Sem puxadores de voto para governador

 luta pelo Senado vai ser dura

 

A partir de 1986 quando passou a presenciar eleições seguidas em que o governador eleito também elegeu o senador ou senadores a exceção foi 2006 quando os eleitos, Eduardo(PSB) para governador e Jarbas(MDB) para  senador, estavam em campos opostos – Pernambuco vive este ano um cenário diferente. Com múltiplas candidaturas a governador, nenhuma delas apoiada em um tradicional puxador de votos, a eleição para o senado promete ser das mais acirradas e imprevisíveis que já se viu.

É quase certo que, com tantas candidaturas,  a eleição para governador terá dois turnos mas o senador já se elege no primeiro turno, abrindo o leque a amplas possibilidades. Como Raquel Lyra e Miguel Coelho ainda não escolheram seus candidatos, no momento estão no páreo, Teresa Leitão (PT) da Frente Popular, André de Paula (PSD) apoiado por Marília Arraes, Gilson Machado (PL), um tradicional bolsonarista, apoiado por Anderson Ferreira e Eugênia Lima (PSOL) escolhida pela Federação REDE/PSOL.

A última pesquisa  foi feita pelo Instituto Paraná entre 10 a 14 de maio e apresentou a ex-prefeita Raquel Lyra com 32,8% (na época se imaginava que ela poderia ir para o senado, o que não se confirmou), André de Paula com 14%, Teresa Leitão com 9,8%, Gilson Machado com 8,2% e Eugênia Lima com 1,1%. O quadro demonstrou uma pontuação alta para Teresa, pois ela acabara de se confirmada candidata, e um empate técnico entre ela e Gilson Machado. André, em segundo, ficou aquém do que se imaginava mas foi prejudicado pela colocação do nome de Raquel votada no mesmo campo dele.

Trunfos e pontos fracos de cada um

Assim como a eleição para governador em que o candidato Anderson Ferreira pode chegar ao segundo turno diante de uma oposição fragmentada, no senado não está fora de propósito – embora muitos não acreditem – que Gilson Machado acabe beneficiado, chegando em primeiro lugar entre os pretendentes. Tanto Anderson como ele contarão com um exército de bolsonaristas que se dedicam de corpo e alma a seus candidatos. Embora não esteja previsto que um dos dois passe dos 25 ou máximo 30% dos votos, no caso do senado este é um percentual possível de projetar vitória diante da grande divisão do voto.

Teresa e André

Do outro lado, as candidaturas de Teresa Leitão e André de Paula que estarão em dois palanques que apoiam Lula presidente,  tendem a dividir votos no segmento lulista. Com uma diferença: Teresa agregará, sem sombra de dúvida, o voto do PT e André navegará juntando os votos que Marília lhe garantir  mais os votos da centro-direta. Um deputado estadual da Frente Popular resumiu a situação ontem dos dois raciocinando: “nesta eleição é preciso considerar que parte do PSB vai votar em André e parte dos apoiadores de Marília vai votar em Teresa. Quem ganhar esta equação sairá vitorioso”. Ele tem razão. Já circula entre grupos petistas o voto Marília/Teresa, embora tudo indique que as duas vão continuar se estranhando no palanque inviabilizando a dobradinha.

A candidata de Lula

Teresa já decidiu que seu slogan será “a senadora de Lula”. Quer com isso ganhar cada vez mais votos dos simpáticos ao ex-presidente que somam perto de 60% dos pernambucanos. E como candidata mulher, em um ano de protagonismo feminino, ela também costuma dizer que será “a primeira senadora de Pernambuco”, um estado que até hoje não teve uma mulher senadora ou governadora.

André, o injustiçado corajoso

No caso de André ,que, por si só, já ganhou apoio de partidos e lideranças que continuam na Frente Popular, ele contará com o fato de ter sido apontado como injustiçado pelo PSB que fez um acordo com ele e não cumpriu e com a coragem que teve de romper com os socialistas. É bom lembrar que, embora Lula tenha altíssima intenção de voto no estado, o que favorece a Frente, o governador Paulo Câmara tem sua administração reprovada por 67% dos pernambucanos, segundo a mesma pesquisa do Instituto Paraná.

Raquel e Miguel

Agora é esperar que nomes Raquel e Miguel vão apresentar para o senado. Não está fácil para os dois que seriam fortíssimos juntos mas enfrentarão muitos obstáculos separados. Raquel chegou a falar em chapa feminina mas só conta com Priscila que está disponível tanto para a vice quanto para o senado. Fala-se que ao se referir a três mulheres ela estaria, na época, contando com a possibilidade de atrair Marília para o seu palanque, o que não se viabilizou.

Fotos: Divulgação

E-mail: terezinhanunescosta@gmail.com 

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