Marília Arraes diz que Lula discutiu apoio de Raquel Lyra e ajustes para o 2º turno
Senadora eleita participou de reunião com Lula e defendeu diálogo com Raquel Lyra e articulação da bancada de Pernambuco pela reeleição do presidente
Por Ryann Albuquerque do JC
A senadora eleita Marília Arraes (PDT) afirmou nesta terça-feira (6) que a reunião do presidente Lula (PT) com candidatos majoritários e aliados, em Brasília, discutiu estratégias para tentar reverter o resultado do primeiro turno da eleição presidencial.
Entre os pontos tratados, segundo ela, estão mudanças na comunicação da campanha, a busca por eleitores que não têm posição bolsonarista consolidada e a aproximação com lideranças políticas como a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD).
Marília deu as declarações em entrevista ao Passando a Limpo, da Rádio Jornal, um dia depois de participar do encontro com Lula.
O presidente reuniu candidatos que disputaram governos estaduais e o Senado para avaliar o resultado das urnas e definir os próximos passos da campanha no segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL), que terminou a primeira etapa na frente, com 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% de Lula.
Relação com Raquel
Em Pernambuco, Raquel Lyra foi reeleita governadora com 53,27% dos votos válidos, derrotando João Campos (PSB), candidato apoiado por Lula, que teve 44,82%.
Ao mesmo tempo, os dois candidatos ao Senado que integravam a chapa de João Campos foram eleitos: Humberto Costa (PT) e Marília Arraes. Nenhum dos nomes apoiados por Raquel para o Senado, Túlio Gadêlha (PSD) e Eduardo da Fonte (PP), conquistou uma das duas vagas.
Marília afirmou que a reunião com Lula contou com candidatos majoritários independentemente de terem sido eleitos ou não e serviu para que cada um apresentasse avaliações sobre o segundo turno.
A senadora eleita disse que Raquel Lyra foi citada na reunião como uma das lideranças cujo apoio deverá ser buscado.
Para Marília, a campanha precisa dialogar com políticos que não tenham uma posição declaradamente bolsonarista e ampliar a margem de Lula em estados onde isso seja possível. Ela também defendeu uma comunicação mais voltada aos jovens e a tentativa de furar as chamadas “bolhas” dos algoritmos.
A aproximação com Raquel ganha um componente adicional diante do resultado da disputa estadual. Marília concorreu ao Senado na chapa encabeçada por João Campos, adversário de Raquel na eleição para o governo, mas afirmou que pretende deixar as diferenças eleitorais de lado na relação institucional com a governadora.
A senadora eleita confirmou que telefonou para Raquel após a eleição para parabenizá-la pela vitória e se colocar à disposição para atuar em Brasília em favor de Pernambuco. “Quem não pode pagar a conta de nenhuma desavença política é o povo de Pernambuco”, afirmou Marília.
Ela disse que pretende trabalhar pela atração de recursos, infraestrutura e articulação política independentemente de quem esteja no comando do Palácio do Campo das Princesas.
Também afirmou ser favorável a que a bancada de senadores dialogue com Raquel para tentar convencê-la a apoiar Lula no segundo turno.
Grupo permanente por Pernambuco
Na entrevista, Marília também defendeu a criação de um grupo permanente de trabalho reunindo senadores, deputados federais e o governo de Pernambuco. A proposta é manter uma articulação contínua sobre as demandas do Estado, em vez de reunir a bancada apenas diante de crises ou disputas pontuais.
Segundo a futura senadora, o grupo poderia discutir a destinação de emendas de bancada, a articulação de recursos federais e projetos estruturantes para Pernambuco.
Ela citou como exemplo a necessidade de evitar que temas como a Ferrovia Transnordestina voltem a ser tratados apenas quando houver uma crise política.
Marília afirmou que pretende iniciar a articulação ainda nesta semana e entrar em contato com todos os deputados federais, senadores e com Raquel Lyra. “A gente tem que buscar nossa convergência”, afirmou.
STF entra no debate do segundo turno
A reunião de Lula também foi marcada por declarações do presidente sobre o Supremo Tribunal Federal (STF). Na segunda-feira (5), ao avaliar o resultado do primeiro turno, Lula afirmou que sua campanha estaria carregando “a promiscuidade” que, segundo ele, se estabeleceu na Suprema Corte e defendeu uma nova reforma do Judiciário, incluindo uma discussão sobre os critérios de escolha e o mandato dos ministros do STF.
Na entrevista à Rádio Jornal, porém, Marília não apresentou a criação de um grupo específico para tratar do STF ou dos ministros da Corte. O grupo permanente defendido por ela é voltado à articulação política e institucional em defesa de Pernambuco, com participação da bancada federal e do governo estadual.
No Senado, Marília afirmou ainda que pretende atuar pelo diálogo e pela formação de blocos, apesar de o PDT ter elegido apenas ela para a Casa. A futura senadora disse que pretende buscar acordos para aprovar pautas de interesse da população e citou como exemplos o fim da escala 6×1 e o combate às bets.
Redação com texto de Ryann Albuqurque do JC Foto: Artur Borba/JC Imagem
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Um comentário
Antônio Neto
Se ela aceitar, eu peço devolução de meu voto e nunca mais votarei nela.