Raquel Lyra e João Campos começam campanhas carregadas de símbolos
Em Pernambuco, a campanha estadual deste ano está começando recheada de símbolos como se pode ver pela maneira como candidatos pautaram agenda
Por TEREZINHA NUNES do BlogDellas Especial para o JC
Os símbolos são considerados pontes visuais entre idéias abstratas que criam conexões para expressar um objetivo concreto. Na política, eles servem também para facilitar a identificação rápida de valores, crenças e projetos de poder. Que o digam a estrela vermelha do PT e as cores verde e amarela usadas pelos bolsonaristas. Em um caso e outro, utilizadas para mostrar, sobretudo nas campanhas políticas, de que lado estão a esquerda e a direita no radicalismo político no qual estamos metidos.
Em Pernambuco, a campanha estadual deste ano está começando recheada de símbolos como se pode ver pela maneira como os dois principais competidores na disputa pelo Governo do Estado, Raquel Lyra e João Campos, pautaram, a dedo, suas programações deste domingo na largada da campanha de rua que só termina no início de outubro, às vésperas da eleição.
Os sinais de Raquel
Eleita governadora em 2022 quando obteve 58,70% dos votos dos pernambucanos – no Recife ela chegou aos 65,2% do total de votantes – a governadora, que tem como maior símbolo visual de sua administração a bandeira de Pernambuco, resolveu dedicar o domingo ao estado como um todo participando de programações no Recife; em Caruaru, no agreste; seu berço político, e em Petrolina, no extremo oeste estadual. “Ela quer abraçar todo o estado, mostrando que não esqueceu de nenhum município por mais distante que ele fosse”- afirma um dos seus assessores, explicando a conotação simbólica da programação.
Petrolina e Caruaru, escolhidas pela governadora para essa programação especial são as principais cidades do interior pernambucano. Em Petrolina ela vai celebrar o apoio da família Coelho, comparecendo ao evento de lançamento das campanhas dos candidatos a deputado federal Miguel Coelho e Fernando Filho e do candidato a estadual, Antonio Coelho, como símbolos da força política sertaneja. Em Caruaru, vai participar de um grande ato. No Recife pela manhã estará na inauguração de dois grandes comitês de campanha, um na zona sul e outro na zona norte onde haverá adesivaços.
Os sinais de João
Já o ex-prefeito João Campos, reeleito em 2024 com 78,11% dos votos dos recifenses, escolheu a capital para passar o dia a começar pela madrugada quando, na volta de viagem ao interior, sobe o Morro da Conceição acompanhado de sua família e assessores. Depois ele visita uma obra simbólica de sua administração, o Hospital da Criança, toma café no Mercado de Casa Amarela e em seguida percorre os principais parques da capital – a idéia inicial era que ele fizesse parte deste trecho correndo mas isso não está garantido. No final da tarde ele se dedica a outro simbolismo comemorando o apoio oficial do PT à sua campanha participando da inauguração do comitê do deputado federal Carlos Veras, presidente estadual do partido.
Como resolveu ficar todo o domingo no Recife, João Campos vai no sábado ao distrito mais distante do oeste pernambucano, Poção de Afrânio, no qual gravará para as redes sociais fazendo conexão do distrito com Recife. Em seguida , vai a Serra Talhada e Garanhuns de onde se deslocará para Caetés, com o objetivo de gravar na casa onde Lula teria nascido. Mais um efeito simbólico pois vai utilizar bastante a imagem de Lula em sua campanha.
As razões de cada um
A cientista política, Priscila Lapa, afirma que está muito clara a estratégia de Raquel e João já no primeiro dia de campanha: “ Seu objetivo é fortalecer sua imagem como gestor do Recife, que é seu ponto forte, mas a ida ao interior um dia antes tem o sentido de demonstrar sua capacidade de olhar para o todo o Estado e se conectar com agendas nas diversas regiões. Ele precisa se firmar como um gestor que vai além das fronteiras da Região Metropolitana. Por isso é importante que, desde o início da campanha, ele faça esse movimento”.
– Já Raquel – diz ela – tem, nesse sentido, a vantagem histórica de ser do interior e ter uma maior conexão com este eleitorado. O desafio de também se aproximar da Região Metropolitana também é real, por isso ela precisa transitar e equilibrar sua projeção em cada região. Talvez o eleitor em geral deseje colocar na balança a capacidade dos candidatos de gerarem uma identificação genuína com as questões locais, o que explica a preocupação dos dois de percorrer logo no começo da campanha a capital e o interior. Isso vai ser muito observado nos mínimos movimentos feitos agora e daqui para a frente.”
Redação com texto de Terezinha Nunes para o JC Foto: reprodução
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