Cena Política,  Notícias,  Política

Túlio entre risco e cálculo na disputa pelo Senado em PE- por Igor Maciel

Decisão de Túlio Gadêlha envolve cálculo eleitoral e projeção futura, mas cenário impõe riscos e múltiplas condicionantes políticas

Por Igor Maciel do JC

Sobre o Senado, Túlio Gadêlha (Rede) está diante de um dilema na carreira. Ele pode arriscar avançando ou garantir-se onde está, arriscando-se a nunca mais ter chance igual. Não é simples.

 Existe

Há uma conversa concreta para que ele seja um dos candidatos ao Senado na chapa de Raquel Lyra (PSD). O convite, pelo que se comenta, foi feito e ainda está sob a mesa. Existem alguns motivos práticos para ele ter acontecido. O maior é que Túlio é visto como um candidato de esquerda, lulista, e encaixa no que a chapa governista precisa para quebrar qualquer menção que vier a ser feita sobre ser um palanque bolsonarista (ou coisa que o valha). Ao mesmo tempo, ele não é um radical que vai colocar em risco os cerca de 30% de votação que a centro-direita e a direita podem entregar em Pernambuco. São cerca de dois milhões de votos e ignorar isso é repreensível.

 Dúvida

Ao mesmo tempo, Túlio é deputado federal e estaria abrindo mão de uma reeleição praticamente garantida em nome de um projeto que possivelmente não renderia frutos imediatos no Senado e dependeria de uma construção maior para o futuro, como um acordo para que disputasse a prefeitura do Recife em 2028, por exemplo. A decisão é realmente difícil porque há informações de que ele já teria a perspectiva de 230 mil votos na chapa que está montando e precisaria recalcular tudo. Entende-se a dúvida.

 Ousadia?

Se a ideia de Túlio é disputar a prefeitura em 2028, ninguém vai se comprometer agora, com duas eleições adiante, pelo controle do futuro. Seria uma temeridade política inconcebível numa negociação séria. Teria que ter um bom desempenho na disputa pelo Senado, ter certeza de que Raquel seria reeleita e que a conjuntura política dos próximos dois anos seria mantida dentro do propósito de lançá-lo à prefeitura da capital. Tem muitos “se” na ideia. Qualquer intenção que carregue conjunções subordinativas condicionais com este peso deve ser encarada sem garantias. É um risco. A questão é que não há bônus justo sem ônus proporcional. Existem momentos em que para avançar é necessário ser mais ousado. Túlio será?

 Tem gente de olho

Caso a intenção de Raquel seja mesmo colocar alguém que entregue essa imagem mais à esquerda na chapa, sendo Túlio ou não, já tem gente mais à direita que nem planejava sair candidato a senador que começa a pensar na possibilidade. O cálculo é até simples. Hoje há cerca de 50% dos votos à esquerda, 25% ao centro e 25% à direita no estado.

 Congestiona

 O problema é que quanto mais candidatos à esquerda forem lançados, mais pulverizada fica a votação nesse campo ideológico. Um bolo para dois é fartura, para três é um lanche, mas para quatro ou cinco pode significar fome. Atualmente já tem Humberto Costa (PT), Marília Arraes (PDT) e Jô Cavalcanti (PSOL). Com outro nome de esquerda, pode começar a haver congestionamento e divisão dos votos nesse campo, o que abre a possibilidade para alguém à direita entrar no jogo com um patamar mais baixo de votação, com razoáveis chances de ser eleito. No engarrafamento, até de bicicleta se chega primeiro. Tem gente observando esse movimento

 Redação com texto de Igor Maciel -Coluna Cena Política do JC compartilhado em 26/03/2026

 e-mail: redacao@blogdellas.com.br /terezinhanunescosta@gmail.com

 

Compartilhar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.