Sabatina SJCC: Humberto Costa promete atuar contra as bets, defende unidade da chapa e rejeita impeachment de ministros do STF

Em sabatina do SJCC, Humberto Costa falou da trajetória, da relação com o PSB e disse que, em conflito com Lula, fica com Pernambuco
Por Ryann Albuquerque do JC
O candidato à reeleição ao Senado Humberto Costa (PT) foi o entrevistado desta quinta-feira (27), na série de sabatinas do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC) com os candidatos pernambucanos à Casa Alta.Na sabatina, Humberto apresentou um balanço de seus 16 anos de mandato, defendeu a unidade da chapa encabeçada por João Campos (PSB), descartou fundamento para o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e prometeu atuar contra as casas de apostas.
O petista, que busca um terceiro mandato consecutivo, também criticou a autonomia do Banco Central, explicou o voto contrário ao relatório da CPMI do INSS e afirmou que, em caso de conflito entre uma proposta do Governo Federal e os interesses de Pernambuco, ficaria com o Estado.
Ele ainda elencou a conclusão da Transnordestina e a construção do Canal do Sertão como principais compromissos de um eventual novo mandato.
Ao ser questionado sobre o que ainda o anima a permanecer no Senado, Humberto associou a candidatura a um compromisso de longo prazo e à experiência acumulada em cargos executivos e legislativos.
“O que me anima, em primeiro lugar, é uma missão de vida que eu assumi há muito tempo, de ajudar a construir um Brasil melhor para todos os brasileiros e brasileiras, para melhorar esse Estado de Pernambuco pelo qual eu tenho lutado a vida inteira”, afirmou.
O senador citou a criação do SAMU, da Farmácia Popular e do Brasil Sorridente, quando foi ministro da Saúde, e da CNH Popular e do programa Academia das Cidades, no período em que foi secretário das Cidades no governo Eduardo Campos.
Segundo ele, há ações suas em todos os municípios pernambucanos, incluindo Fernando de Noronha, e citou o apoio à manutenção do hospital universitário em Petrolina e à construção do Hospital Mestre Vitalino, em Caruaru.
Humberto também apresentou a permanência no PT como diferencial na disputa.“Eu tenho 46 anos no PT, nunca mudei de partido, nunca fiquei pulando de galho em galho, sempre estive ao lado do presidente Lula, nas horas boas e nas horas ruins”, disse.
Divergências com o PSB e clima na chapa
Questionado se a defesa da coerência partidária era uma crítica indireta aos aliados — o PSB, que já esteve em campo oposto ao PT, e a candidata Marília Arraes (PDT), que trocou de legenda —, o senador negou.
Segundo ele, disputas fazem parte da política e episódios do passado não impedem a convivência atual dentro do mesmo palanque.
“É óbvio que, em alguns momentos, alguns excessos são cometidos, mas daí vem uma autocrítica, depois se pensa naquilo que é mais importante para o país, para a sociedade. Não é que essas coisas sejam esquecidas, mas elas são superadas”, afirmou.
Sobre o clima interno, Humberto rejeitou a avaliação de que faltaria unidade entre os candidatos e aproveitou para comparar a situação com a do grupo adversário.
“Sim, existe uma unidade. Aliás, diferentemente do que aconteceu na definição da outra chapa. Do lado de lá saíram três candidatos ao Senado. Lá houve muita divisão, muita dissensão”, disse. “Nós estamos trabalhando juntos e vamos chegar juntos à vitória.”
O petista afirmou ainda que o grupo já pediu, mais de uma vez, que Lula visite Pernambuco durante a campanha e que o presidente teria dito estar se preparando para vir ao Estado. Segundo Humberto, a definição da data está sendo negociada por João Campos.
Críticas ao discurso sobre o STF
Questionado se identifica hoje algum ministro do Supremo que deveria responder a processo de impeachment, Humberto respondeu que não, embora tenha ressalvado que admite a hipótese em casos de quebra de decoro.
“O Congresso não pode interferir na capacidade jurisdicional do Supremo Tribunal Federal. Há aquelas hipóteses em que há quebra de decoro, em que há um processo de usurpação da atividade. Em situações como essa, podem ser aplicadas sanções contra ministros”, afirmou.
O senador lembrou ter sido relator do processo que resultou na cassação do então senador Demóstenes Torres e disse que não teria dificuldade em atuar em um processo semelhante contra um ministro, desde que houvesse provas. Em seguida, criticou o uso político do tema.
“Essa brincadeira que a extrema direita vive querendo fazer em relação ao Supremo não conta comigo, porque o objetivo com esse discurso de julgamento de ministros não é para fazer justiça, é para criar crise institucional, é para colocar o Brasil no caos”, declarou.
Bets entre as prioridades nacionais
Ao apontar o que pretende priorizar em um eventual novo mandato, Humberto disse que quer se dedicar à restrição da atuação das casas de apostas, tema que colocou como sua principal bandeira no plano nacional. “Eu quero ser um dos baluartes da luta para que nós possamos restringir a atuação dessas bets”, afirmou.
Segundo o senador, o setor interfere na economia do país e produz efeitos sobre as famílias brasileiras, com casos de desagregação familiar e de transtornos de saúde mental. Para o Estado, ele elencou dois compromissos: a conclusão da Transnordestina e a construção do Canal do Sertão. “Vou defender isso o tempo inteiro”, disse, sobre as duas obras.
CPMI do INSS e Banco Central
Ao explicar o voto contrário ao relatório da CPMI que pediu o indiciamento de mais de 200 pessoas no caso dos descontos irregulares em aposentadorias, o senador afirmou que o texto foi parcial e que deixou de fora nomes que já respondem a investigações da Polícia Federal e do Ministério Público.
“Aquele relatório da CPI era uma farsa, era uma mentira, e eu não poderia compactuar com uma farsa”, disse.
Sobre a proposta que amplia a autonomia financeira e orçamentária do Banco Central, Humberto disse ter visão crítica e defendeu que a instituição também persiga metas de emprego, e não apenas o controle da inflação.
“Eu acho que essa autonomia tem que ser relativa”, afirmou, criticando o patamar dos juros e o efeito sobre empresas em recuperação judicial.
Pernambuco acima do governo
Perguntado sobre o que prevaleceria caso uma proposta do Governo Federal contrariasse interesses de Pernambuco, o senador foi direto.
“Quando na balança tiver Pernambuco e qualquer outro interesse, eu estou do lado de Pernambuco”, afirmou.
Como exemplo, citou a articulação, ao lado do senador Fernando Dueire (MDB), para manter incentivos fiscais à Stellantis e à Baterias Moura durante a transição da reforma tributária, apesar da pressão de montadoras de outros estados.
Já sobre a chamada taxa das blusinhas, Humberto se corrigiu durante a resposta e disse ser favorável à manutenção da cobrança, como forma de proteger o polo de confecções do Agreste.
Ele afirmou que também trata com o Governo Federal da taxação de matérias-primas importadas, como os fios de poliéster, sob suspeita de dumping.
Redação com texto de Ryann Albuquerque Foto: reproduão
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