De problema a solução, Eduardo da Fonte ganha cada vez mais espaço junto de Raquel
Eduardo da Fonte tem sido peça frequente em todas as agendas da governadora. Seja de carro ou em avião, os dois andam juntos acompanhados de Túlio
Por TEREZINHA NUNES do BlogDellas Especial para o JC
Com uma carreira política iniciada há 20 anos, toda ela voltada para mandatos parlamentares – nunca disputou eleição majoritária – o deputado federal Eduardo da Fonte constituiu um grupo de prefeitos, deputados e vereadores fiéis à sua orientação que nenhuma outra liderança pernambucana de sua envergadura conseguiu formar. Em 2022, ele atingiu seu ápice quando conseguiu eleger-se e ao filho Lula da Fonte como deputados federais em uma bancada de quatro federais do seu partido, o PP, e 8 deputados estaduais e em 2024 ajudou a legenda a sair das urnas com 30 prefeitos. Na janela partidária deste ano, elevou a bancada estadual do PP para 10 deputados.
Eleita em 2022 com uma bancada de apenas 3 deputados estaduais do PSDB, seu partido na época, e enfrentando, desde o início do seu mandato, forte resistência do PSB que transformou a Alepe numa fronteira de oposição à sua liderança, a governadora Raquel Lyra teve no PP um sustentáculo para enfrentar uma resistência oposicionista que chegou a tentar, inclusive, decretar o seu impeachment.
Idas e vindas
Mas, apesar de uma fidelidade canina do PP a seu Governo, o relacionamento da governadora com Eduardo da Fonte nunca foi dos melhores. Para manter sua base partidária, ele precisou reivindicar cada vez mais espaços na máquina pública, coisa que ela não era acostumada a fazer, e os desentendimentos nesse campo terminaram por conduzir os dois a enfrentamentos que desaguaram em um mar de incertezas em 2025, quando João Campos começou a se preparar para ser candidato ao Governo e Eduardo foi visto pelo menos duas vezes conversando com ele, o que irritou a governadora.
O restante da história todos já conhecem. Precisando do apoio da Federação União Progressista, formada pelo PP e União Brasil, conduzida no estado por Eduardo e tendo como vice Miguel Coelho, do qual se reaproximou, a governadora tentou fazer de Miguel o seu candidato ao Senado pela Federação, quando Eduardo reivindicava o mesmo espaço e acabou tendo que aceitá-lo nas vésperas da Convenção, levando o grupo Coelho a sequer comparecer ao ato que reuniu uma multidão no centro do Recife.
A volta por cima
No palanque da Convenção da governadora, ainda era visível o distanciamento entre ela e Eduardo, ao ponto de caber ao outro candidato ao Senado, deputado federal Túlio Gadelha, servir de pombo da paz para que os dois e mais Raquel e a vice Priscila Krause pudessem, enfim, levantar os braços de mãos dadas em sinal de união.
A partir daí, no entanto, as coisas começaram a mudar da água para o vinho. Quando ninguém esperava que fosse acabar tão cedo a rebelião do grupo Coelho, Eduardo conseguiu, com a ajuda do Palácio, uma solução para o impasse, convencendo Miguel a disputar mandato de federal junto com seu irmão que já é deputado, Fernando Filho, garantindo aos dois apoio de prefeitos importantes e fiéis à sua liderança.
Próximo e Túlio
Foi ainda peça importante no momento da escolha dos suplentes dele e de Túlio Gadelha: pediu a Miguel para indicar seu primeiro suplente, Carlos de Andrade Lima, o que agradou ainda mais o grupo Coelho, e aconselhou Túlio a voltar atrás de uma desistência da luta pelo Senado que gerou uma crise só resolvida de madrugada. Inexperiente, Túlio fraquejou se sentindo isolado por não ter apoio declarado até aquele momento de nenhum prefeito, e Eduardo o convenceu a permanecer.
Eduardo não gosta de falar do assunto – “ só estamos preocupados com o que vem pela frente, o que passou, passou” – afirmou ele a este blog, mas explicou que o que disse a Túlio vale para ele mesmo. “Tudo bem, eu estou com apoio de mais de 70 prefeitos e pretendo chegar aos 130 mas tanto eu quanto Túlio dependemos mesmo é do apoio da governadora. Ela está com alta popularidade, tem todas as condições de vencer a eleição e é imprescindível para chegarmos ao Senado. Eu quero é estar sempre do lado dela”- adianta.
Não à toa, ele tem sido peça frequente em todas as agendas da governadora. Seja de carro ou em avião, os dois andam juntos acompanhados de Túlio. Esta semana, um vídeo engraçado acabou na Internet quando a governadora, acompanhada dos dois, fazia vistoria a obras do Hospital Barão de Lucena e subiu em um guindaste. Aflito, Eduardo gritou: “cuidado gov, é perigoso”, e comentou com Túlio: “a gente precisa cuidar da gov, Túlio”.
Calmaria
Se antes da pacificação, Eduardo era recebido no Palácio com desconfiança, agora ele é acionado sempre que se faz necessário apagar algum incêndio na base, por menor que seja. Além disso, tem aberto espaços para a governadora em áreas antes ocupadas por João Campos. Esta semana, recebeu o apoio do prefeito de Ipojuca, Carlos Santana, do Republicanos de Sílvio Costa, para o Senado, e iniciou uma aproximação do mesmo com o Palácio.
Um assessor muito próximo da governadora afirma que o maior bem que ele proporcionou à base governista foi a conciliação da Federação. O secretário da Casa Civil, Túlio Vilaça, afirma que a experiência política de Eduardo também tem contribuído bastante na campanha: “ele tem ajudado muito. Desde que foi escolhido para o Senado, está cuidando de ampliar onde é possível o alcance de sua candidatura e também do grupo como um todo”.
Preenchendo lacuna
Para o deputado Antonio Moraes, “a visão e Eduardo é fundamental para o nosso campo. Faz política 24 horas e entende do mapa político do estado como poucos hoje em dia. A governadora tem muita gente boa ao seu redor mas de perfil técnico. Desde que ele se aproximou mais, que o ambiente político é outro. Nunca criou problema, nem mesmo quando Mendonça resolveu se candidatar ele reclamou. Encarou com naturalidade mesmo sabendo que é mais um concorrente. Hoje os dois estão até fazendo dobradinha no Sertão do São Francisco”.
Outro parlamentar, o deputado estadual Kaio Maniçoba, da cozinha de Eduardo, mas também muito próximo de Raquel – foi peça chave na construção do entendimento entre os dois – diz que Eduardo “tem todas as chances de ser o mais votado do estado para o Senado”. E explica porque : “além de ser um dos candidatos da governadora ele vai ser votado pela direita, pelo centro e por uma parte da esquerda e isso ajuda a Raquel que segue o mesmo caminho. Os dois vão estar cada vez mais próximos e alinhados”- adianta.
Na verdade, todo mundo político sabe que a governadora anda distante de relacionamento com o presidente da Alepe, Álvaro Porto, que virou oposição a seu governo mas, consultada por Eduardo, não se opôs a que ele recebesse apoio do deputado para o Senado. Para Kaio, este foi um dos maiores sinais de que os desentendimentos ficaram para trás.
Redação com texto de Terezinha Nunes especial para o JC Foto: reprodução
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