Tecnologia promove redução dos riscos de lesões em praticantes de esportes

Recursos digitais já disponíveis ao público ajudam a monitorar treinos e reduzir riscos de lesões
A prática da caminhada e da corrida deixou de ser apenas uma atividade física ocasional e se consolidou como um dos esportes mais populares entre brasileiros de diferentes idades. Com o aumento expressivo de adeptos, cresce também a preocupação com a prevenção de lesões, especialmente entre praticantes recreativos que nem sempre contam com acompanhamento profissional. Nesse cenário, a tecnologia tem assumido um papel cada vez mais relevante na saúde esportiva.
Sormane Britto, ortopedista, especialista em healthtech, inovação, metabolismo e fisiologia do exercício, afirma que o avanço de dispositivos vestíveis, aplicativos de monitoramento e soluções baseadas em inteligência artificial tem mudado a forma como lesões são prevenidas.
“Hoje conseguimos enxergar o que antes era invisível. Pequenas alterações na corrida, no volume de treino ou na recuperação podem ser detectadas precocemente por meio de dados. Isso muda completamente a forma de prevenir lesões”, afirma.
Acesso ampliado à tecnologia
Segundo o especialista, embora existam tecnologias mais sofisticadas, o grande diferencial atual está no acesso ampliado a essas ferramentas. Relógios esportivos, smartwatches e aplicativos de corrida já permitem que qualquer praticante acompanhe indicadores como ritmo, cadência, distância, frequência cardíaca e sinais de recuperação, muitas vezes apenas com o uso do smartphone.
“Boa parte do que antes dependia de avaliação clínica ou de laboratório hoje está no pulso ou no celular do praticante. Isso amplia muito a capacidade de prevenção”, explica Sormane Britto.
Inteligência artificial e análise de movimento
Entre os recursos mais utilizados estão sensores e wearables que ajudam a identificar sinais de alerta, como aumento abrupto de carga de treino ou desequilíbrios biomecânicos, frequentemente associados a lesões como fascite plantar e problemas no joelho.
Além disso, plataformas com inteligência artificial já conseguem analisar a biomecânica da corrida a partir de vídeos captados por smartphones, auxiliando na identificação de compensações e desalinhamentos. “A análise de movimento com IA democratiza o acesso a uma avaliação que antes dependia exclusivamente de consultas presenciais especializadas”, destaca o médico.
Treino personalizado e reabilitação digital
Outro avanço importante está nos aplicativos de treino, que ajustam automaticamente a intensidade dos exercícios com base no desempenho e na recuperação do usuário, ajudando a evitar o overtraining — comum entre praticantes que aumentam a carga sem orientação adequada.
A tecnologia também se expandiu na área de saúde com o crescimento da telemedicina e das plataformas digitais de reabilitação, permitindo acompanhamento remoto com ortopedistas e fisioterapeutas e contribuindo para um retorno mais seguro ao esporte após lesões.
Para Sormane Britto, o futuro da medicina esportiva está na integração entre dados, prevenção e personalização. “O objetivo não é substituir o acompanhamento médico, mas ampliar a capacidade de prevenção. Quando conseguimos unir ciência, tecnologia e comportamento, reduzimos riscos e promovemos uma prática esportiva mais segura e sustentável”, conclui.
Redação com assessoria Foto: ilustração
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