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Festival Canavial celebra as matas, os quilombos e os 491 anos de Olinda

Nesta edição serão homenageados Rainha Marivalda (Recife), Mestre Matinho (Águas Belas), Mestra Jucedi (Goiana), Bata-Kossô (Olinda)

 Entre os dias 10 e 15 de março, as cidades de Olinda, Aliança e Condado se transformam em território de celebração da cultura popular com a realização do 18º Festival Canavial – Celebração das Matas e Quilombos. Com patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Cultural, o evento reafirma seu papel como um dos mais importantes e consistentes encontros das culturas populares, afro-indígenas e contemporâneas do Nordeste brasileiro.

Nesta edição, o festival integra oficialmente as comemorações pelos 491 anos de Olinda, numa parceria com a Prefeitura Municipal. No dia 12 de março, a programação ocupa as ruas e a Praça do Carmo com uma grande celebração da diversidade cultural brasileira. Entre as atrações estão Elba Ramalho, Quinteto Violado, Sambadeiras, Orquestra do Avesso, Coco das Artes, além dos cortejos do Cariri Olindense e Bata-Kossô, grupos tradicionais que reforçam o diálogo entre tradição e contemporaneidade.

Nos dias seguintes, o palco recebe nomes de projeção nacional e internacional, como a Velha Guarda do Salgueiro, com participação de Sapoty da Mangueira e Rainha Marivalda; Graça Onasilê cantora do Ilê Ayê; Afonjah com participação da moçambicana Saquia Rachide; além de Isaar e Dina Braga. A presença internacional reforça o intercâmbio cultural e a conexão entre Brasil e África, marca conceitual do festival. O Afoxé Oxum Pandá, Mestre Matinho e os Mestres do Coco de Pernambuco também integram a programação.

Em Aliança, berço do Maracatu Rural, o evento em parceria com a Prefeitura do Município ocupa o Ponto de Cultura Estrela de Ouro, fortalecendo a conexão com o território de origem do Movimento Canavial. A programação reúne Cavalo Marinho, Mamulengo, Torés indígenas, Ciranda, Frevo e o aguardado Encontro dos Maracatus, com o Estrela de Ouro, Pavão Misterioso e Leão Mimoso. Artistas como MC Tocha, Elisa Mel, Tribo Indígena Tabajaras, Toré Kariri Xocó, Orquestra de Frevo Mestre Ferreirinha, Velha Guarda do Salgueiro e Cavalo Marinho Mestre Batista também integram a celebração naquela localidade.

18º Festival Canavial – Celebração das Matas e Quilombos homenageia quatro referências da cultura popular nordestina: Mestra Jucedi, Rainha Marivalda, Mestre Matinho e o grupo Bata-Kossô, reconhecendo trajetórias dedicadas à preservação de saberes ancestrais.

Este ano, a escolha do tema traduz o espírito dessa edição e reafirma o compromisso do evento com os territórios que sustentam a memória, a identidade e a força cultural do Brasil. As matas representam o chão ancestral onde nascem os saberes, os rituais, os cantos e as manifestações populares. São espaços de proteção, resistência e criação coletiva. É nelas que o som do tambor ecoa como memória viva e que a cultura se mantém pulsante, transmitida de geração em geração. Os quilombos simbolizam a organização comunitária, a luta por liberdade e a construção de futuros possíveis a partir da solidariedade e da autonomia. São territórios de resistência histórica e, ao mesmo tempo, centros ativos de produção cultural, espiritual e política.

Nesta edição, o Festival Canavial reafirma esse compromisso ao contar com a presença de grupos quilombolas e representantes dos povos originários, que trazem para o centro da programação suas expressões artísticas, seus rituais, seus cantos e suas narrativas. A participação dessas comunidades fortalece o intercâmbio cultural, amplia o reconhecimento de seus saberes e reafirma a importância da cultura como instrumento de preservação da memória e afirmação identitária.

Ao unir matas e quilombos como eixo conceitual, o Festival celebra não apenas a paisagem natural, mas o território como espaço de pertencimento, de saber e de criação. O tema convoca o público a reconhecer a cultura popular e afro-indígena como patrimônio vivo, como tecnologia ancestral e como expressão contínua de resistência. Celebrar as matas e os quilombos é afirmar que a cultura nasce da terra, da coletividade e da memória. É reconhecer que tradição não é passado estático, mas movimento permanente que dialoga com o presente e projeta o futuro.

Pernambuco, Brasil e África conectados  – Com artistas de diversos estados brasileiros e uma participação internacional de Moçambique, o Festival Canavial reafirma seu papel como espaço de intercâmbio cultural e celebração da diáspora afro-atlântica.

 Formação, pensamento e protagonismo feminino  – O Festival Canavial tem um viés ampliado que vai além dos palcos. A programação inclui oficinas de Moda Preta Autoral, Maracatu Rural, Cavalo Marinho, Cultura Indígena, Tambores de Rei e Frevo, realizadas nas 3 cidades sedes que são:  Olinda, Condado e Aliança, fortalecendo a transmissão de saberes tradicionais.

O Mercado Eufrásio Barbosa recebe o Abayomi – Encontro das Mulheres Negras da Cultura Popular, consolidando o protagonismo feminino nas tradições afro-brasileiras. As rodas de conversas ampliam o debate sobre cultura, território, ancestralidade e políticas públicas, fortalecendo o festival como espaço de articulação e construção coletiva.

Artes visuais e memória em exposição  – A 18ª edição também amplia sua programação para o campo das artes visuais, com três mini-exposições que dialogam diretamente com o tema Celebração das Matas e dos Quilombos.

No Ponto de Cultura Estrela de Ouro, em Aliança, a exposição “Maracatu Rural – A Magia dos Canaviais” apresenta imagens que revelam a força estética, simbólica e ancestral do Maracatu Rural, evidenciando sua relação profunda com a Zona da Mata Norte e com o território que lhe dá origem.

No Mercado Eufrásio Barbosa, em Olinda, a mostra “PEBA – A Celebração das Matas e Quilombos” traz um recorte feminino do projeto, reunindo fotógrafas que registram olhares sensíveis e potentes sobre tradição, identidade e resistência, valorizando o protagonismo das mulheres na construção da memória cultural. Já a fotógrafa Renata Mesquita apresenta uma exposição inspirada em sua experiência no continente africano, estabelecendo pontes visuais e simbólicas entre África e Brasil, reafirmando os laços da diáspora e o diálogo entre ancestralidade e contemporaneidade.

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