À Veja, Raquel Lyra diz que João Campos “representa uma tentativa de voltar ao passado”

Em entrevista, governadora criticou ciclo de 16 anos do PSB, elogiou a relação com Lula e defendeu a “construção de pontes” na política
Por Pedro Beija do JC
A governadora Raquel Lyra (PSD) elevou o tom das críticas ao ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), seu principal adversário na disputa pelo Governo de Pernambuco em 2026. Em entrevista publicada nesta sexta-feira (12) nas Páginas Amarelas da revista Veja, a gestora afirmou que o socialista “representa uma tentativa de voltar ao passado” e associou o PSB a promessas não cumpridas durante os dezesseis anos em que o partido comandou o Estado.
“Ele representa uma tentativa de voltar ao passado, quando o PSB governou Pernambuco por dezesseis anos seguidos. Quando cheguei, tinha muita coisa que tinha sido prometida, colocado propaganda na TV, mas o dinheiro não existia. Destravamos muitas obras”, declarou.
Na mesma resposta, a governadora fez uma referência indireta ao peso das redes sociais na política contemporânea.
“É preciso se importar com a população, não como um número de likes, mas com a história dela, em como você pode ajudá-la”, destacou.
A fala ocorre em um momento de intensificação da disputa política entre os dois principais nomes colocados para a sucessão estadual.
Relação com Lula e defesa do diálogo
Ao longo da entrevista, Raquel também comentou a relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), voltou a defender a construção de alianças acima das divisões ideológicas e afirmou que “Pernambuco não tem dono” ao comentar as mudanças no comportamento político do eleitorado nordestino.
Raquel também comentou a relação com o presidente Lula e a possibilidade de o PT discutir os rumos do palanque presidencial em Pernambuco.
Sem entrar diretamente na disputa interna dos petistas, a governadora defendeu o diálogo institucional.
“Acho que é um momento de menos sectarização e mais construção de pontes. O PT tem toda a autonomia para discutir os rumos após as convenções”, disse.
Ela afirmou ainda que o governo federal retomou investimentos em Pernambuco após sua chegada ao Palácio do Campo das Princesas.
“O presidente disse que não faltaria a Pernambuco. E ele abriu as portas do governo federal, com seus ministros”, lembrou.
Na entrevista, Raquel também criticou a condução política da gestão anterior, do ex-governador Paulo Câmara (PSB).
“A gestão anterior brigou com três presidentes da República. E não se tratava de ideologia, porque brigou com Dilma, Temer e Bolsonaro. O resultado foi Pernambuco ficar sem investimento.”
As declarações são dadas poucos dias após a repercussão da fala do ministro Wellington Dias (PT), que mencionou a possibilidade de um palanque duplo de Lula em Pernambuco, hipótese posteriormente descartada pela direção nacional petista.
“Nem lulista nem bolsonarista”
Questionada sobre uma declaração dada à própria Veja em 2022, quando afirmou não ser “lulista nem bolsonarista”, Raquel indicou que mantém a mesma posição.
Segundo ela, a prioridade deve estar na gestão e nas demandas concretas da população.
“Não estamos falando sobre em quem a pessoa vai votar, é sobre ela ter água na torneira. Não é sobre a qual partido político ela está filiada, é sobre ela ter casa.”
A governadora também ressaltou que sua base política reúne lideranças de diferentes espectros ideológicos.
PCC, Comando Vermelho e soberania nacional
Na entrevista, Raquel também comentou a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
A governadora defendeu o fortalecimento da cooperação internacional no combate ao crime organizado, mas ressaltou que medidas adotadas por outros países não podem comprometer a soberania brasileira.
“Segurança pública e a questão do narcotráfico têm que ser a prioridade zero de qualquer governo, e isso precisa ser feito em uma grande rede. Precisamos avançar em colaboração financeira, repartição de desafios, sem ferir a soberania”, afirmou.
Ao responder sobre a iniciativa norte-americana, Raquel disse que é necessário cautela para avaliar os desdobramentos da medida.
“O que significa efetivamente decretar que o PCC e o CV são terroristas? Se os EUA quiserem ajudar, podem ser bem-vindos. Agora, se ferir a soberania nacional, eu sou contra.”
A declaração ocorre em meio ao debate nacional sobre os efeitos da classificação feita pelos Estados Unidos, especialmente diante das possíveis consequências financeiras para empresas e instituições que eventualmente mantenham vínculos com integrantes das organizações criminosas.
Redação com texto de Pedro Beija do JC compartilhado em 12/06/2026 Foto: reprodução
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