João Campos diz que está construindo “a maior frente de oposição que já disputou uma eleição”

O ex-prefeito João Campos, que voltou a visitar o Sertão do Pajeú esta semana – a região é a que mais concentra lideranças da Frente Popular no interior – minimizou, em entrevista, a força dos cerca de 150 prefeitos que apoiam a governadora Raquel Lyra. E adiantou: “eu tenho muito respeito aos prefeitos, até porque eu fui prefeito mas a gente sabe que não é isso que define eleição. O apoio de lideranças a um projeto político só é efetivo se tiver conexão com o sentimento real do povo. A própria governadora ganhou a eleição tendo o apoio de oito prefeitos em todo o estado. Quando meu pai foi candidato lá atrás e ganhou a eleição eu acho que ele tinha algo em torno de 13 ou 15, e desses, 8 eu acho que eram do Pajeú. Ele praticamente não tinha prefeito fora do Pajeú e ganhou a eleição. Eu tenho certeza que a gente vai construir uma caminhada vitoriosa nessa eleição’”.
Os exemplos da própria Raquel em 2022 e do pai Eduardo Campos foram citados por João Campos em meio à desconfiança existente entre os políticos pela falta de apoio de prefeitos a seu projeto político. Como se não bastassem os 70 prefeitos que, de uma só vez, ingressaram no PSD da governadora e defendem sua reeleição, o número chegou a 80 esta terça-feira com a inclusão de prefeitos do próprio PSB. Os demais apoiadores de Raquel estão em outras legendas que fazem parte da base do Palácio do Campo das Princesas.
Apesar disso, o ex-prefeito do Recife vem conquistando os grupos de oposição nos municípios cujos prefeitos apoiam Raquel, daí a frase que ele citou afirmando que está construindo “a maior frente de oposição que já disputou uma eleição em Pernambuco”. Na verdade, a oposição municipal participa da eleição de governador com olho na eleição de prefeito. Desta forma, embora hajam exceções, dificilmente a oposição em um município apoia o mesmo candidato do prefeito para não perder o protagonismo dois anos depois. Os prefeitos eleitos em 2024 já escolhem agora o palanque onde vão estar em 2028 e a oposição procura o lado adversário, com o mesmo propósito.
O exemplo de Jarbas e Arraes
João Campos não citou mas o seu bisavô Miguel Arraes tinha o apoio de mais de 100 prefeitos em 1998 quando, em busca da reeleição, enfrentou Jarbas Vasconcelos que acabou vencendo por uma diferença de mais de 1 milhão de votos. Este exemplo é sempre lembrado em Pernambuco quando se trata de apoio de prefeitos. Há, porém, uma diferença entre outras eleições e esta, como lembrava esta semana um deputado estadual da base do Governo na Assembleia: “naquela época os governadores tinham apoio de prefeitos mas às vezes nem os recebia e então era traído durante a campanha. Desta vez a governadora criou uma forma diferente. Ela atua em todos os municípios e tem feito obras de infraestrutura importantes e prestado serviços reconhecidos pela população. Além disso atende os prefeitos até pelo telefone. É celebrada por eles como uma municipalista”.
Teresa elogiada por Alcolumbre
A senadora pernambucana Teresa Leitão que assumiu esta semana a liderança do Governo no Senado, em substituição ao senador Jaques Wagner, recebeu elogios esta quarta-feira do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que anda às turras com o presidente Lula. O senador disse: “reconheço sua capacidade de articulação. Quero dizer a Vossa Excia, referindo-se a Teresa, e ao Brasil que fiquei muito feliz com a reunião que tivemos na manhã de hoje. Tenho convicção absoluta de que compreendeu absolutamente o papel do chefe do Poder e presidente do Congresso Nacional. E, nessa condição, Vossa Excia tem uma missão muito importante nesta interlocução.”
Resposta da senadora
Teresa agradeceu as palavras de Alcolumbre e disse que terá “o diálogo como método permanente” e que deseja construir pontes. E completou: “manterei relação de cooperação institucional, respeito recíproco e busca permanente de entendimento em torno de matérias de interesse nacional”. Já sobre a votação do fim da escala 6×1, uma das prioridades do Palácio do Planalto que aposta em Teresa para conseguir uma antecipação da votação no Senado, Alcolumbre voltou a afirmar que o Senado não pode ser “carimbador” do que é aprovado na Câmara e precisa de tempo para análise.

Teresa terá mais facilidade do que Jaques Wagner nas negociações com Alcolumbre daqui para a frente?
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