Raquel perde entre mulheres e na direita às vésperas da visita de Lula
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Raquel perde força entre mulheres e eleitores de direita. A visita do presidente pode ajudar João, mas também abrir espaço para uma reação da rival.
Entre os homens, a história é outra. Raquel foi de 47% para 49%, e João passou de 36% para 35%. A diferença entre os dois aumentou nesse grupo. O resultado geral, portanto, esconde movimentos opostos. A governadora preserva uma vantagem expressiva no eleitorado masculino, enquanto o adversário abre distância entre as mulheres.
Direita
Há outra queda que merece atenção. Entre os eleitores que se dizem de direita, Raquel passou de 76% para 65%. João subiu apenas de 13% para 15%. A governadora perdeu onze pontos onde tinha sua maior vantagem, mas o adversário recebeu só dois. Isso sugere que parte desse eleitorado se afastou de Raquel sem escolher João. Significa que podem voltar.
O episódio da laqueadura deve estar entre os responsáveis também. Mas talvez não seja só isso. Pesquisas qualitativas registraram nos últimos dias uma queixa entre alguns desses eleitores à direita. Eles apoiam a governadora, mas sentem que ela evita assumi-los publicamente. Na percepção desse grupo, Raquel quer seus votos sem parecer próxima demais. A reclamação ajuda a entender a dificuldade política.
Raquel tem razões eleitorais para medir as palavras. Entre os eleitores de esquerda, ela ainda registra 28%, apesar de ter caído dos 33% da pesquisa anterior. Uma guinada ostensiva à direita poderia colocar esses votos em risco. Ao mesmo tempo, manter distância pode reforçar o ressentimento de quem esperava dela um gesto de identificação. A governadora precisa recuperar a confiança de parte da direita sem oferecer a João uma razão para crescer ainda mais à esquerda.
Lula
É nesse cenário que o presidente Lula deve chegar ao Recife, na sexta-feira (25), para caminhar com João Campos. A visita pode dar ao candidato do PSB a mobilização que ele procura na reta final. Entre os eleitores de esquerda, João já passou de 54% para 57%, enquanto Raquel caiu de 33% para 28%. Estar ao lado do presidente pode ajudá-lo a consolidar essa vantagem e ampliar o entusiasmo de seus apoiadores.
Mas João também tem uma conta a fazer. Hoje, ele recebe 15% das intenções de voto entre os eleitores de direita. Quanto mais sua campanha se confundir com a de Lula, maior será a oportunidade de Raquel tentar recuperar quem deixou de apoiá-la nessa faixa.
A Datafolha prevista para esta quinta-feira (24) deve oferecer uma nova medida da disputa antes da visita de Lula. Depois virão outras pesquisas, já com a campanha em seus últimos dias. Raquel terá de responder à perda entre as mulheres e ao recado vindo da direita. João tentará transformar a aproximação com Lula em votos sem devolver terreno à governadora. A última semana promete ser extremamente acirrada em Pernambuco.
Redação com texto de Igor Maciel do JC Foto: reprodução
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