Início de campanha foi marcado por primeiras críticas entre candidatos a governador

 

Raquel Lyra começou sua campanha à reeleição este domingo fazendo uma prece nos Montes Guararapes, em Jaboatão, e João Campos, como prometeu, fez seu primeiro ato, seguido de benção, no Morro da Conceição, no Recife. Católicos, os dois principais candidatos a governador cumpriram à risca suas obrigações religiosas mas as semelhanças pararam por aí. Entre adesivaços, no caso de Raquel, e caminhadas, no caso de João, sobraram críticas de um lado e do outro, demonstrando que a campanha, além dos compromissos tradicionais – João prometeu 4 novos hospitais – será também de cobranças acusações e estocadas no adversário.
                
A primeira crítica foi feita por Raquel ao ser indagada pela imprensa sobre o episódio em que João foi acusado pelo PSOL de tentar tirar a candidatura do jornalista Ivan Moraes a governador: “Muitas vezes a democracia está no discurso mas não está na prática. E falar sobre isso é muito importante. Não é sobre retirar candidaturas ou colocar candidaturas, é sobre permitir que cada um possa exercer a sua autonomia, a sua vontade, livremente, disputando nas urnas. A defesa da democracia precisa estar além do discurso”.
                
Ela previu que a campanha vai redundar em uma comparação entre gestões e concluiu: “ em todas as áreas do nosso Governo,  Pernambuco andou pra frente muito mais do que nos oito anos do Governo anterior” (referia-se ao PSB, de Campos). No comitê do Pina ela citou em seu discurso e entrevista que “Pernambuco não tem dono. O dono de Pernambuco é o seu povo”. Seria uma indireta ao seu adversário que afirmou: “a partir do ano que vem quem vai mandar em Pernambuco é o povo. Pernambuco vai ter um Governo que vai cuidar do seu povo”.
                
A crítica mais forte feita por João aconteceu quando ele prometia construir quatro hospitais, citando que no atual governo nenhuma nova unidade foi erguida e alfinetou:  “no meu Governo não vai ter reforma de arrumadinho, com o teto caindo em cima das pessoas”, referia-se a um acidente acontecido há menos de um mês no Hospital da Restauração, que está passando por uma grande reforma,  quando numa sala que, segundo o Governo, ainda não estava passando por obra de recuperação, uma parte do teto desabou ferindo uma paciente.

Mulheres candidatas representam 34,49% dos registros

No Brasil os partidos políticos são obrigados a preencher no mínimo 30% das vagas de candidatos às eleições proporcionais com candidaturas femininas. Para a campanha deste ano em Pernambuco foram solicitados pelos diversos partidos ao TRE o registro de 954 candidatos sendo 34,49% mulheres. O percentual é apenas 4,49% superior ao mínimo estabelecido, o que significa que o sexo feminino ainda vai estar muito longe de chegar aos 30% de candidatos efetivamente eleitos. No que se refere à Câmara Federal onde o estado tem 25 vagas a serem preenchidas, em 2022 só foram eleitas duas mulheres: Iza Arruda e Maria Arraes.

PSDB/CIDADANIA

A Federação PSDB/Cidadania que teve sua direção estadual, fiel à governadora Raquel Lyra, destituída através de intervenção feita no dia da convenção, pode ainda voltar ao controle da ala governista. É que quando a intervenção foi decretada a convenção já estava em andamento e foi encerrada e registrada no TRE decidindo pelo apoio à governadora. Isto posto, o PSD registrou a Federação na ata de sua convenção como fazendo parte do grupo de Raquel, o que não foi feito por João Campos. Portanto, a não ser que haja anulação da ata original, o que se acha muito difícil, o tempo de Rádio e TV do PSDB e do Cidadania serão somados ao tempo da governadora.

Qual vai ser o nível do debate na eleição deste ano em Pernambuco?

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