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Debate ao Senado em PE tem embates sobre bets, alianças e maioridade penal

Na reta final da campanha, cinco dos seis candidatos convidados participaram do encontro da Grande Rio FM, em Petrolina

Por Ryann Albuquerque do JC
Na reta final do primeiro turno, cinco dos seis principais candidatos ao Senado por Pernambuco participaram do debate promovido pela Grande Rio FM, em Petrolina, no Sertão.
O encontro reuniu Humberto Costa (PT), Mendonça Filho (PL), Eduardo da Fonte (PP), Túlio Gadêlha (PSD) e Paulo Rubem (Rede) em uma série de confrontos que percorreram temas como bets, maioridade penal, STF, escala 6×1, energia de Itaparica e a Transnordestina. Marília Arraes (PDT) não compareceu, alegando conflito de agendas.
STF na mira: impeachment e reforma do Judiciário
A crise envolvendo os ministros do Supremo Tribunal Federal abriu o debate. A pergunta feita por comunicadores – se os candidatos votariam pelo impeachment de ministros e se defendem mandatos com prazo definido – provocou respostas distintas.

Humberto Costa (PT) afirmou que votaria a favor do impeachment, desde que houvesse provas e processo legal regular. “Se realmente for necessário, eu votarei. Não terei nenhuma dificuldade em fazer isso, desde que exista um processo legal, normal, desde que haja provas suficientes.”

O senador também defendeu uma reforma do Judiciário e disse que estará “na linha de frente” para aprová-la no Congresso. “Defendo que todos aqueles que tenham a dever sejam investigados.”

Mendonça Filho (PL) defendeu mandatos com prazo determinado para ministros do STF e o fortalecimento da independência entre os poderes. Túlio Gadêlha (PSD) disse ser a favor de mandatos para ministros, enquanto Eduardo da Fonte (PP) também defendeu a medida e afirmou apoiar o fortalecimento dos poderes.

Bets: o confronto mais acalorado

O embate mais intenso ocorreu entre Eduardo da Fonte (PP) e Mendonça Filho (PL), desta vez sobre as apostas esportivas online.

Eduardo questionou diretamente como Mendonça votaria no Senado sobre o tema e se posicionou contra as bets. “Eu já me posicionei contra as bets no Brasil e vejo o impacto que ela tem causado nas famílias brasileiras. O jogo hoje é um vício tão grande quanto o álcool e a bebida, devastando as famílias, devastando a economia, tirando emprego, tirando renda, tirando comida na mesa dos brasileiros.”

Mendonça citou projetos de sua autoria para impedir que beneficiários de programas sociais apostem pela internet e para restringir a publicidade do setor. Também criticou a presença de publicidade de bets em espaços públicos do Recife durante a gestão de João Campos (PSB). “Se você tem limitação de publicidade para cigarro, que faz mal à saúde, você tem limitação de bebida alcoólica, que também faz mal à saúde, você tem que fazer a mesma coisa, restringir.”

Eduardo cobrou uma resposta direta sobre votar pelo fim das apostas. “Mendonça, você não respondeu se vai votar a favor ou contra as bets. O presidente da República apresentou um projeto que acaba com as bets. Eu no Senado, vou votar para acabar com as bets, porque defendo os princípios cristãos, o fortalecimento da família, da vida, das igrejas. É importante você deixar claro se você gosta tanto de jogar posições para deixar contradições.”

Na tréplica, Mendonça confirmou que votaria pelo fim do jogo se uma proposta fosse apresentada — mas devolveu a provocação deslocando o embate para o campo das alianças. “Quem gosta de jogar é você, Eduardo. Você foi negociar com o João Campos no início desse ano. Tentou negociar. Como não recebeu o sinal positivo de João Campos, voltou para a Raquel. Todo mundo acompanhou. Você rompeu e depois voltou.”

Mendonça é aliado da governadora, mas ficou fora da composição para o Senado, que ficou com Túlio Gadêlha (PSD) e Eduardo da Fonte. A composição final manteve Eduardo ao lado de Raquel após conversas com o grupo de João Campos. “Quem tem que se posicionar publicamente sobre esse jogo entre João Campos e Raquel é você, Eduardo.”

Fim da escala 6×1

A escala 6×1 também entrou na pauta. Túlio Gadêlha (PSD) foi questionado sobre qual modelo defenderia para o fim da jornada sem onerar pequenos negócios.

“Eu não só votaria a favor do fim da escala 6×1, como votei a favor na Câmara e conseguimos maioria para aprovar esse projeto para o Senado.”

Túlio citou dados do INSS: 546 mil trabalhadores foram afastados em um ano por jornadas exaustivas, estresse e assédio. E rebateu os argumentos dos empresários com estudos europeus.

“A conta que alguns empresários fazem é uma conta errada, porque o trabalhador não é uma máquina. Quando ele trabalha quatro horas a menos na semana, não quer dizer que ele vai produzir menos. Foi isso que mostraram os estudos comprovados em Portugal, na Inglaterra, na Suíça, na França.”

Maioridade penal opõe Mendonça e Túlio

O confronto entre Mendonça e Túlio se repetiu no tema segurança pública. Mendonça perguntou se Túlio apoiaria a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em crimes violentos como homicídio e estupro, e o fim da progressão de pena nesses casos.

Túlio foi direto na recusa. “Eu não sou punitivista. Eu faço política com ciência. Em nenhum lugar no mundo aumentar penas reduziu a violência ou os crimes. A solução é investir em educação, primeira infância, oportunidade, inteligência, equipamento, polícia.”

Mendonça defendeu uma punição diferenciada para adolescentes que cometem crimes violentos. “Um adolescente de 16, 17 anos que comete um crime violento não pode passar três anos num sistema socioeducativo e sair. Ele tem que ter uma unidade específica, uma prisão específica para ele cumprir a pena integral pelo crime violento que ele praticou.”

Túlio questionou a viabilidade e perguntou em quais países a redução da maioridade penal teria resultado em menos violência. Mendonça não respondeu à questão diretamente.

Bivar como suplente de Humberto

A composição das chapas voltou ao debate quando Túlio questionou Humberto sobre Luciano Bivar (MDB), ex-presidente do PSL – partido que lançou Bolsonaro –, como seu primeiro suplente.

Humberto explicou que Bivar migrou ao MDB e que sua indicação resultou de entendimento com o governo federal. “Conversei com o presidente Lula quanto a essa demanda que havia por parte do MDB. Ao longo desses anos, ele acompanhou o governo Lula nas votações mais importantes. Fazia parte da base de sustentação.”

O senador devolveu a crítica: Túlio está no PSD, cujo pré-candidato à presidência é Ronaldo Caiado, que Humberto chamou de “fascista conhecido no Brasil de longa data”.

Túlio respondeu que não apoia Caiado e que ingressou no PSD com o aval da direção nacional, em apoio ao presidente Lula. E manteve a preocupação com a suplência de Bivar.

“Humberto faz um mandato excelente, mas se ele precisar se afastar, o senador de Pernambuco será Luciano Bivar. Essa é a minha preocupação.”

Energia de Itaparica e Transnordestina
Paulo Rubem (Rede) defendeu a criação de um fundo de equalização para separar a tarifa de energia cobrada nos grandes projetos de agronegócio da cobrada nos assentamentos da reforma agrária no entorno de Itaparica, criticando o que chamou de “extorsão da Neoenergia” contra pequenos agricultores.

Mendonça disse conhecer os projetos desde quando era secretário de Agricultura e afirmou que apoiaria subsídios para pequenos produtores, mas rejeitou o que classificou como uma postura “preconceituosa” contra grandes e médios agricultores.

Sobre a Transnordestina, Túlio questionou Paulo Rubem sobre a paralisação do trecho pernambucano durante o governo Paulo Câmara (PSB). Paulo Rubem prometeu atuar pela retomada das obras como senador. Humberto Costa atribuiu a paralisação aos governos Temer e Bolsonaro e defendeu a participação da Petrobras no projeto.

Redação com textode Ryann Albuquerque do JC
e-mail: redacao@blogdellas.com.br
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