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A estabilidade que favorece Raquel e aumenta a pressão sobre João

Quaest aponta estabilidade na disputa e mostra que 76% dos eleitores consultados consideram definitiva a escolha a pouco mais de vinte dias da votação

Por Igor Maciel do JC

A nova pesquisa Quaest para o Governo de Pernambuco oferece duas leituras aparentemente contraditórias, embora não sejam. A distância entre Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB) diminuiu de oito para seis pontos, mas a disputa permanece estável. A governadora oscilou de 44% para 43%, enquanto o ex-prefeito passou de 36% para 37%. Movimentos de um ponto, dentro de uma margem de erro de três, não representam mudança efetiva no cenário.

Essa estabilidade, porém, não é neutra. Ela mantém Raquel numa posição em que, considerado o resultado central da pesquisa, a eleição terminaria no primeiro turno. Como apontou o cientista político Felipe Nunes, CEO da Quaest ao apresentar os números, os 43% registrados pela governadora são suficientes para uma vitória no primeiro turno. Na conta dos votos válidos, daria 52,4%. O cálculo considera apenas os votos atribuídos aos candidatos, que somam 82%: 43% de Raquel, 37% de João, 1% de Ivan Moraes (PSOL) e 1% de Renan Hallais (Missão).

Isso não significa que o resultado esteja definido. A margem de erro permite outros desfechos. Mas estabelece o desafio das duas campanhas. Raquel precisa conservar o terreno que ocupa. João precisa romper uma estabilidade que, mantida até a urna, produziria a vitória da adversária sem segundo turno.

Portanto, a distância diminuiu, mas o patamar em que está Raquel Lyra é tão elevado e é um movimento tão pequeno no espaço entre as duas pesquisas da Quaest, que o resultado aponta mais para consolidação do que para possibilidade de virada.

Estabilidade

É natural que a campanha de João destaque o crescimento de um ponto e a redução nominal da diferença. Existem outros sinais favoráveis para ele. Na espontânea, avançou de 22% para 24%. No segundo turno, passou de 37% para 39%, enquanto Raquel recuou de 47% para 45%. Sua rejeição caiu de 40% para 38%.

O conjunto indica alguma melhora, mas ainda não uma alteração estrutural. Raquel manteve os 33% na espontânea, segue seis pontos à frente na estimulada e tem rejeição menor, com 34%. No segundo turno hipotético, lidera por 45% a 39%. As oscilações acontecem, mas não mudam a direção da disputa.

O risco para João está em confundir sinais de reação com uma virada já em curso. Para levar a disputa ao segundo turno, ele precisa diminuir a distância e fazer a governadora perder a maioria dos votos válidos. Hoje, segundo o resultado central da Quaest, ela está acima dessa linha.

Para Raquel, a pesquisa reforça uma estratégia defensiva. Quem lidera com 52,4% dos votos válidos não precisa reinventar a campanha. Precisa evitar erros e impedir que o adversário transforme pequenos movimentos em tendência.

Consolidação

Há outro dado que torna essa estabilidade mais relevante e é quando falamos da consolidação. O percentual de eleitores que considera definitiva sua escolha subiu de 72% para 76%. Ao mesmo tempo, a parcela que admite mudar de candidato caiu de 27% para 23%. O voto começa a endurecer justamente quando Raquel ocupa uma posição suficiente, no resultado central, para encerrar a eleição na primeira rodada.

Ainda existe um contingente importante a ser disputado. São 12% de indecisos na estimulada, além dos eleitores que admitem mudar. Mas a janela está ficando menor. Cada semana sem alteração relevante favorece a governadora e aumenta a pressão sobre João para deslocar votos.

A espontânea ajuda a mostrar a dificuldade. Quatro em cada dez entrevistados ainda não citam um candidato sem receber a lista de nomes. Existe espaço para campanha. Contudo, entre os que já escolheram, cresce a convicção de manter o voto. O terreno disponível está se tornando mais resistente.

Pressão

A Quaest não decreta o resultado de outubro. Nenhuma pesquisa poderá fazer isso. O levantamento mostra, contudo, que estabilidade também produz consequência. Neste momento, permanecer estável significa manter Raquel na liderança e, pelo cálculo dos votos válidos, fazê-la vencedora no primeiro turno.

Quando se soma o patamar de votação dela, a aprovação de governo que costuma estar acima dos 60% nos últimos meses e o aumento de pessoas que dizem não mudar mais o voto, resta dizer que a pesquisa não é ruim para João, mas também não é lá muito boa.

Redaçao com texto de Igor Maciel do JC Foto: reprodução JC

e-mail: redacao@blogdellas.com.br

 

 

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