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“Estou pronto para ser um grande governador de Pernambuco ao seu lado”, diz João Campos em ato de Lula no Recife

Em ato no Recife, candidato do PSB reforça aliança com presidente e promete levar para o Estado modelo de gestão adotado na capital

Por Larissa Aguiar do JC

A nove dias do primeiro turno das eleições, o candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) aproveitou a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Recife, nesta sexta-feira (25), para reforçar a aliança entre os dois partidos e projetar uma eventual gestão conjunta no Estado.

Em discurso durante o ato de campanha, realizado no Centro do Recife, o candidato ao governo afirmou estar preparado para assumir o Palácio do Campo das Princesas ao lado do petista e apresentou como compromissos a reindustrialização de Pernambuco, a ampliação do acesso à educação superior e técnica, a conclusão da Transnordestina e o enfrentamento do racionamento de água.

“Eu estou pronto, animado, para ser um grande governador de Pernambuco ao seu lado. Porque aqui nós temos lado e compromisso”, afirmou João, dirigindo-se a Lula.

A visita do presidente ao Estado foi articulada pela campanha socialista e marca a primeira participação de Lula em um ato eleitoral em Pernambuco desde o início da corrida de 2026. A caminhada saiu do Cais de Santa Rita em direção ao Marco Zero e reuniu também os candidatos ao Senado Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT), além do candidato a vice-governador Carlos Costa.

A presença de Lula acontece em um cenário de disputa acirrada pelo Governo de Pernambuco. Na pesquisa Datafolha divulgada em 24 de setembro, Raquel Lyra (PSD) apareceu com 48% das intenções de voto, contra 44% de João Campos.

Ao longo do discurso, João procurou associar sua candidatura ao projeto político nacional de Lula e apresentou a relação entre os dois como uma parceria que ultrapassaria a campanha eleitoral. “A gente vai ver Pernambuco liderar o Nordeste. Pernambuco se reindustrializar. Eu vou lhe dar uma informação, presidente”, afirmou.

Na sequência, citou a Refinaria Abreu e Lima e a fábrica da Jeep como símbolos do ciclo de industrialização iniciado no Estado durante governos anteriores do PSB e atribuiu a Lula papel decisivo na instalação dos empreendimentos.

Segundo João, as duas indústrias representam, juntas, 25% da economia pernambucana. A partir desse argumento, o candidato defendeu um novo ciclo de desenvolvimento econômico, com maior integração entre formação profissional e mercado de trabalho.

Ele afirmou que pretende ampliar para Pernambuco uma política que, segundo ele, foi adotada durante sua gestão à frente da Prefeitura do Recife, permitindo que moradores das periferias tenham acesso ao ensino superior e ocupem postos de trabalho qualificados nas empresas instaladas no Estado.

João citou a Transnordestina, obra que se tornou um dos principais temas da agenda econômica da Frente Popular em Pernambuco, e afirmou que pretende concluir a ligação ferroviária até Suape em parceria com o governo federal. “Eu tenho certeza que juntos haveremos de concluir a Transnordestina em Pernambuco”, declarou.

Ao mencionar a marca política de Lula de ter retirado o Brasil do Mapa da Fome, João estabeleceu um paralelo com a situação hídrica do Estado.

“Agora chegou a hora de tirarmos Pernambuco do mapa do racionamento de água”, afirmou. João disse que pretende executar, em parceria com o governo federal, obras destinadas a ampliar a oferta e a distribuição de água no Estado.

A defesa da aliança com Lula também foi levada por João para temas de alcance nacional. O candidato afirmou que o presidente estaria “do lado certo da história” ao defender medidas como o fim da jornada de trabalho 6×1, o combate ao feminicídio e a expansão do Sistema Único de Saúde, das universidades e dos institutos federais. João declarou ainda que, como presidente nacional do PSB, pretende apoiar essas pautas no Congresso Nacional.

“Para todas essas medidas, o senhor vai contar comigo e contará com o partido que eu presido, o PSB, para lutar pelo povo no Congresso Nacional”, disse.

A fala teve ainda um componente pessoal. João levou para o palco um presente que, segundo relatou, havia sido comprado por seus pais para Lula em 2012, mas acabou guardado na casa da família. Trata-se de um pau de arara produzido por artesãos pernambucanos.

O objeto foi apresentado como uma referência à trajetória de Lula, que deixou Pernambuco ainda criança com a mãe, Dona Lindu, em busca de melhores condições de vida.

João contou que encontrou o presente durante uma visita à casa dos pais e decidiu entregá-lo ao presidente durante a agenda desta sexta. Ao recordar a própria trajetória familiar, o candidato também mencionou o pai, o ex-governador Eduardo Campos, morto em 2014 durante a campanha presidencial.

Em um dos trechos mais emocionados do discurso, João afirmou ter sentido a presença do pai durante a atual campanha. “Eu tive certeza que o meu pai estava do meu lado nessa caminhada. Meu pai nunca teve a oportunidade de me ver discursando, nem eu nunca subir num palanque ou num palco para falar ao lado dele”, afirmou.

Na sequência, relacionou a memória de Eduardo Campos ao projeto de chegar ao governo estadual. “Eu vou ter a oportunidade, com fé em Deus e em Nossa Senhora, de ser governador de Pernambuco com Lula presidente”, declarou.

João pediu votos para Lula, para sua própria candidatura e para os nomes da chapa da Frente Popular ao Senado. Também fez um apelo para que a disputa eleitoral permanecesse concentrada no debate político. “Não vamos cair na ira nem na agressividade de adversários. O nosso compromisso é com o povo. O nosso debate é com quem precisa de um Brasil melhor. O nosso lado é o lado da verdade, da generosidade e da esperança”, afirmou.

Redação com texto de Larissa Aguiar do JC Foto: Junior Souza/JC imagem

e-mail: redacao@blogdellas.com.br

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