Após Convenções, Raquel Lyra e João Campos enfrentam campanha acirrada e imprevisível

Pesquisas Quaest e Datafolha publicadas na semana que passou mostram vantagem numérica da governadora, mas cenário é de empate técnico
“A eleição em Pernambuco permanece aberta e tecnicamente empatada”, disse o diretor da Quaest, Felipe Nunes, ao Jornal do Commercio, sobre o mais novo levantamento do instituto à respeito da disputa pelo Governo do Estado, publicado esta terça-feira, que mostrou a governadora Raquel Lyra (PSD) com 43% das intenções de voto e o ex-prefeito João Campos (PSB) com 37%.
Entre o levantamento do mesmo instituto feito em abril e o de agora, a governadora cresceu 9 pontos e João caiu 5 pontos. Apesar disso, como a margem de erro da pesquisa é de 3 pontos, para mais ou para menos, a Quaest considera que há um empate técnico.
O mesmo foi observado na pesquisa do Datafolha, contratada pela TV Tribuna e divulgada esta sexta-feira na qual a governadora também está na frente com 48% das intenções de voto e João Campos tem 43%, com uma diferença de cinco pontos entre eles, também dentro da margem de erro.
O cenário do Datafolha mostrou estabilidade comparado com a pesquisa de maio. Raquel continuou com 48% e João caiu um ponto de 43 para 42%. Se a eleição fosse hoje a governadora teria entre 45 e 51% dos votos, podendo vencer no primeiro turno, e João entre 45 e 39%. O aumento da aprovação da governadora foi considerado significativo na Quaest. Ela tinha 62% de aprovação em abril e agora tem 68%.
Há motivos para comemoração? Certamente. Que o digam seus correligionários mas a campanha só vai ter início após a homologação das candidaturas pela Justiça Eleitoral e há muito a enfrentar até o dia da eleição pelos dois principais concorrentes.
Comícios, debates, inserções nas redes sociais e a propaganda eleitoral gratuita podem mudar muita coisa de forma que, além do empate técnico das pesquisas, nada está ainda definido e o embate promete esquentar e desafiar a capacidade dos dois para ganhar a confiança de eleitores nem sempre dispostos a ouvir o que dizem os políticos, mesmo os mais bem avaliados.
O trabalho de Raquel e o fator Lula
A governadora tem a seu favor na conquista dos eleitores o trabalho que realiza em todas as regiões e que já está garantindo uma grande diferença a seu favor no interior do Estado.
João Campos tem a mostrar o trabalho realizado como prefeito do Recife e já batizou sua chapa de “time de Lula” com o objetivo de ganhar maior apoio dos lulistas também disputados por Raquel através do voto Luquel que ficou famoso na eleição de 2022. A disputa por Lula é mais um capítulo da eleição deste ano.
Segundo o Datafolha 36% dos pernambucanos dizem votar com certeza em candidato de Lula e 20% dizem que “talvez votariam”, já 40% não votariam de jeito nenhum, ou seja 60% dos eleitores podem votar em candidato do presidente. Nesse quesito, ao contrário de eleições anteriores, Raquel conseguiu de alguma forma neutralizar a disputa no meio do lulismo, embora João ainda permaneça bem na frente.
O poder de cada um
A cientista política Priscila Lapa registra que “ a disputa se encontra muito equilibrada, apesar da vantagem alcançada pela governadora ao potencializar a avaliação positiva de sua administração. Essa variável ainda continua sendo muito relevante, apesar dos elementos ideológicos que orientam, de forma geral, os eleitores.
Mesmo sem estar à frente da máquina municipal, João conseguiu consolidar no eleitorado a imagem de bom gestor com capacidade de fazer entregas, porém, tem em seu colo a rejeição à gestão do PSB, notadamente do último ciclo de Paulo Câmara. Inevitavelmente haverá a comparação passado x presente”.
Por outro lado – adianta – quando se trata de contextualizar a disputa à luz do cenário nacional a fórmula da neutralidade aplicada por Raquel em 2022 pode não ter o mesmo efeito este ano, levando o eleitor de Lula a optar por João”.
Ela chama atenção também sobre as falhas nas gestões da governadora e do ex-prefeito: “há sempre lacunas e promessas que não saíram do papel e podem colocar em xeque a capacidade de ambos”.
Empate técnico é um alerta
Já o cientista politico Felipe Ferreira Lima afirma que “o empate técnico não é um placar, é um alerta para os dois lados pois com 40% do eleitorado ainda podendo mudar o voto, quem procurar administrar suposta vantagem no caso de disputar voto a voto vai se dar mal. É hora dos dois buscarem ser eleitoralmente proativos em suas estratégias”.
Para ele “Raquel tem 68% de aprovação do seu governo mas essa aprovação deve ser encarada como combustível, não em conversão automática de votos. O desafio dela, ao meu ver, é converter gestão em campanha e isso ainda não está garantido.
Já o ex-prefeito João Campos saiu da vitrine da Prefeitura e perdeu protagonismo digital e narrativo. Para equilibrar a disputa, ele precisa mostrar projeto de estado, não viver de nostalgia do Recife, e solidificar a idéia de ser ele o apoio único de Lula no Estado”.
