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Outubro destaca importância do diagnóstico do TDAH em crianças e adultos

psicopedagoga
A psicopedagoga Cintia Cardoso diz que dificuldades de concentração, impulsividade e desorganização podem acompanhar o indivíduo ao longo da vida; identificar os sinais é fundamental para buscar acompanhamento adequado

O mês de outubro é uma oportunidade para ampliar a conscientização sobre o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), condição do neurodesenvolvimento que pode afetar crianças, adolescentes e adultos. Apesar de ser frequentemente associado à infância, o transtorno também pode permanecer na vida adulta, trazendo desafios para a rotina, os relacionamentos e o desempenho profissional.

Entre as características mais comuns estão a dificuldade de manter a atenção, a desorganização, o esquecimento frequente, a impulsividade e, em alguns casos, a hiperatividade. Os sinais variam de pessoa para pessoa e podem se manifestar de diferentes formas ao longo da vida. Em adultos, por exemplo, a inquietação pode ser menos evidente, enquanto as dificuldades de planejamento, gerenciamento do tempo e cumprimento de tarefas se tornam mais perceptíveis.

De acordo com Cinthia Cardoso, psicopedagoga e analista de comportamento da clínica Nuno Desenvolvimento, reconhecer essas manifestações é um passo importante para que a pessoa procure ajuda. “Muitos adultos convivem durante anos com dificuldades de atenção, organização e controle da impulsividade sem saber que esses sinais podem estar relacionados ao TDAH. Por isso, é importante buscar informação e uma avaliação especializada, em vez de atribuir essas dificuldades à falta de esforço ou de disciplina”, explica.

Outro aspecto que merece atenção é a presença de condições associadas ao transtorno, chamadas de comorbidades. Ansiedade, depressão e dificuldades de aprendizagem, por exemplo, podem ocorrer junto ao TDAH e tornar o diagnóstico mais complexo. Em algumas situações, os sintomas de uma condição podem se sobrepor aos de outra, exigindo uma investigação cuidadosa para compreender as necessidades de cada indivíduo.

“O diagnóstico precisa considerar a história de vida da pessoa, os sintomas apresentados e os impactos que eles provocam no dia a dia. Quando existem outras condições associadas, é ainda mais importante realizar uma avaliação criteriosa para definir as melhores estratégias de acompanhamento”, destaca Cinthia.

Diagnóstico e tratamento em cada fase da vida

A identificação do TDAH pode acontecer ainda na infância, quando pais e professores percebem dificuldades persistentes de atenção, comportamento ou aprendizagem. Já na vida adulta, muitas pessoas chegam à avaliação após anos de dificuldades no trabalho, nos estudos ou na organização das atividades cotidianas. Nesses casos, investigar o histórico desde a infância também é importante para o processo diagnóstico.

A orientação é procurar um profissional de saúde habilitado para avaliar os sintomas e, quando necessário, encaminhar para uma equipe multidisciplinar. O acompanhamento pode envolver médicos, psicólogos, psicopedagogos e outros profissionais, conforme as necessidades identificadas. O tratamento é individualizado e pode incluir psicoterapia, estratégias comportamentais, adaptações na rotina e, quando indicado por um médico, medicação.

“Não existe uma abordagem única que funcione para todas as pessoas. Crianças e adultos precisam de um plano de acompanhamento adequado às suas dificuldades e potencialidades. Quanto mais cedo houver compreensão dos sinais e acesso ao suporte necessário, maiores serão as possibilidades de desenvolver estratégias para lidar com os desafios”, ressalta a especialista.

Informação e acesso ao suporte

Embora o TDAH seja reconhecido como uma condição do neurodesenvolvimento, ainda existem dúvidas sobre os direitos e as formas de apoio disponíveis. No Brasil, há legislação relacionada à identificação e ao acompanhamento de pessoas com TDAH, como a Lei nº 14.254/2021, que prevê acompanhamento integral para educandos com dislexia, TDAH ou outros transtornos de aprendizagem. Isso não significa, porém, que exista uma proteção legal única e automática para todas as situações: os direitos dependem do contexto e das normas aplicáveis.

Ampliar o acesso à informação é essencial para combater o preconceito e incentivar a busca por avaliação profissional. Pessoas que identificam possíveis sintomas em si mesmas ou nos filhos devem evitar o autodiagnóstico e procurar orientação especializada. O reconhecimento das dificuldades é o primeiro passo para compreender o que está acontecendo e encontrar formas de melhorar a qualidade de vida.

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