Consolidação de Raquel antes da propaganda eleitoral complica João Campos
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Pesquisa Quaest confirma liderança da governadora antes do horário eleitoral e amplia a dificuldade de reação do candidato socialista nesta fase.
Por Igor Maciel do JC
A eleição de Pernambuco mudou de lado e consolidou a liderança de Raquel Lyra (PSD) mesmo antes de chegar ao rádio e à televisão. Em abril, João Campos (PSB) tinha 42% das intenções de voto e Raquel tinha 34%. Quatro meses depois, a governadora aparece com 44% e o socialista com 36%. A vantagem de oito pontos de João em abril tornou-se uma vantagem de oito pontos de Raquel no fim de agosto. Entre uma ponta e outra, a relação entre os dois sofreu uma inversão de 16 pontos.
A nova Quaest, divulgada nesta terça-feira (25) não registra outro grande salto da governadora. Em comparação com julho, Raquel oscilou um ponto para cima e João, um para baixo. Os movimentos estão dentro da margem de erro. A importância do levantamento está na permanência da liderança dela e na continuidade de queda do socialista.
A pesquisa anterior ainda poderia ser tratada pela campanha socialista como um resultado isolado. Esta de agosto mostra que a virada resistiu às primeiras semanas da campanha e estabelece o ponto de partida para a propaganda no rádio e na televisão.
Virada
A mudança decisiva ocorreu entre abril e julho. Raquel ganhou nove pontos enquanto João perdeu cinco. Nesse período, a governadora conseguiu transformar a melhora da avaliação administrativa em intenção de voto. O socialista, por sua vez, deixou de ser observado apenas como o prefeito popular do Recife e passou a enfrentar uma pergunta mais difícil: por que Pernambuco deve trocar de governo?
Esse deslocamento aconteceu antes do início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão. A campanha já está nas ruas, mas ainda não dispõe do instrumento de maior alcance para apresentar de maneira organizada as biografias, entregas e propostas dos candidatos. Quando o horário eleitoral começar, Raquel não precisará usá-lo para construir uma liderança do zero. João, sim, terá de explicar como pretende recuperar uma vantagem que perdeu antes de ocupar a tela.
Incumbência
A propaganda eleitoral não coloca os dois candidatos em condições equivalentes. Raquel poderá apresentar obras, investimentos e programas como resultados de sua própria administração. A candidata se beneficia da autoridade de quem ocupa o cargo e dispõe de conteúdo concreto para sustentar a continuidade.
João também tem realizações administrativas para mostrar, mas elas pertencem ao Recife e ultimamente sua execução vem sendo bastante questionada. O desafio é transformar uma experiência municipal que vem recebendo críticas em argumento para todo o Estado. Ao mesmo tempo, precisa convencer o eleitor a interromper uma gestão que chega ao rádio e à televisão aprovada e numericamente à frente. Missão difícil.
A propaganda tende a ampliar o interesse da parcela do eleitorado que até agora acompanhou a eleição à distância. Para o governante bem avaliado, esse momento oferece a possibilidade de organizar entregas dispersas numa narrativa compreensível. Uma obra isolada pode não produzir voto. Mas uma sequência de obras, apresentada como resultado de um projeto de governo, pode adquirir outro significado.
Raquel virou a eleição durante o período em que as entregas ainda não podiam ser convertidas plenamente em propaganda eleitoral. Quando o rádio e a televisão começarem esta semana, a governadora passará a contar com o instrumento mais adequado para repetir e ampliar justamente a narrativa que ajudou a levá-la à liderança.
Largada
Isso não significa que o resultado esteja definido. Campanhas existem para alterar percepções, produzir fatos e reorganizar escolhas. João terá um vídeo de Lula, uma estrutura partidária competitiva e tempo para apresentar suas propostas. Mas chega à propaganda eleitoral numa posição pior do que aquela projetada no começo do ano.
A próxima rodada das pesquisas, tanto Datafolha quanto a Quaest, mostrará os primeiros efeitos do rádio e da televisão. Se Raquel ampliar ou mantiver a vantagem, ficará difícil de bater. Se João reduzir a distância, terá a possibilidade de criar algum tipo de onda que lhe dê chance de reagir. O que a Quaest de agosto indica é que a propaganda começa no momento mais favorável para quem já ocupa o governo e no mais difícil, até agora, para quem pretende substituí-la.
Redação com texto de Igor Maciel do JC Foto: reprodução
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