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Voto distrital misto pode limitar influência de puxadores de votos e influenciadores, avalia cientista político

plenario da camara dos deputadois

Felipe Ferreira Lima vê retomada da proposta como reação da política tradicional às eleições de 2026 e aponta possíveis impactos em Pernambuco

por Pedro Beija do JC

A adoção do voto distrital misto no Brasil pode reduzir a influência de puxadores de votos e influenciadores digitais nas eleições para o Legislativo, ao modificar a forma de distribuição das cadeiras entre os partidos, segundo o cientista político Felipe Ferreira Lima, que também interpretou a retomada da discussão no Congresso Nacional como uma reação da política tradicional ao resultado das eleições de 2026.

“Ao meu ver, existe aí uma reação do Centrão ou da política tradicional e também até do voto de opinião ideológico de centro contra essa questão dos influencers, que a gente viu que foram grandes puxadores de votos nesse modelo proporcional que a gente tem hoje”, avaliou, durante entrevista ao Passando a Limpo, da Rádio Jornal, nesta terça-feira (3).

O fenômeno ficou evidenciado nas eleições de outubro, quando Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP) foram os dois candidatos a deputado federal mais votados do país. Nikolas conquistou 3.119.318 votos em Minas Gerais, enquanto Pavanato recebeu 3.038.438 votos em São Paulo.

Pelo atual sistema proporcional, as votações individuais também são contabilizadas para os partidos, permitindo que candidatos com desempenho expressivo contribuam para a eleição de outros integrantes da legenda. Segundo levantamento do Congresso em Foco, as votações de Nikolas e Pavanato foram determinantes para a eleição de outros 15 deputados federais do PL, considerando uma simulação que mantém inalterados os votos dos demais candidatos e partidos.

Felipe avalia que a adoção do voto distrital misto poderia reduzir esse efeito ao estabelecer disputas territoriais para parte das vagas do Legislativo. Nesse modelo, influenciadores com apoio espalhado por diferentes regiões precisariam concentrar esforços em distritos específicos para conquistar uma cadeira pela votação direta.

“Os ‘influencers’ vão ter dificuldade, porque eles vão precisar, diferente desses deputados que tradicionalmente já têm os seus nichos eleitorais, escolher qual é o distrito que eles vão atuar”, explicou.

O cientista político também chamou atenção para o momento em que a proposta voltou à pauta do Congresso Nacional, poucos dias depois das eleições gerais. Para ele, a discussão revela não apenas uma tentativa de aperfeiçoar a representação política, mas também uma movimentação dos partidos tradicionais diante da nova composição do Parlamento.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou, no último dia 28 de outubro, a intenção de votar ainda neste ano uma proposta de reforma do sistema eleitoral. A articulação, construída inicialmente com partidos do Centrão, prevê a implementação integral do voto distrital misto em 2034, com um modelo de transição nas eleições de 2030.

A iniciativa, entretanto, ainda enfrenta resistências entre os parlamentares, inclusive em setores do PL e do PT, e depende da definição das regras que seriam adotadas.

Como funcionaria o voto distrital misto?

Atualmente, o Brasil utiliza o sistema proporcional de lista aberta para eleger deputados federais, estaduais e vereadores. Nesse modelo, os votos recebidos pelos candidatos também são contabilizados para seus partidos ou federações, que conquistam cadeiras conforme o desempenho eleitoral. A definição dos eleitos considera a votação individual e as regras de distribuição previstas na legislação.

O voto distrital misto, por sua vez, combina a eleição direta de representantes de regiões geográficas delimitadas com a distribuição proporcional de vagas de acordo com a votação dos partidos.

Felipe utilizou como referência o sistema adotado na Alemanha, no qual o eleitor tem direito a dois votos: um destinado a um candidato de seu distrito e outro a uma lista partidária. A composição final do Parlamento considera a votação das legendas e mecanismos de compensação entre as cadeiras.

Para ilustrar como uma versão do modelo poderia funcionar no Brasil, o cientista político apresentou o exemplo da Câmara Municipal do Recife, que atualmente possui 37 vereadores. Em uma divisão hipotética, parte das cadeiras seria destinada aos candidatos mais votados em distritos eleitorais da cidade, enquanto as demais seriam preenchidas conforme o resultado dos partidos.

Uma das principais diferenças em relação ao sistema atual estaria na organização das listas partidárias. Enquanto hoje o eleitor pode escolher diretamente um candidato entre os nomes apresentados por uma legenda, no modelo de listas fechadas os partidos definiriam previamente a ordem dos candidatos que ocupariam as vagas conquistadas.

“Você vota no partido e o partido já vem pronto com a lista de candidatos dele. […] Quem decide essa ordem por esse sistema de votação numa lista fechada é o próprio partido”, explicou Felipe.

O especialista ponderou que a mudança poderia aproximar eleitores e representantes, além de reduzir os custos das campanhas disputadas em distritos. Por outro lado, também exigiria maior compreensão do eleitorado sobre o funcionamento das listas partidárias e ampliaria a importância das decisões internas das legendas. O formato definitivo da proposta ainda não foi estabelecido pelo Congresso Nacional.

Disputas políticas em Pernambuco também seriam afetadas
Na avaliação de Felipe Ferreira Lima, a mudança do sistema eleitoral poderia provocar uma reorganização das disputas políticas em Pernambuco, especialmente no Recife e na Região Metropolitana.

Atualmente, candidatos a deputado estadual e federal podem buscar votos em todos os municípios pernambucanos. Com a criação de distritos eleitorais, parte das candidaturas passaria a disputar cadeiras em regiões delimitadas, modificando as estratégias de campanha e as articulações entre lideranças locais.

O cientista político afirmou que realizou uma simulação hipotética da divisão territorial do Recife, que poderia ser subdividido em diferentes distritos. Nas disputas para deputado estadual, a organização também envolveria municípios da Região Metropolitana, como Olinda, Paulista, Jaboatão dos Guararapes e Cabo de Santo Agostinho, de acordo com critérios populacionais.

“Você vota no partido e o partido já vem pronto com a lista de candidatos dele. […] Quem decide essa ordem por esse sistema de votação numa lista fechada é o próprio partido”, explicou Felipe.

O especialista ponderou que a mudança poderia aproximar eleitores e representantes, além de reduzir os custos das campanhas disputadas em distritos. Por outro lado, também exigiria maior compreensão do eleitorado sobre o funcionamento das listas partidárias e ampliaria a importância das decisões internas das legendas. O formato definitivo da proposta ainda não foi estabelecido pelo Congresso Nacional.

Disputas políticas em Pernambuco também seriam afetadas
Na avaliação de Felipe Ferreira Lima, a mudança do sistema eleitoral poderia provocar uma reorganização das disputas políticas em Pernambuco, especialmente no Recife e na Região Metropolitana.

Atualmente, candidatos a deputado estadual e federal podem buscar votos em todos os municípios pernambucanos. Com a criação de distritos eleitorais, parte das candidaturas passaria a disputar cadeiras em regiões delimitadas, modificando as estratégias de campanha e as articulações entre lideranças locais.

O cientista político afirmou que realizou uma simulação hipotética da divisão territorial do Recife, que poderia ser subdividido em diferentes distritos. Nas disputas para deputado estadual, a organização também envolveria municípios da Região Metropolitana, como Olinda, Paulista, Jaboatão dos Guararapes e Cabo de Santo Agostinho, de acordo com critérios populacionais.

Redação com texto de Pedro Beija do JC Foto: reprodução

e-mail: redacao@blogdellas.com.br

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