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Seminário celebra legado do mestre Naná Vasconcelos na Fundaj Recife

Abertura do Carnaval do Recife com Nana Vasconcelos Foto Jedson Nobre007 760x505

Evento na Fundaj terá exposição fotográfica, roda de diálogos e apresentações culturais

 Dez anos após a partida de um dos maiores percussionistas do mundo, o Recife volta seus tambores e memórias para celebrar a obra e o impacto cultural de Naná Vasconcelos. No próximo dia 22, das 14 às 18h, a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), em parceria com a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), promove o seminário “Naná Vasconcelos, os Maracatus e o Carnaval do Recife”, no campus Derby. O evento acontece na sala Aloísio Magalhães, no campus Derby da Fundaj, no Recife.

Mais do que uma homenagem, o encontro propõe uma reflexão sobre a dimensão estética, política e identitária da abertura do Carnaval do Recife com as nações de maracatu — são 15 anos de uma tradição iniciada em 2001 sob a regência de Naná e que se consolidou como um dos momentos mais emblemáticos da festa.

O seminário integra o projeto de pesquisa “A Cátedra Naná Vasconcelos UFRPE, as ações afirmativas e as possibilidades pluriepistêmicas nas Universidades Públicas”, desenvolvido no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Educação, Cultura e Identidades (PPGECI), com financiamento da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe). A investigação analisa os impactos culturais, econômicos e simbólicos da política pública que colocou o maracatu no centro da maior celebração popular da capital pernambucana.

 Cultura, memória e pesquisa –  A programação reúne a exposição fotográfica “Naná do Recife para o Mundo”, que narra visualmente parte da vida artística do percussionista e é baseada na fotobiografia Nana de Recife para o Mundo organizada por Augusto Lins Soares com consultoria de Patrícia Vasconcelos, viúva de Naná e uma das pesquisadoras envolvidas no projeto. Além disso, haverá roda de diálogo, apresentação de resultados acadêmicos e manifestações artísticas.

Um dos destaques será a abertura da mostra “Naná do Recife para o Mundo”, que revisita momentos marcantes da trajetória internacional do artista e sua relação visceral com os batuques pernambucanos. Também será lançado o Repositório Digital Arandu UFRPE – Cátedra Naná Vasconcelos, plataforma que reunirá registros, documentos e conteúdos audiovisuais para fomentar futuras pesquisas sobre o músico e sua contribuição à cultura brasileira.

A tarde começa com apresentação da Escola de Música Naná Vasconcelos, projeto de extensão da UFRPE, reafirmando o caráter formativo que o percussionista sempre imprimiu ao seu trabalho — especialmente no processo de preparação dos batuqueiros que, por 15 anos, conduziram a abertura do Carnaval do Recife sob sua orientação.

Com financiamento da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (FACEPE), a pesquisa desenvolvida na Cátedra Naná Vasconcelos pelo PPGECI analisa o impacto dessa política cultural no Carnaval do Recife, iniciada em 2001, na economia, cultura, política e identidade da festividade na capital pernambucana. Além de resgatar esse processo de mais de uma década, os pesquisadores exploram também as percepções dos artistas e gestores públicos envolvidos nele.

Na visão de Patrícia, participar da pesquisa é “muito profundo” por resgatar a memória e cultivar o legado de Naná Vasconcelos na abertura do carnaval do Recife. “É muito importante que a gente esteja resgatando a vivência de Naná, e é muito interessante que mais pessoas saibam desse processo didático dele, esse processo evolutivo com a formação de batuqueiros ao longo de 15 anos. Eu estou muito feliz e acho que é mais um passo a ser dado na manutenção da memória de Naná”, conta.

Para Moisés Santana, coordenador da pesquisa e professor do PPGECI, resgatar a memória de Naná Vasconcelos a partir de seu processo de criação das aberturas de carnaval do Recife junto aos maracatus é muito emblemático. “Essa foi uma política que surgiu pela gestão municipal do Recife anos atrás, e que se consolidou e até hoje é mantida, mesmo após 10 anos da partida de Naná Vasconcelos. Então, a gente pode considerar que temos mais de 25 anos de abertura do carnaval com os maracatus e isso é extremamente importante”, avalia.

Diálogo com mestres e gestores – A roda de conversa reunirá pesquisadores, representantes institucionais e nomes ligados diretamente à construção da abertura carnavalesca com os maracatus. O encerramento será ao som do Maracatu Nação Porto Rico, sob a regência do mestre Chacon, reafirmando a potência das nações como símbolo de resistência e identidade afro-pernambucana.

Ao colocar em pauta memória, políticas culturais e saberes tradicionais, o seminário reforça a permanência do legado de Naná Vasconcelos não apenas como artista, mas como articulador de uma das mais fortes imagens do Carnaval do Recife contemporâneo: centenas de batuques ecoando juntos na noite de abertura, transformando tradição em espetáculo e afirmação cultural.

SERVIÇO:

Seminário: “Naná Vasconcelos, os Maracatus e o Carnaval do Recife”
QUANDO: 22 de junho de 2026
HORÁRIO: 14h às 18h
LOCAL: Sala Aloísio Magalhães – Fundaj (Campus Derby) – Rua Henrique Dias, 609 – Derby,  Recife

INSCRIÇÕES: https://www.even3.com.br/seminarionanavasconcelosmaracatuseocarnaval-739285/

 Evento aberto ao público em geral

Redação com assessoria Foto: Jedson Nobre

e-mail: redacao@blogdellas.com.br

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