e que tem sido citado nos corredores do Palácio das Princesas como a opção que ela tem para desempatar o jogo. Se Miguel e Eduardo não chegarem a um acordo ela consagra Dueire na vaga destinada ao colegiado, agradando os prefeitos que dia e noite a estimulam nesse sentido.

Embora não pontue bem nas pesquisas porque nunca foi votado – ele assumiu como suplente do senador Jarbas Vasconcelos que renunciou por problemas de saúde – Dueire, segundo o cientista político Adriano Oliveira em entrevista concedida ao Passando a Limpo da Rádio Jornal esta terça-feira, no momento em que surgir como candidato da governadora tende a crescer nas pesquisas e se estabelecer ao lado de Túlio Gadelha, o nome da esquerda lulista que já teria  lugar garantido na chapa de Raquel.

Peça da engrenagem

Dueire nunca deixou de trabalhar pela renovação do seu mandato. Além de ser chamado pelos prefeitos pernambucanos  como “um pai do municipalismo”, pela forma como ajudou a todos eles com obras e ações, virou em Brasília também um nome de confiança da governadora Raquel Lyra, ajudando-a a destravar os empréstimos que viabilizaram o seu trabalho sendo relator de todos ele no Senado. Foi ainda peça fundamental, como tem dito a governadora, no entendimento com o Tesouro Nacional para resolver as questões burocráticas essenciais para os empréstimos terem andamento. Raquel o chama de “meu senador” e o tem incluído em todas as inaugurações e eventos de que participa, reservando vaga para o mesmo no avião ou em helicópteros usados em seus deslocamentos.

Entregando a batata quente

Esta terça-feira, Eduardo da Fonte e Miguel Coelho, em ocasiões distintas, tentaram colocar a governadora no meio do problema de desentendimento da Federação União Progressista. Em entrevista a este blog, Eduardo apelou para que a governadora promova a pacificação entre ele e Miguel, reconhecendo  a votação da executiva estadual e encontrando uma forma de atender a Miguel de outra maneira, contanto que garanta os dois em seu palanque. Já Miguel disse claramente em entrevista ao Podcast Dose Dupla que a governadora deve escolher os componentes de sua chapa sem ouvir os partidos, explicando que ela é a candidata e tem esse direito. Miguel acredita que será escolhido.

 

Por que a União Progressista não se entendeu internamente e agora quer terceirizar sua responsabilidade, dividindo-a com o Palácio?

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