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Raquel Lyra evita comentar cenário eleitoral e mantém indefinição sobre chapa para 2026 durante agenda no Recife

Governadora alega risco de misturar gestão com disputa eleitoral ao ser questionada sobre composição com Lula

Por Ryann Albuquerque do JC

A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), evitou comentar o cenário eleitoral de 2026 ao ser questionada, nesta segunda-feira (23), sobre a possível perda de neutralidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no estado. A declaração ocorreu durante agenda no Hospital Otávio de Freitas, no Recife, onde a gestora entregou a requalificação da UTI Adulto da unidade e uma nova unidade móvel do Hemope.

“A gente pode falar de política em outro momento para não misturar os assuntos aqui, tu me permite? Porque a gente aqui, quando fala de gestão, tá aqui falando de gestão. Se eu falar de eleição, a turma pode confundir as entregas, né? E a legislação eleitoral pode… né?”, afirmou.

A fala ocorre em meio ao avanço da pré-candidatura do prefeito do Recife, João Campos (PSB), que já apresentou uma chapa com perfil mais alinhado à esquerda e ao presidente Lula, em movimento para nacionalizar a disputa em Pernambuco.

Na composição, João conta com a pré-candidatura da ex-deputada Marília Arraes (PDT) ao Senado. O senador Humberto Costa (PT), por sua vez, ainda depende de formalização interna do partido, que deve definir sua estratégia eleitoral em encontro marcado para o próximo dia 28. Para a vice-governadoria, o nome indicado é o de Carlos Costa (Republicanos).

O cenário ganha ainda mais complexidade diante do histórico recente de aproximação entre o PT e a atual gestão estadual. Quando Lula esteve em Pernambuco, tanto Raquel Lyra quanto João Campos participaram das agendas presidenciais, em uma disputa velada por espaço político e pela associação de imagem ao presidente.

Quadros do PT defenderam abertamente a possibilidade de palanque duplo no estado, ou seja, a manutenção de uma relação institucional com a governadora Raquel Lyra ao mesmo tempo em que o partido apoiaria um nome aliado na disputa, como o prefeito do Recife, João Campos.

Deputados petistas, como João Paulo, foram vozes recorrentes na defesa de uma maior aproximação da legenda com a gestora. A própria governadora, por sua vez, tem reforçado publicamente o tom institucional dessa relação, destacando com frequência entregas realizadas em parceria com o governo federal e ressaltando a boa interlocução com o Palácio do Planalto.

No entanto, com o avanço das articulações e a formação das chapas que começam a se desenhar, essa alternativa de neutralidade ou divisão de apoios tende a perder força. A consolidação de nomes competitivos tanto no campo governista quanto na oposição indica um cenário de polarização mais clara em Pernambuco, reduzindo o espaço para arranjos híbridos dentro do campo lulista no estado.

Chapa governista ainda em aberto

Do lado governista, Raquel Lyra ainda não fechou sua chapa majoritária. O único nome confirmado até o momento é o do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (União Brasil), que surge como pré-candidato ao Senado após se aproximar da governadora, mesmo depois de um período de críticas públicas à sua gestão.

A reaproximação ocorre após um histórico recente de divergências. Em 2023, o grupo Coelho ficou fora da composição do governo, e lideranças como o deputado estadual Antônio Coelho (UB) fizeram oposição à gestão, inclusive com entraves à aprovação de matérias na Assembleia Legislativa.

Apesar disso, Raquel tem defendido o novo aliado e minimizado as diferenças. Em declaração recente, afirmou que Miguel “chega para somar”, evitando detalhar qual espaço ele ocupará na chapa.

A montagem do palanque governista também passa pela federação entre União Brasil e PP, que ainda aguarda oficialização pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), prevista para o próximo dia 26. A formalização deve impactar diretamente a distribuição de forças no grupo, ampliando a necessidade de negociação interna.

O presidente da federação em Pernambuco, Eduardo da Fonte (PP), segue como peça central nesse processo, especialmente diante da disputa por espaço na chapa majoritária. Integrantes de seu grupo político, que ocupavam cargos na gestão estadual, foram exoneradas após abrirem diálogo com o entorno do prefeito João Campos – movimento que, nos bastidores, é apontado como determinante para o afastamento.

Outro nome que aparece com frequência nas agendas da governadora é o do senador Fernando Dueire (MDB), que vem sendo cotado para compor a chapa, seja como candidato ao Senado ou na vice-governadoria. Até o momento, no entanto, não há definições oficiais.

Com esse cenário, a composição final da chapa governista segue em aberto e dependente das articulações políticas das próximas semanas.

Ao evitar comentar o cenário eleitoral durante a agenda desta segunda, a governadora sinaliza que deve manter, ao menos por ora, a separação entre discurso administrativo e articulação política – mesmo diante da intensificação precoce da corrida pelo Palácio do Campo das Princesas.

Redação com texto de Ryan Albuquerque do Jornal do Commercio, compartilhado em 23/03/2026 Foto: Yacy Ribeiro/Secom

e-mail: redacao@blogdellas.com.br

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