Ivan Moraes critica João Campos, cobra Raquel por apoio a Lula e defende tarifa zero na sabatina do SJCC

Candidato do PSOL também confirmou tentativa de retirada de sua candidatura e defendeu revisão de incentivos fiscais e plano estadual da cannabis
Ao explicar a decisão de disputar o Executivo depois de dois mandatos como vereador do Recife, Ivan associou a candidatura à trajetória de cerca de 30 anos em movimentos sociais e organizações de defesa dos direitos humanos.
Questionado sobre as diferenças para João Campos, Ivan disse que seria “mais fácil” apontar o que aproxima os dois, citando o apoio à reeleição de Lula. Em seguida, contrapôs sua origem em uma família de classe média e a militância nos movimentos sociais à trajetória política familiar do socialista.
“Eu conheço Pernambuco de baixo para cima. Ele desde criança está na política, desde criança foi para lugares sendo filho do governador, sendo filho do deputado, sendo filho do ministro”, disse.
Ivan classificou João e Raquel como representantes de um campo político de centro e sustentou que os dois apresentam projetos semelhantes para o Estado. A ideia voltou a aparecer no encerramento da sabatina, quando resumiu a tentativa de se colocar como uma terceira opção na disputa.
“Pernambuco não precisa escolher entre seis e meia dúzia”, afirmou.
Tarifa zero
Na sabatina, Ivan detalhou como pretende financiar a tarifa zero. Segundo ele, o sistema metropolitano de ônibus custa cerca de R$ 1,1 bilhão a R$ 1,2 bilhão por ano e já recebe entre R$ 350 milhões e R$ 400 milhões anuais em subsídios estaduais.
O candidato defendeu a criação de um fundo abastecido por contribuições de empresas com dez ou mais trabalhadores celetistas. O valor por funcionário seria progressivo, com cobrança maior para empresas de maior porte.
“Fazendo a conta, você consegue obter desse fundo mais do que a gente precisa para manter o sistema funcionando”, afirmou.
Ivan reconheceu que a gratuidade provocaria aumento da demanda e disse que seria necessário ampliar a oferta e reduzir custos, incluindo a adoção de ônibus elétricos e outras fontes de energia.
Compesa, Metrô do Recife e Arena
Ivan adotou posição contrária à transferência para a iniciativa privada de serviços que considera direitos básicos.
Sobre o Metrô do Recife, criticou tanto João quanto Raquel pelo apoio à concessão e discordou também da estratégia do governo Lula de prever investimentos federais após a transferência da operação.
“Se o governo federal tem R$ 4 bilhões para botar no metrô, tem que botar agora, enquanto o metrô é público”, afirmou.
Em relação à Compesa, Ivan disse que pretende buscar a reversão da concessão, embora tenha reconhecido que precisará respeitar os contratos firmados.
“Eu não vou sair por aí rasgando contratos […], mas vou entender as formas de reverter isso, sim, porque é possível”, disse.
A posição não se estende a todos os ativos públicos. Ivan defendeu a venda da Arena Pernambuco à iniciativa privada.
“Para mim, é uma placa de vende-se na Arena Pernambuco, bem grande. Se o mercado quer a Arena Pernambuco, compra. Agora compra o lucro e compra o prejuízo”, declarou.
Economia, meio ambiente e plano estadual da cananbis
Na economia, o candidato defendeu a revisão dos incentivos fiscais concedidos pelo Estado, com auditorias para verificar as contrapartidas das empresas, e maior utilização das compras públicas para estimular produtores locais, agricultura familiar e cooperativas.
Ivan também detalhou a proposta de criação de um plano estadual da cannabis, que prevê estimular a produção da planta por agricultores familiares, assentamentos e comunidades indígenas e quilombolas, em articulação com o Estado e o laboratório público estadual.
“Se o Estado cria condições para que arranjos produtivos locais, como indígenas, quilombolas e assentamentos da reforma agrária, possam produzir essa planta a partir de convênios com o próprio Estado e com o nosso laboratório público, gerando remédio, emprego e renda, a gente vai estar garantindo não apenas que esses agricultores e agricultoras sejam bem recompensados pelo seu trabalho, mas a gente vai fazer remédios que são muito caros chegarem em quem precisa”, afirmou.
O candidato também vinculou desenvolvimento econômico à preservação ambiental, defendendo investimentos em reciclagem e compostagem e o fortalecimento do que chamou de “economia verde”.
Ivan criticou João Campos e Raquel Lyra pelo apoio à instalação da Escola de Sargentos do Exército em área de Mata Atlântica e defendeu transformar a preservação da Caatinga em ativo econômico.
Educação e segurança
Na educação, Ivan questionou indicadores de desempenho do ensino médio estadual e afirmou ter recebido relatos de professores sobre pressão para evitar reprovações por causa de bonificações pagas às escolas.
Para o candidato, o Estado também deve apoiar os municípios na melhoria do ensino fundamental e reformular o ensino médio para aumentar o interesse dos estudantes.
“A gente tem que construir uma escola que debata a sociedade e que anime a nossa juventude a participar desse discurso”, afirmou.
Na segurança, Ivan defendeu ampliar o uso de armas menos letais pelas polícias, sem retirar o armamento convencional, e priorizar inteligência e investigação no combate ao crime organizado.
Ivan também criticou o emprego de policiais recém-formados em determinadas áreas e afirmou que o enfrentamento ao crime organizado deve atingir lideranças, estruturas financeiras e lavagem de dinheiro.
“Eu não falo de desarmar a nossa polícia. Eu falo de fazer com que eles possam ter alternativa de utilizar cada vez mais equipamentos menos letais quando existe essa necessidade”, disse.
Lula, Raquel e João
Ivan cobrou de Raquel uma declaração pública de apoio a Lula e acusou a governadora de fazer “cálculo eleitoral” para preservar votos ligados ao bolsonarismo. Também afirmou que a relação com o governo federal depende mais da apresentação de projetos do que de proximidade pessoal com o presidente.
“Para captar recurso do governo do presidente Lula, basta você ter competência, basta você ter projeto”, disse.
O candidato ainda confirmou que houve uma articulação para tentar retirar sua candidatura ao Governo do Estado. Ivan criticou a resposta dada por João Campos na sabatina do SJCC da segunda-feira (17), quando o socialista afirmou respeitar a autonomia dos partidos.
“Ele fala: ‘eu respeito todas as candidaturas’, mas não diz ‘não fiz’, não diz ‘não pedi’”, afirmou Ivan, que disse, porém, querer deixar o episódio para trás e concentrar a campanha nas propostas.
Redação com texto de Pedro Beija doJC Foto: reprodução
e-mail: redacao@blogdellas.com.br


