Do burnout ao risco trabalhista: evento em Recife debate os impactos da nova NR-1, nesta terça-feira (29)
A saúde mental deixou de ser um tema restrito às áreas de recursos humanos e passou a integrar, de forma expressa, a gestão de riscos ocupacionais das empresas brasileiras. Desde 26 de maio de 2026, está em vigor a nova redação do capítulo 1.5 da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que incluiu os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). O assunto será debatido nesta terça-feira (29), às 14h, na sede da Escola Superior de Advocacia de Pernambuco (ESA-PE), em Recife, durante o evento “NR-1, Saúde Mental, Riscos Psicossociais, Prevenção e Responsabilidade Trabalhista”.
A dimensão do problema ajuda a explicar a importância do debate. Dados da Previdência Social mostram que foram concedidos 472.328 benefícios por transtornos mentais e comportamentais em 2024, número que representa um crescimento de aproximadamente 68% em relação ao ano anterior. Já dados preliminares referentes a 2025 apontam 546.254 benefícios nessa categoria. Entre os diagnósticos que mais geraram benefícios em 2025 estão os transtornos de ansiedade, com 166.489 concessões, e os episódios depressivos, com 126.608.
Para a especialista em Varejo Paula Valéria, a discussão chega em um momento em que empresas precisam compreender que saúde mental também está diretamente relacionada à gestão e à sustentabilidade dos negócios. “O varejo trabalha diariamente com pressão por resultados, metas, atendimento ao público e gestão de equipes. Por isso, discutir os riscos psicossociais significa olhar para uma realidade que já faz parte do cotidiano das empresas e que precisa ser tratada de maneira estruturada”, afirma. Ela destaca ainda que a prevenção pode representar uma mudança importante na forma como os negócios lidam com seus trabalhadores: “Não basta reagir quando o problema aparece. É preciso identificar os fatores que podem gerar adoecimento, preparar as lideranças e criar uma cultura de prevenção que faça parte da rotina da empresa”.
A programação reúne diferentes perspectivas sobre o tema. Entre as palestrantes está a advogada Daniela Mello, professora, conselheira estadual da OAB e vice-presidente da COMEC, que abordará estratégias para mitigar riscos trabalhistas e atender à legislação vigente. “A nova NR-1 coloca para as empresas uma responsabilidade que precisa ser encarada com planejamento. A identificação e o gerenciamento dos riscos psicossociais passam a fazer parte de uma agenda de prevenção que envolve aspectos jurídicos, organizacionais e humanos”, explica. Segundo Daniela, a adequação não deve ser vista apenas como uma obrigação documental: “A empresa precisa demonstrar que conhece os riscos existentes em sua realidade e que está adotando medidas para preveni-los. Isso exige diagnóstico, planejamento, registro das ações e acompanhamento contínuo”.
O encontro terá ainda a participação da psicóloga clínica Rafaela de Abreu, especialista em Neuropsicologia e Habilidades Sociais, que falará sobre o adoecimento humano no setor produtivo e o olhar da NR-1, e de Inácio Miranda Jr., diretor da KarneKeijo e presidente da Associação Pernambucana de Agentes de Distribuição (ASPA), que abordará os desafios do setor produtivo diante das novas exigências legislativas. A abertura contará com a presidente da OAB-PE, Ingrid Zanella, e o diretor-geral da ESA-PE, Carlos Barros. A iniciativa ocorre em sintonia com a agenda nacional de prevenção: para 2026, a campanha do Ministério do Trabalho tem como foco justamente a prevenção dos riscos psicossociais no trabalho.
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