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Imposto de Renda: Falhas em dados de empresas podem levar brasileiros à malha fina

Nem sempre cair na malha fina do Imposto de Renda é resultado de erro do contribuinte. Em 2026, especialistas alertam que inconsistências no cruzamento de dados podem ocorrer mesmo quando a declaração é preenchida corretamente, devido a divergências nas informações enviadas por empresas, instituições financeiras e sistemas governamentais. O tema ganha relevância em um cenário de maior digitalização e integração de dados pela Receita Federal.

De acordo com o contador Paulo de Tarso, da CSMalta Contabilidade, o risco está no volume e na origem das informações utilizadas pelo Fisco. “Hoje a Receita cruza automaticamente dados de diversas fontes, como bancos, empregadores, planos de saúde e corretoras. Se alguma dessas informações for enviada com erro ou divergência, o contribuinte pode cair na malha fina mesmo tendo declarado tudo corretamente”, explica.

Um dos principais pontos de atenção está nos informes de rendimentos, que servem de base para a declaração. Caso a empresa informe valores incorretos de salário, retenção de imposto ou contribuição previdenciária, o sistema da Receita identifica a inconsistência no momento do cruzamento de dados. “Muitas vezes o contribuinte replica exatamente o informe recebido, mas se esse documento estiver errado, o problema aparece na declaração”, alerta o especialista.

Outro fator que pode gerar inconsistências é a integração de sistemas como o eSocial, responsável por consolidar informações trabalhistas e previdenciárias. Segundo Paulo de Tarso, falhas operacionais ou atrasos no envio de dados podem impactar diretamente a base de informações da Receita. “A digitalização trouxe agilidade, mas também aumentou a dependência de sistemas. Quando há falhas técnicas ou divergências no envio, isso pode refletir na declaração do contribuinte”, afirma.

O contador destaca ainda que despesas médicas e rendimentos financeiros continuam entre os principais pontos de divergência. Informações enviadas por clínicas, hospitais e instituições financeiras precisam estar exatamente alinhadas com o que é declarado. Qualquer diferença, mesmo que pequena, pode levar à retenção na malha fina.

Para reduzir riscos, a recomendação é que o contribuinte vá além do preenchimento da declaração e faça uma conferência detalhada dos dados informados por terceiros. “É importante comparar os valores do informe de rendimentos com contracheques, extratos bancários e recibos. Se houver diferença, o ideal é procurar a fonte pagadora antes de enviar a declaração”, orienta Paulo de Tarso.

Caso a declaração já tenha sido enviada e o contribuinte identifique algum erro, é possível fazer a retificação antes de qualquer notificação da Receita, o que evita complicações maiores. Além disso, acompanhar o processamento da declaração também é fundamental para agir rapidamente em caso de pendências.

Para o especialista, o cenário atual exige mais atenção do que nunca. “O contribuinte precisa entender que a responsabilidade pela conferência é dele, mesmo quando o erro não é diretamente seu. A prevenção é a melhor forma de evitar dor de cabeça com o Fisco”, conclui Paulo de Tarso, da CSMalta Contabilidade.

Redação com assessoria Foto: arquivo

e-mail: redacao@blogdellas.com.br

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