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Câncer de mama: tratamento pode dispensar quimioterapia em alguns casos

RODRIGO ARRUDA JALECO4

O mesmo diagnóstico pode levar a tratamentos diferentes, afirma o oncologista Rodrigo Arruda

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar mais de 78 mil novos casos de câncer de mama, a cada ano, no triênio 2026-2028. A doença representa 30% dos casos novos de câncer entre as mulheres e é o tipo de câncer mais incidente nesse grupo, desconsiderando os tumores de pele não melanoma. Diante desse diagnóstico, além do susto inicial, vêm questionamentos que devem ser esclarecidos junto ao médico especialista. Um deles diz respeito à quimioterapia. Toda paciente precisa necessariamente fazer esse tratamento? A resposta é ‘não’.

O câncer de mama é uma doença multifatorial e apresenta diferentes características biológicas, o que faz com que mulheres com diagnósticos aparentemente semelhantes possam receber tratamentos diferentes. O tratamento é individualizado e depende do estágio da doença, das características biológicas do tumor e das condições clínicas da paciente. Entre os fatores avaliados estão tamanho do tumor, comprometimento dos linfonodos, grau da doença e presença de receptores hormonais.

“Não existe uma receita única. A decisão sobre a quimioterapia leva em conta o comportamento daquele tumor, o risco de recorrência, a extensão da doença e as características da paciente”, explica o oncologista clínico Rodrigo Arruda, que integra o Comitê Gestor da Oncologia Américas, instituição especializada em tratamentos oncológicos de alta complexidade no Brasil.

Dependendo do caso, o tratamento pode envolver cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia ou terapias-alvo. Em alguns tumores, a quimioterapia pode ser indicada antes da cirurgia; em outros, pode não trazer benefício suficiente para justificar seus efeitos. Em alguns casos de doença inicial e menor risco de recorrência, a quimioterapia pode não acrescentar benefício suficiente para justificar seus efeitos colaterais.

A decisão é feita a partir da avaliação do risco individual e, quando disponíveis e indicados, de testes que ajudam a estimar o comportamento do tumor e a possibilidade de benefício com determinadas terapias. “Hoje conseguimos conhecer muito melhor cada tumor. Isso permite evitar tanto tratamentos insuficientes quanto tratamentos desnecessários. O objetivo é oferecer à paciente a estratégia mais adequada para o tipo e o estágio da doença que ela apresenta”, destaca Rodrigo Arruda.

Sem histórico familiar

O diagnóstico do câncer de mama também costuma levantar dúvidas entre pacientes com ausência de histórico familiar. Uma das ideias mais disseminadas sobre o câncer de mama é a de que a doença está necessariamente relacionada à hereditariedade. Mas essa associação não vale para a maioria dos casos.
O INCA aponta que apenas entre 5% e 10% dos casos de câncer de mama estão relacionados a fatores hereditários. A maior parte das mulheres que desenvolvem a doença, portanto, não tem uma predisposição genética hereditária conhecida.

“É muito comum a mulher acreditar que, se não tem mãe, irmã ou outra parente próxima com câncer de mama, ela não precisa se preocupar. Mas a ausência de histórico familiar não elimina o risco. O câncer de mama é uma doença multifatorial, e a predisposição hereditária é uma situação específica, geralmente relacionada a alterações genéticas que podem ser transmitidas entre gerações”, explica o especialista.

Isso não significa, porém, que o histórico familiar seja irrelevante. “Ter vários parentes com câncer de mama pode indicar uma predisposição hereditária e justificar uma avaliação mais detalhada. Mas é importante diferenciar duas situações: histórico familiar e predisposição hereditária. Ter parentes que tiveram câncer não significa necessariamente que exista uma mutação genética responsável pela doença. Já a identificação de uma alteração genética pode indicar um risco hereditário aumentado”, afirma Arruda.

Sobre o especialaista

Dr. Rodrigo Arruda atende no Recife (PE), onde é coordenador de Oncologia Clínica do Hospital de Câncer de Pernambuco (HCP) e atua como oncologista no IMIP, na Oncologia Américas/Hospital Santa Joana e na Clínica Unionco, no bairro dos Aflitos. Integra também o Comitê Gestor de Oncologia Américas, instituição especializada em tratamentos oncológicos de alta complexidade no Brasil.

Redação com assessoria Foto: divulgação

e-mail: redacao@blogdellas.com.br

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