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Com 51,9% de intenções de voto no Nordeste, Lula pode não repetir na região mesmo resultado de eleições anteriores

Percentual, que tende a aumentar até o dia 4 de outubro, ainda está longe de alcançar o que o presidente teve no 1º turno da eleição de 2022

Por TEREZINHA NUNES do BlogDellas Especial para o JC

Pesquisas recentes dos institutos Quaest e Datafolha, compiladas pelo professor e pesquisador Maurício Romão, mostram que o presidente Lula está com 51,9% das intenções de voto no Nordeste contra 21% de Flávio Bolsonaro. Este percentual, que tende a aumentar até o dia 4 de outubro, ainda está longe de alcançar os 66,7% dos votos nordestinos que o presidente teve no 1º turno da eleição de 2022 – no segundo turno, ele chegou aos quase 70% (69,34%). Apesar disso, Lula ainda é considerado o maior eleitor da região, perturbando o sono dos seus opositores e levando os candidatos que têm o seu apoio a lutar por uma foto com ele, um vídeo ou a sua presença em cada dos nove estados regionais.

Neste primeiro turno já está certo – isso o próprio presidente já confessou a interlocutores – que ele vai estar com certeza nos estados do Ceará e da Bahia, onde os governadores do PT estão até agora atrás dos seus opositores.

No Ceará, pesquisa Datafolha do dia 3 deste mês mostrou o candidato Ciro Gomes (PSDB), que juntou-se até com os bolsonaristas, com 46% das intenções de voto, enquanto o governador do PT e candidato à reeleição Elmano de Freitas tem 37%. Na Bahia, a última pesquisa Quaest mostrou ACM Neto, do União Brasil, com 40% e o governador Jerônimo Rodrigues, do PT, com 37%.

Bahia, Ceará e Pernambuco

O presidente conseguirá reverter o quadro na Bahia e Ceará, onde petistas ou políticos por eles apoiados colecionam vários mandatos consecutivos? O pesquisador pernambucano Maurício Garcia, que acompanha as eleições em todo o Nordeste, diz que sim, mas ressalta que Lula, ao contrário do que muitos políticos pensam, “ajuda a eleger mas não resolve sozinho. É preciso que o candidato por ele apoiado também faça sua parte”.

Ele afirma que a tendência nessa eleição é o presidente vencer bem no Nordeste “mas com percentual mais baixo do que aconteceu em 2022”. Lembra ainda que nas menores capitais e nas grandes cidades do interior da região, a direita tem crescido ano a ano.

Apesar disso, há um fenômeno novo que pode ajudar o presidente na região. Este ano, em estados como Paraíba e Pernambuco, Lula tem a preferência dos dois principais candidatos ao governo do Estado e, embora tenha gravado vídeos com um deles – em Pernambuco com João Campos (PSB) e na Paraíba, com Lucas Ribeiro, do PP – reluta em estar presente em atos políticos nos dois estados com receio de perder votos.

Teste de fogo

O cientista político Felipe Ferreira Lima considera que, indo para a disputa de um quarto mandato, “o próprio PT considera que Lula tem um teste de fogo pela frente. Então uma vinda dele ao Nordeste tem que ser muito bem estudada para se entender se ele quer dar mais ganho aos candidatos dele a governador ou a si próprio”.

Esta semana, falando com dois interlocutores sobre a vinda a Pernambuco, o presidente disse que “está analisando a situação”. Não cravou o sim nem o não. A pergunta feita por um deles ficou no ar. Lula sabe da existência no estado do voto “Luquel”, eleitores que votam nele e na governadora Raquel Lyra, incluindo petistas com mandato de deputado. Sem contar que o senador Humberto Costa, do PT, está com o apoio de dezenas de prefeitos que seguem a orientação da governadora.

Campanha apática

Para Felipe Ferreira Lima “Lula vive a hora da verdade, onde vai se verificar se ele ainda tem boa influência no Nordeste. Em 2022, já houve uma certa queda em relação àquele período áureo dos seus dois primeiros mandatos, e quando ele elegeu Dilma praticamente sozinho e a reelegeu com força incomparável no Nordeste. A política foi modificada com a forma de comunicação totalmente mudada, instantânea, em redes sociais e sem fronteiras. É preciso ver se a força de Lula também não foi afetada.

“Outro fator que eu tenho observado e que é importante e estranho ao mesmo tempo é que se você observar, a agenda dele tem priorizado muito o Palácio. Está fazendo muita atividade funcional como presidente. A gente não está vendo Lula na rua. A campanha está pecando em não colocá-lo nos lugares certos, no momento certo. A não ser que se esteja deixando isso mais para o final da campanha, quando o eleitor vai estar mais ligado em eleição”.

“Agora o Brasil é muito grande, é preciso mapear quais são de fato as regiões onde ele estrategicamente precisa ir e fazer o corpo a corpo. Sua campanha está adormecida, apática. Basta olhar a agenda desta semana, foi praticamente de compromissos como presidente, não como candidato”.

Estado a Estado

Embora não tenha condições de percorrer todo o Nordeste, Lula não vai poder se queixar do quadro eleitoral na região até agora. No Rio Grande do Norte, os dois primeiros colocados nas pesquisas de intenção de voto são o ex-prefeito de Mossoró, Alysson Bezerra, do União Brasil, amigo de João Campos e que esteve para se filiar ao PSB, e Cadu de Lula, do PT, que foi secretário da ex-governadora Fátima Bezerra e é respeitado por ter organizado as finanças do estado. No Piauí, o governador e candidato à reeleição Rafael Fonteles, do PT, está com 56% das intenções de voto.

No Maranhão, os candidatos são o advogado Eduardo Braide (PSD), que recebeu de Gilberto Kassab o direito de definir seu candidato a presidente e é simpático a Lula, está em primeiro lugar, com 44% das intenções de voto e em segundo está Orleans Brandão, atual governador, filiado ao MDB e próximo do ministro Flávio Dino.

Em Alagoas, o primeiro colocado é o ex-ministro Renan Filho (MDB), que se encontra em empate técnico com JHC, ex-prefeito de Maceió, um jovem muito presente nas redes sociais. Filiado ao PSDB, JHC não é visto como oposição a Lula.

Em Sergipe, o governador e candidato à reeleição Fábio Mitidieri, do PSD, apoia o presidente e está com 40% das intenções de voto. O segundo lugar está com Walmir de Francisquinho, do Republicanos, que está com a candidatura questionada na Justiça eleitoral.

Com o quadro estabelecido, Lula só corre risco de ver opositores eleitos na Bahia e Ceará, daí a sua intenção de concentrar sua presença nesses dois estados.

Redação com texto de Terezinha Nunes Foto : RICARDO STUCKERT

e-mail: redacao@blogdellas.com.br/terezinhanunescosta@gmail.com

 

 

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