PF já sabia de tudo. Por isso Mendonça não aceitou delação seleta de Vorcaro

“Verdadeira bomba atômica” resume a jornalista Malu Gaspar
Quando o ministro André Mendonça, do STF, recusou por duas vezes proposta de delação do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, as recusas foram atribuídas a exigências demais de Mendonça que nenhum advogado – já se foram três – contratado pelo banqueiro, conseguiu atender. Esta terça-feira, no entanto, ficou claro que não era bem isso. O ministro já sabia, através das investigações da Polícia Federal, que tudo ou quase tudo já estava comprovado e que Vorcaro teria muito pouca coisa a dizer.
Finalmente esta segunda-feira o ministro quebrou o sigilo do relatório da PF sobre o Banco Master e o relacionamento de Vorcaro com o ministro Alexandre de Moraes e o que está sendo revelado pela imprensa, como resumiu a jornalista Malu Gastar, a primeira a divulgar parte das investigações da PF, “é uma verdadeira bomba atômica”.
Com detalhes, descobriu-se agora que Vorcaro até chegou a se aconselhar com o ministro sobre o momento para deixar o país ( foi preso no Aeroporto antes de embarcar). Chegou a dizer que precisava da proteção de Andrei ( diretor-geral da PF) e de Gonet ( procurador-geral da República) e deixou ainda mais claro o pagamento que fez à esposa de Moraes por serviços prestados no valor de R$ 129 milhões, em prestações mensais de R$ 3,6 milhões. Também teria liberado cartões de crédito de R$ 300 mil para os filhos do ministro. Além disso, Moraes ajudou a elaborar o contrato milionário da esposa com o banqueiro.
Antes de quebrar o sigilo, Mendonça conversou com o presidente do STF Edson Fachin no domingo e esta terça solicitou a Fachin uma reunião pública do pleno do tribunal sobre a abertura de processo de investigação sobre a conduta do ministro. Alexandre de Moraes teve uma discussão dura com Mendonça esta terça-feira e por pouco não foram às vias de fato. Os seguranças do STF conseguiram contê-los.
Enquanto isso, a indignação tomou conta do país como foi retratado nas redes sociais. Políticos, empresários, profissionais liberais e outras categorias além da própria imprensa estão se pronunciando sobre a necessidade de afastamento do ministro que poderá levar consigo outro membro da corte, o ministro Dias Toffoli, o primeiro que foi descoberto em relações pouco republicanas com o banqueiro, ao ponto de ter se considerado impedido de julgar o caso.
Na noite desta terça, o procurador Paulo Gonet, citado no relatório da PF, pronunciou-se pela nulidade do relatório dizendo que o ministro André Mendonça deveria primeiro ouvir o pleno do STF para poder solicitar o relatório. A celeuma vai continuar com próximos capítulos.
Toffoli recua
Ao ver que o colega Alexandre de Moraes corre o risco de ser afastado do STF após a divulgação do relatório da PF sobre o escândalo do Banco Master, o ministro Dias Toffoli, que também está envolvido no esquema, recuou em 100% da medida adotada no dia anterior e refutada por juristas de todo o país, na qual cassou o direito do candidato a presidente Renan Santos, do partido Missão, de receber recursos do Fundo Eleitoral, continuar fazendo campanha pela Internet e participar de debates. A alegação foi de ordem burocrática. Disse que o candidato não teria informado à Justiça Eleitoral o endereço de alguns perfis na Internet que pretende usar para divulgar conteúdos. O que poderia ser resolvido através de um ofício foi tratado por Toffoli como uma cassação.
O que pode acontecer com Moraes
Para iniciar investigação sobre um ministro do Supremo é preciso que o pleno do tribunal, composto por todos os ministros, dê autorização. Por isso Mendonça fez a solicitação a Fachin. O STF é composto por 11 ministros, mas um cargo está vago de forma que são 10 mas só 8 participariam da sessão, caso ela seja convocada, para discutir sobre o caso Moraes. O próprio provável investigado e Toffoli, também envolvido com o Master. No entanto, só o Senado pode decretar impeachment de ministros do STF de forma que, se o pleno autorizar o procedimento, vai ser necessário que o Senado se pronuncie aprovando ou não o afastamento. Muitas pessoas já estão se pronunciando aconselhando Moraes a renunciar.

Vamos assistir a renúncia de Moraes ou o seu impeachment?
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