Nova fase da campanha: Raquel e João estão impedidos de participar da inauguração de obras

A partir deste sábado, a governadora Raquel Lyra e o ex-prefeito João Campos não podem mais participar de inauguração de obras, limitando suas atividades de pré-campanha a encontros fechados com lideranças. O advogado Emílio Duarte, especialista em direito eleitoral, diz que a lei 9.504 de 1997, conhecida como a Lei das Eleições, estabelece em seu artigo 77 que “é proibido a qualquer candidato comparecer nos três meses que precedem o pleito, a inaugurações de obras públicas”. E que “a inobservância do disposto neste artigo sujeita o infrator à cassação do registro ou do diploma” (no caso do diploma, se a condenação ocorrer após a diplomação dos eleitos).
Embora o prejuízo maior desta proibição recaia sobre a governadora Raquel Lyra que não teve tempo de inaugurar tudo que pretendia ou que vai concluir até a eleição no mês de outubro, ela também atinge João Campos que não pode acompanhar inaugurações no Recife ou em outros municípios nos quais estava aproveitando as inaugurações de obras federais, como aconteceu esta sexta-feira com o Hospital do Amor Dona Lindu, de Garanhuns, para reforçar sua ligação com o presidente Lula, o que era reverberado pelos seus candidatos ao Senado, Humberto Costa e Marília Arraes.
Emílio é claro ao explicar que “só a presença de um candidato em local de inauguração, mesmo sem se pronunciar ou mesmo ser citado, pode levar à cassação”. Nos últimos dias a governadora se dedicou o dia inteiro e as noites a uma verdadeira maratona entre o sertão e o litoral para entregar tudo que fosse necessário e dar ordens de serviço. Aproveitou até esta sexta à noite para um encontro no Palácio com prefeitos e deputados com o objetivo de assinar convênios com municípios e se comprometer a liberar emendas parlamentares.
O ex-prefeito João Campos não fez por menos, transformando a inauguração do Hospital de Garanhuns em um grande evento durante o qual recebeu um telefonema do presidente Lula e o postou nas redes sociais. Lula não esteve na inauguração como havia sido anunciado porque está evitando vir a Pernambuco para não correr o risco de perder votos casados com a governadora Raquel Lyra. Só tem aparecido por vídeo.
Reflexos na campanha
Foram as entregas feitas nos últimos meses que levaram a governadora Raquel Lyra a ter ganho de popularidade e ultrapassar João Campos nas pesquisas. Da mesma forma o ex-prefeito, que perdeu a condição de fazer entregas – precisou se afastar do cargo no início de abril para poder concorrer ao cargo de governador – atravessou um tempo de baixa em sua popularidade. Agora os dois pré-candidatos vão precisar colocar em campo novas estratégias para não deixar cair o ritmo da pré-campanha. Certamente que uma estratégia vai se dar nas redes sociais onde Raquel tem trabalhado como mais desenvoltura, embora João também seja bom de internet. É pagar pra ver.
Os votos de Humberto
Há uma grande expectativa no meio político sobre o que a governadora vai fazer após a montagem de sua chapa diante da desenvoltura do senador Humberto Costa que conseguiu costurar apoio de prefeitos governistas, ganhando envergadura para garantir a sua reeleição. Até o momento ela se mostrou distante do assunto mas não se sabe se, no desenrolar da campanha e a pressão dos seus candidatos ao Senado, a postura será a mesma. No mesmo sentido Humberto não tem se manifestado contrário aos deputados estaduais do PT que estão dispostos a continuar apoiando a governadora. Por enquanto os dois estão no ritmo do lá e lô.

Quais as surpresas que Raquel Lyra e João Campos guardam para a fase de pré-campanha até as convenções marcadas para o dia 02 de agosto?
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