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Primeiro afoxé do Recife comemora 40 anos com programação gratuita

O Alto José do Pinho, na Zona Norte do Recife, recebe próximo sábado, dia 22 de agosto,  uma programação gratuita de música, cortejos, dança e cultura popular para celebrar os 40 anos do Afoxé Ylê de Egbá, primeiro grupo do gênero artístico e mais antigo em atividade na cidade. A festa marca a retomada do Kizomba – A Festa do Povo Negro na Rua e reúne, grupos de tradição indígena, dança africana e forró. 

As atividades começam às 13h e seguem até 23h20, em frente ao Ponto de Cultura Afoxé Ylê de Egbá. Este projeto é realizado com incentivo da Secretaria de Cultura do Recife, Fundação de Cultura Cidade do Recife e Prefeitura do Recife, por meio do Sistema de Incentivo à Cultura (SIC).

Às 16h30, DJ Phyno abre a programação artística. Às 17h, a Tribo Indígena Tupã realiza cortejo. Às 18h, o Coletivo Danzáfrica Mandén leva dança e percussão africana ao palco. A Tribo Indígena Tapirapé, Patrimônio Vivo do Recife, ocupa a rua às 18h40.

Às 19h, a União dos Afoxés de Pernambuco (UAPE) promove uma roda reunindo Ara Odé, Alafin Oyó, Ylê de Egbá, Ara Omin, Afefe Legbara, Omo Lufan e Oyá Guere. O Forró do Suco Elétrico se apresenta às 20h. O Maracatu Nação Porto Rico entra em cena às 20h40. Às 21h20, será a vez do Bongar, grupo nascido no Terreiro Xambá, em Olinda. O Ylê de Egbá encerra a programação das 22h30 às 23h20. A apresentação da festa será conduzida por Ana Paula Guedes.

O público também poderá participar, das 17h às 18h, do Kizomba na Camisa. A proposta convida cada pessoa a levar uma camisa, ecobag ou outra peça de roupa para receber, na hora, a nova marca do festival impressa em serigrafia.

A celebração ocorre cinco dias depois da data oficial do aniversário. O Ylê de Egbá completa 40 anos na segunda-feira (17) e transforma a comemoração em um encontro de diferentes manifestações das culturas negra, indígena e popular.

Criado no Alto José do Pinho, o grupo tem origem na Casa de Matriz Africana Ylê Asé Ayrá Adjáosi. Sua história remonta às rodas de samba e afoxé realizadas na década de 1980 por Expedito Neves, Dito d’Osòósi (in memoriam), que deram origem a cortejos pelas comunidades da Mangabeira e do Alto José do Pinho. Em 1986, a organização foi formalizada como Entidade de Cultura Negra Afoxé Ylê de Egbá.

Ao longo de quatro décadas, o Ylê fez da presença nas ruas um espaço de afirmação da cultura negra e dos povos de terreiro. Suas lideranças estiveram ligadas a articulações do movimento negro pernambucano, e sua música chegou a festivais na Bélgica, Itália, Portugal, Alemanha, Inglaterra e Holanda. Em 1988, o grupo recebeu do Ministério da Cultura a Medalha do Centenário da Abolição.

Atualmente, como Ponto de Cultura, mantém oficinas e ações de formação no Alto José do Pinho durante todo o ano. Atividades de dança, percussão, agbê e práticas corporais afro-brasileiras alcançam cerca de 120 pessoas, principalmente jovens, mulheres e moradores da comunidade.

Patrimônio reconhecido pelo Recife – Os 40 anos também são celebrados três anos depois de uma conquista para os afoxés da cidade. Em junho de 2023, a Lei Municipal nº 19.067 declarou o Afoxé Patrimônio Cultural Imaterial do Município do Recife. A legislação foi sancionada pelo prefeito João Campos e teve origem em projeto apresentado à época pelo  vereador Ivan Moraes. Em 2024, a agremiação carnavalesca também foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Recife, proposto pelo vereador licenciado Marco Aurélio. 

Para Ylê, a data também abre espaço para discutir os caminhos posteriores ao reconhecimento. O grupo defende que a valorização patrimonial avance para uma agenda permanente de circulação, formação, salvaguarda e presença dos afoxés na programação cultural da cidade.

A retomada do Kizomba integra esse movimento. Criada em 2013 pelo Ylê de Egbá, a festa nasceu para ocupar a rua com manifestações afro-brasileiras, afro-indígenas e periféricas. Depois da edição comemorativa, estão previstas novas atividades: Kizombinha, em outubro; Kizomba numa Noite no Quilombo, em novembro; e Kizomba de Direitos, em dezembro.

Redação com assessoria Foto: diulgação

e-mail: redacao@blogdellas.com.br

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