Ascensão de Teresa Leitão faz PT aumentar protagonismo ante o PSB na esquerda estadual
A senadora passa a ter acesso direto ao gabinete do presidente Lula com o qual já vai estar esta segunda-feira para definir sua linha de trabalho
Por TEREZINHA NUNES
Eleita senadora de Pernambuco em 2022, quando o PSB viu seu candidato a governador ficar em terceiro lugar na disputa vencida pela governadora Raquel Lyra, Teresa Leitão não conseguiu em 2024 ajudar seu partido a conquistar a vice do então prefeito João Campos, no Recife.
Ela patrocinou, junto com o senador Humberto Costa e o ministro Alexandre Padilha, o nome do médico e ex-vereador da capital, Mozart Sales, que sequer foi considerado na disputa. Em uma eleição antecipadamente ganha João preferiu alguém de sua inteira confiança, o atual prefeito Victor Marques, e o filiou ao PCdoB, dando à sua chapa uma marca de esquerda e evitando que os petistas reagissem ideologicamente à escolha.
“Fomos traídos e humilhados”- bradou à época e repetiu recentemente o ex-deputado federal Fernando Ferro, um petista histórico, ao justificar sua discordância do apoio do partido a João Campos nesta eleição e a decisão de se aliar ao candidato a governador pelo PSOL, jornalista Ivan Moraes.
Voto Luquel
As rusgas entre petistas e socialistas vêm de muito tempo tanto é que este ano, além de pessoas como Fernando Ferro que rumou para o palanque da esquerda psolista, lideranças petistas da capital e do interior estão apoiando a governadora Raquel Lyra como os prefeitos dos municípios de Tabira, Granito, Jurema e Sairé e não mudaram de posição após o vídeo do presidente Lula a favor de João Campos.Todos têm propagado o voto Luquel com Lula para presidente e Raquel para governadora e dizem querer distância do PSB.
Mesma posição adotou esta sexta-feira a presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco (Fetape), Cícera Nunes. Aliada do presidente estadual do PT, deputado federal Carlos Veras, e na frente dos deputados estaduais João Paulo do PT e Doriel Barros, Cícera declarou apoio à reeleição da governadora durante entrega de equipamentos para agricultura familiar.
Acesso ao gabinete de Lula
O que pode mudar no relacionamento entre o PT e o PSB a partir de agora que a senadora Teresa Leitão foi escolhida como líder do Governo no Senado, substituindo o senador Jacques Wagner? A senadora, que pertence a uma pequena tendência do PT, o chamado PT Militante, passa a ter acesso direto ao gabinete do presidente Lula com o qual já vai estar esta segunda-feira para definir sua linha de trabalho na Câmara Alta, onde o Palácio do Planalto enfrenta o seu maior calo: o atual presidente Davi Alcolumbre.
Nesse ambiente a senadora perdia em protagonismo para o senador Humberto Costa, outra importante liderança do PT pernambucano e um dos líderes da tendência majoritária no partido, a CNB. Os dois juntos poderão conferir ao PT estadual uma força ante o PSB como ele jamais teve.
Isso já ficou claro na quinta-feira à noite no Clube das Pás, onde o PSB fez uma escuta popular com a presença de toda a chapa majoritária, e Teresa foi recebida e ouvida como liderança maior, aproveitando para enaltecer o apoio de Lula a João Campos, Humberto e Marília Arraes. Também fez o contraponto ao deputado federal Túlio Gadelha, candidato ao Senado na chapa de Raquel e apoiador declarado do presidente.
Faca e queijo e na mão
Para o cientista político Felipe Ferreira Lima, “Teresa já foi uma ponte importante para a construção da chapa de João Campos e agora, com a liderança no Senado, tem a faca e o queijo na mão para impor interesses do PT tanto na condução da campanha de Campos quanto na participação e fatiamento de um eventual governo dele. Nesse desenho atual – acrescenta – a chapa do PSB é muito mais aprazível para o PT do que foram as demais nas eleições anteriores em que os socialistas estiveram na cabeça como nos governos Eduardo Campos e Paulo Câmara”.
Além disso, segundo ele “como a chapa montada é excessivamente esquerdista, sem nenhum apelo ao centro, isso reduziu o potencial de crescimento eleitoral do ex-prefeito e deixou-o sem alternativas maiores além da dependência da imagem de Lula e, por tabela, do PT no estado”. Nesse sentido, se João for eleito governador, vai ser obrigado a abrir espaço para os petistas que no momento têm na Prefeitura do Recife apenas duas secretarias sem muita expressão.
Já no caso do PSB não eleger o governador e Humberto Costa, com a força de Lula, se eleger senador, vai ser difícil para os socialistas realizarem algum movimento político sem ouvir o PT ou mesmo sem ceder o espaço majoritário a um petista. O sonho do senador Humberto Costa, por exemplo, é governar Pernambuco.
Em 2006 se candidatou mas com a tese dos dois palanques de Lula o eleito acabou sendo Eduardo Campos. Novamente em 2022, Humberto manifestou interesse em disputar tendo o então governador Paulo Câmara como candidato ao Senado. O então prefeito João Campos, porém, frustrou as expectativas dos dois em reunião com a presença de Lula quando disse que não abria mão que o PSB tivesse candidato a governador. Danilo Cabral foi o escolhido mas ficou em quarto lugar. Humberto até hoje rememora o episódio e Paulo Câmara deixou o PSB.
É nesse campo que o PT vai se fortalecendo.
Redação com texto de Terezinha Nunes compartilhado do JC em 28/06/2026 Foto: Jailton Jr/JC Imagem
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