Na esteira da crise do STF, Flávio Bolsonaro liga Lula a Alexandre de Moraes e Dino

“Quem está votando em Lula, está votando em Alexandre de Moraes e em Flávio Dino”- afirmou o candidato a presidente do PL, Flávio Bolsonaro, em comício no Recife Antigo esta quarta-feira um dia depois da reunião do STF que não concluiu a votação sobre abertura de inquérito contra o ministro Alexandre de Moraes pelo envolvimento com Daniel Vorcaro e o Banco Master. Ele deixou claro que vai explorar a crise do Supremo nesta fase final da campanha eleitoral quando disse “ não se pode admitir que um ex-ministro de Lula queira livrar Alexandre de Moraes” e comandou um coro acompanhado pela multidão presente de “Fora Lula, fora Alexandre e fora Dino”.
Ele prometeu, no entanto, “proteger as instituições”, acrescentando que o Supremo não pode ser confundido com o posicionamento de alguns ministros, embora tenha citado, mais uma vez, a palavra “nojo” quando se referia ao pronunciamento de Dino. Em seguida comprometeu-se a indicar cinco ministros do STF – incluindo a vaga de Alexandre de Moraes – com “homens e mulheres que sejam contra o aborto, as drogas, que respeitem as instituições e não respondam a um governo de plantão”.
Houve um momento em que o candidato comandou uma manifestação de euforia dos presentes que o saudaram como “mito, mito”, afirmando, “eu não sou mito, sou filho de um mito. Meu pai está preso e não pode se candidatar mas ele vai colocar a faixa de presidente neste seu filho que está aqui”.
-“ Me chamam de radical mas eu sou radical contra o crime organizado. A partir de janeiro vou declarar guerra ao Comando Vermelho e ao PCC, reduzir a maioridade penal e garantir aos jovens de 16 anos o direito a tirar carteira de motorista”. Disse que quem tem bolsa família pode ficar tranquilo, adiantando que “Bolsonaro foi quem mais elevou o bolsa família no país pagando R$ 600,00 mensais”. Também creditou ao pai a chegada de água para os nordestinos através da transposição ( na verdade Bolsonaro apenas concluiu um dos canais mas a obra é do presidente Lula) e acrescentou aproveitando a chuva que começava a cair: “meu pai trouxe água para o Nordeste e eu estou trazendo a chuva para vocês”.
Flávio recebeu um chapéu de palha de presente, experimentou-o mas logo tirou da cabeça. Durante sua fala exibiu um facão que lhe foi entregue pelo deputado estadual do PL Abimael Santos que se intitula “o deputado do facão”. Ele aproveitou que estava falando sobre o combate ao feminicídio e a redução da maioridade penal para falar que no seu Governo “os bandidos vão ser presos ou neutralizados pelas nossas polícias”.
Multidão menor que o esperado
Realizado em uma quarta-feira no final da tarde e em dia chuvoso o comício não juntou a multidão que era esperada embora houvesse entusiasmo entre os participantes, muitos deles jovens. O candidato, como prometera, começou uma caminhada no Marco Zero, onde os presentes se aglomeraram e junto de todos caminhou até o Paço Alfândega. Conseguiu unir a direita pernambucana ficando no palanque ao lado do presidente estadual do PL, Anderson Ferreira, e do ex-ministro Gilson Machado, ambos candidatos a deputado federal que mal se cumprimentam e estão em partidos diferentes. Além do próprio Flávio e de Mendonça Filho, candidato ao Senado, o discurso mais aplaudido foi do candidato a vice, o deputado federal alagoano Alfredo Gaspar.
Guerra pelo Senado na direita
O candidato ao Senado, Mendonça Filho, aproveitou a presença de muitos bolsonaristas no comício para declarar uma verdadeira guerra contra o deputado federal Eduardo da Fonte, também candidato e um dos nomes da chapa da governadora Raquel Lyra. Pediu que os direitistas e bolsonaristas votem nele e no candidato do Partido Novo, Carlos Sant’Anna presente no palco mas que não teve direito a fala. O argumento de Mendonça foi de que um voto em Eduardo da Fonte é contra ele – os dois ocupam espaços parecidos – e esclareceu que da Fonte não declara sua posição ideológica. Chegou a compará-lo a uma melancia – verde por fora e vermelho por dentro – e afirmou “quem não se diz se é de direita ou de esquerda é porque é de esquerda”.

Como vai terminar o embate entre Mendonça Filho e Eduardo da Fonte pelo voto dos conservadores?
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