Presidente da Assembleia denuncia que secretaria de Defesa Social devassou a sua vida pessoal em investigação
O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Álvaro Porto, ocupou a tribuna esta segunda-feira para denunciar que sua vida “foi devassada e a minha intimidade violada” por investigação realizada pela secretaria de defesa social do Governo do Estado – responsabilizou o secretário Alessandro Carvalho. Ele afirmou que se baseou em matéria divulgada pela imprensa e que adotará todas as medidas legais possíveis “na defesa da Assembleia, das prerrogativas da atividade legislativa e da defesa de cada um dos senhores (referia-se aos deputados presentes) como eu sempre procedi desde o primeiro momento em que assumi a presidência desta casa por delegação de Vossas Excelências”.
– “Estou estarrecido – adiantou – como presidente de um poder, como deputado, mas, acima de tudo, como cidadão, ao me deparar com o uso do aparelho policial para fins que, no nosso sentir, não se coadunam com o estado democrático de direito, com liberdades individuais, tudo em completo desrespeito com aquilo que é preconizado na nossa Carta Magna”. E acrescentou, explicando que não sabe se a investigação foi feita por autorização judicial: “não me intimidarei, não abdicarei em nenhum momento de agir como devemos diante de situações tão graves”. A SDS alega ter agido dentro da legalidade e a pedido do MPPE.
Ministério Público
O discurso do presidente, que interrompe um período de aparente tranquilidade no relacionamento dos poderes Executivo e Legislativo, foi pautado por matéria divulgada pelo site Brasil247 que afirma ter tido acesso a um relatório produzido pela SDS, datado de 01 de abril de 2026 e elaborado pelo Centro Integrado de Inteligência e Defesa Social (CIIDS) a pedido do secretário Alessandro Carvalho. O relatório teria citado que o deputado tem 3 pistolas, 1 espingarda e 1 revolver; que foram identificados contra ele três registros relacionados a crimes de ameaça, incluindo um envolvendo o próprio Manoel Medeiros; e que existem 33 processos judiciais ligados a Álvaro Porto, a maioria na esfera cível e alguns tratando de abuso de poder”.
O documento que, segundo o site, teria sido elaborado em função de um ambiente de risco enfrentado pelo jornalista Manoel Medeiros, ex-assessor do Palácio e que solicitou proteção policial e medidas protetivas após ser acusado pelo presidente da Alepe de “comandar uma milícia digital ou gabinete do ódio” concluiu, segundo o Brasil247, que não identificou nas investigações ameaças concretas ao jornalista. Já a SDS alegou ao site que a elaboração do relatório ocorreu após solicitação formal do Ministério Público de Pernambuco e foi feito dentro do “procedimento padrão”e que após análise da Comissão Permanente de Segurança Pessoal de Autoridades (CPSPA) o pedido de proteção foi indeferido.
Arapongagem e resposta oficial
No relatório são descritos detalhes do problema envolvendo Álvaro Porto e Manoel Medeiros quando o jornalista foi flagrado pelo serviço de inteligência da Alepe em uma lan house fazendo denuncia anônima sobre o gabinete da deputada Dani Portela, então no PSOL. Na época Medeiros alegou que agiu como jornalista e denunciou Arapongagem da Alepe e intimidação, explicando que não se pode expor o autor de denuncias anônimas. Disse que a Assembléia não tem poder de policia e teria usado sua estrutura para perseguir um jornalista.
Foi nesta época que ele foi acusado por Álvaro de comandar milícia digital e gabinete do ódio. Depois o mesmo denunciou que estava sendo ameaçado e pediu proteção policial o que teria levado o MPPE a solicitar uma investigação policial para saber se o pedido tinha sentido. No relatório a Polícia não investigou apenas o presidente da Alepe, o jornalista também teve suas atividades acompanhadas com detalhe.
Além da SDS o Governo do Estado enviou resposta a indagação do site informando que as atividades dos órgãos de segurança pública “seguem protocolos técnicos e legais voltados à preservação da integridade das pessoas, à prevenção de riscos e à proteção institucional”, reiterando compromissos com “a legalidade, a transparência e o respeito às instituições democráticas”.
Redação Blog Dellas Foto: arquivo/diovulgação
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