Raquel Lyra defende gestão, agradece parceria com Lula e critica “política miúda” na Alepe em sabatina do SJCC

Governadora disse ter “arrumado a casa”, prometeu entregar 100 creches até dezembro e evitou declarar voto para Presidente da República
Por Pedro Beija do JC
A governadora de Pernambuco e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), defendeu o balanço dos primeiros três anos e oito meses de gestão, reconheceu atrasos na entrega de creches prometidas em 2022, afirmou que ainda há insegurança no Estado e evitou declarar em quem votará para presidente da República, mas agradeceu as parcerias executadas com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governo fedaral.
Na terceira e última sabatina promovida pelo Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC) com os candidatos ao Governo de Pernambuco, nesta quinta-feira (20), Raquel também atribuiu parte dos conflitos com a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) a uma tentativa de adversários de atrasar projetos do Executivo.
Ao justificar por que pede mais quatro anos à frente do Estado, Raquel afirmou que o primeiro mandato foi marcado pela reorganização da máquina pública e pela retomada da capacidade de investimento. Segundo a governadora, sua gestão conseguiu “fazer mais do que os oito anos do governo que nos antecederam”, em referência às duas gestões de Paulo Câmara, à época no PSB.
“Cortamos o mato alto, arrumamos a casa, cuidamos das pessoas. É tempo de Pernambuco viver os melhores quatro anos da sua história”, afirmou.
Creches
Questionada sobre a promessa feita em 2022 de criar 60 mil vagas em creches, Raquel disse que 12 unidades foram entregues até agora e que outras 190 estão em construção. A governadora prometeu chegar a 100 creches concluídas até o fim deste ano e entregar praticamente todas as 250 previstas até março ou abril de 2027. Segundo ela, a totalidade deve estar pronta até meados do próximo ano.
Raquel atribuiu o atraso à complexidade para executar simultaneamente as obras, desde a definição de terrenos até a capacidade das empresas contratadas. Disse ainda que o governo precisou rever a distribuição dos lotes após discutir o modelo com o Tribunal de Contas.
“A gente teve dificuldade no começo, sim”, reconheceu.
“A gente não faz creche no improviso”, acrescentou, ao defender o padrão das unidades e o investimento de R$ 1,96 bilhão reservado ao programa.
Segurança
Na segurança pública, Raquel foi confrontada com a meta do Juntos pela Segurança de reduzir em 30% os crimes contra a vida até o fim de 2026. A governadora afirmou que a redução está em 22% e manteve a promessa de alcançar o objetivo até dezembro.
Ela citou a contratação de mais de 7 mil profissionais, investimentos superiores a R$ 2 bilhões e a ampliação de vagas no sistema prisional. Também afirmou que o Estado tem atuado de forma integrada com órgãos federais para combater organizações criminosas.
“Polícia e combate ao crime organizado não se faz com discurso nem com improviso. É com integração, investimento e inteligência”, afirmou.
Apesar de defender os resultados da gestão, Raquel reconheceu que a sensação de insegurança permanece.
“Não está do jeito que eu quero, não. É claro que ainda tem insegurança”, disse.
Desenvolvimento
Ao falar sobre um eventual segundo mandato, a governadora afirmou que os investimentos atuais são pensados para além de 2030 e citou a Transnordestina, a duplicação da BR-232 e o Arco Metropolitano entre os projetos estruturadores.
“Cortar o mato alto é permitir que a gente possa enxergar o horizonte”, disse.
Raquel também voltou a criticar a condução econômica de governos anteriores, afirmando que Pernambuco “tratava o empreendedor praticamente como um adversário”, e defendeu medidas adotadas para melhorar o ambiente de negócios e atrair investimentos privados.
Voto para presidente
Questionada sobre a eleição presidencial, Raquel evitou declarar apoio a um candidato, apesar de o PSD integrar nacionalmente a chapa de Ronaldo Caiado, com o presidente da legenda, Gilberto Kassab, como candidato a vice.
A governadora preferiu destacar as parcerias construídas com o governo federal e agradeceu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que apoia João Campos (PSB) na disputa pelo Governo de Pernambuco.
“Eu sou grata ao presidente Lula”, afirmou.
Segundo Raquel, adversários tentarão “rotulá-la” e nacionalizar a eleição estadual.
“Eu sou pernambuquista. Vão querer me taxar de um lado ou de outro, me rotular, tentar me enquadrar de um lugar ou de outro, dizer que eu estou em cima do muro”, disse.
Ao ser novamente questionada se não declararia voto durante a campanha, respondeu: “Eu vou discutir Pernambuco”. Para a governadora, “mais importante do que saber qual voto eu vou depositar na urna” é a relação que manterá com o governo federal.
Relação com a Alepe
Raquel também foi questionada sobre os conflitos mantidos com a Alepe ao longo do mandato. A governadora rejeitou a avaliação de que os episódios decorreram de dificuldade de articulação política e afirmou que adversários atuaram para retardar a votação de operações de crédito e outros projetos de interesse do Executivo.
“Estavam querendo atrapalhar quem? A mim ou o povo de Pernambuco? E quem liderou isso? Quem liderou o atraso das votações na Assembleia Legislativa?”, questionou.
Sem citar nominalmente os adversários, Raquel disse que houve quem atuasse em ministérios e na própria Alepe para impedir a aprovação de empréstimos e convênios. Também afirmou que Lula lhe disse: “Se alguém lhe atrapalhar, me avise”.
“O que aconteceu na Assembleia Legislativa muitas vezes foi a política miúda”, declarou.
A governadora afirmou que, caso seja reeleita, acredita que a relação com o Legislativo será melhor no segundo mandato e citou o apoio declarado de 146 dos 184 prefeitos pernambucanos como demonstração de sua capacidade de articulação.
Redação com texto de Pedro Beija do JC
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