Mensagens de Vorcaro citam pagamentos de R$ 100 mil a empresa de Carlos Costa, vice de João Campos, por consultoria, diz revista
Em nota ao Jornal do Commercio, Silvio Costa, pai de Carlos, diz que contrato previa consultoria sobre reforma tributária e projetos de lei
Por Mariana de Sousa do JC
O candidato a vice-governador de Pernambuco na chapa de João Campos (PSB), Carlos Costa (Republicanos), foi citado em mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e seu advogado, Luiz Rennó. O conteúdo foi revelado em reportagem publicada pela revista Veja nesta quarta-feira (30).
Segundo a publicação, as conversas, que integram um relatório de investigação da Polícia Federal sobre o caso Master, ocorreram em fevereiro de 2025 e tratam da manutenção de um pagamento mensal de R$ 100 mil relacionado a Carlos Costa.
De acordo com a revista, nas mensagens, Rennó questiona Vorcaro sobre um contrato que havia vencido. O advogado afirma que Carlos Costa recebia R$ 100 mil por mês para fazer acompanhamento de projetos de lei e legislação. Na sequência, menciona uma suposta ligação com o então ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, irmão de Carlos.
Vorcaro responde, segundo a Veja, que o pagamento não deveria ser interrompido. “Ah, sim. Pode cortar não”.
O diálogo, diz a Veja, ocorreu no mesmo período em que os dois conversavam sobre articulações políticas em Brasília e mencionavam os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Contrato com a RI Consulting
De acordo com a reportagem, os pagamentos estavam relacionados a um contrato entre o Banco Master e a RI Consulting, empresa que tem entre os sócios o ex-deputado federal Silvio Costa, pai de Carlos.
Carlos Costa aparecia como administrador da empresa até março de 2026, quando deixou a função para integrar a chapa de João Campos na disputa pelo Governo de Pernambuco.
Dados apresentados anteriormente no âmbito da CPI do Crime Organizado apontaram que a RI Consulting havia recebido pelo menos R$ 1,1 milhão do Banco Master. A Veja afirma que o valor poderia chegar a R$ 2 milhões, segundo estimativa apresentada à comissão.
Silvio Costa contesta relação com investigações
Procurado pelo Jornal do Commercio, Carlos Costa, segundo assessoria, não deverá se pronunciar sobre o caso, com o posicionamento sendo feito pela somente pela RI Consulting.
Em nota enviada ao JC, Silvio Costa afirmou que empresa presta serviços de consultoria política e empresarial para associações e federações do setor produtivo.
Segundo o ex-deputado, o contrato com o Banco Master teve como finalidade acompanhar a tramitação da reforma tributária no Congresso Nacional, além de projetos de lei em estados e municípios.
Silvio Costa também afirmou que a empresa não participou de reuniões com o Banco Central, o Banco de Brasília (BRB) ou outras instituições mencionadas nas investigações sobre o Master.
Ainda de acordo com ele, durante a vigência do contrato, a consultoria encaminhava relatórios mensais sobre os serviços prestados e registrava em atas notariais os contatos mantidos com diretores do banco. A nota também informa que o contrato com o Master já foi encerrado.
A reportagem da Veja afirma ter procurou a campanha de João Campos, que informou que o assunto seria tratado por Carlos Costa.
Redação com texto de Mariana de Souza do JC Foto:Edson Holanda/Frente Popular de Pernambuco
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