Quem ganha a batalha,

Pernambuco ou Brasil?

Enfrentando uma campanha de resultado imprevisível depois que a Frente Popular rachou entre os pré-candidatos a governador Danilo Cabral (PSB) e Marília Arraes (Solidariedade) e a oposição lançou três fortes candidatos – Raquel Lyra, Miguel Coelho e Anderson Ferreira – Pernambuco começa agora  a presenciar um outro capítulo dessa história: a discussão sobre a prioridade que vai ser dada na campanha a Pernambuco e ao Brasil.

Com cerca de 60% das intenções de voto no estado o ex-presidente Lula teria um peso exponencial no pleito se a Frente estivesse unida. Rachada, com Danilo e Marília se apresentando como lulistas, é difícil saber qual dos dois terá maior percentual de votos. Já a oposição, sem um presidenciável forte para chamar de seu, começa a lutar, com unhas e dentes, para inverter o desfecho da equação, fazendo a população compreender que Pernambuco está à frente do Brasil e que, nas eleições deste ano, o que está em jogo, em primeiro lugar, é o futuro do estado e não o do país.

Os oposicionistas miram, em contraponto aos 60% de Lula que beneficia a Frente Popular e leva os governistas a tentar nacionalizar o pleito, os cerca de 60% de desaprovação do governo estadual. Quem vai ganhar a batalha? Impossível prever mas Raquel, Miguel e Anderson estão nas ruas e nas redes sociais tentando desgastar o governo desde que a pré-campanha foi iniciada. Tem sido voz corrente no discurso dos três mostrar os elevados níveis de desemprego, a falta d’água e as pontuais crises recorrentes na área de saúde. Clamam por mudança lembrando que a Frente governa o estado há 16 anos.

Trégua na enxurrada

As críticas só se reduziram na época da tragédia provocada pelas chuvas que deixou 128 mortos e cerca de 10 mil desabrigados. Os discurso foi de união, apesar dos amuos entre Danilo Cabral e Anderson Ferreira depois que o presidente Bolsonaro veio ao estado sem avisar ao governador e, dando o troco, o governador também não foi ao seu encontro na base aérea, onde estava acompanhado por oito ministros.  Passada a crise mais grave e as viagens pelo estado as críticas continuaram.

Só tem esse discurso

“Ou a oposição consegue colocar o PSB no canto do ringue, expondo o desgaste da atual administração,ou a Frente Popular leva mais essa” – afirma um deputado oposicionista defensor da estadualização do pleito o mais rápido que puder. Não é pra menos. Depois de Lula, só Bolsonaro tem dois dígitos nas pesquisas em Pernambuco, mesmo assim tem pouco mais de um terço dos votos de Lula. Ciro Gomes(PST) e Simone Tebet (MDB) têm  7 e 2% e Luciano Bivar (União Brasil) apenas 1%.

Miguel sai na frente

Ao ser vítima de notas nas redes sociais, ora dizendo que ele estava com Lula, ora com Bolsonaro, o candidato Miguel Coelho foi às suas redes sociais dizer “não sou homem de ter dois lados. Meu partido tem um candidato a presidente que é Luciano Bivar mas reconheço a história de Lula e os feitos de Bolsonaro. Nenhum deles, porém, é candidato a governador ou vai sentar na cadeira de governador. Não serei governador de um presidente mas de todos os pernambucanos, de direita e de esquerda para fazer o estado voltar a ser líder do Nordeste como não está agora pela incompetência dos responsáveis por isso”.

Marília corre por fora

Já a candidata Marília Arraes tenta se beneficiar dos dois lados. Declara voto em Lula mas faz severas críticas ao PSB, com o qual rompeu relações. Desta forma, ao mesmo tempo em que tira proveito dos 60% de intenções de voto do ex-presidente, fazendo oposição ao PSB, cativa eleitores que, não existindo sua candidatura, estariam com Anderson, Raquel ou Miguel.

Pesquisas estáveis

O vira e mexe das pesquisas eleitorais, publicadas todas as semanas por institutos diferentes, gera debates acalorados de norte a sul como se o eleitor estivesse a cada momento mudando suas preferências. Mas, trabalhando com médias de todas as pesquisas, o estatístico Maurício Romão prova que entre os meses de abril e maio quase nada mudou em relação aos candidatos a presidente. Em abril a média das pesquisas mostrou Lula com 41,9% das intenções de voto e Bolsonaro com 32,7%. Nas pesquisas de maio Lula teve, na média, 42,9% e Bolsonaro 32,7%. Com Ciro Gomes aconteceu o mesmo. Teve em média 7,9% em abril e 7,8% em maio.

Alepe aprova socorro às vitimas

A Comissão de Justiça da Assembléia aprovou esta segunda-feira os projetos do governador Paulo Câmara concedendo benefício aos atingidos pelas últimas chuvas. Um dos projetos autoriza o repasse de R$ 124 milhões e 700 mil para 31 municipios com o objetivo de custear o pagamento de R$ 1.500,00 a cada família que teve sua casa atingida pela enxurrada. O segundo altera o Programa Estadual de Habitação de interesse social para incluir como público prioritário essas famílias. O terceiro concede pensão vitalícia  de um salário mínimo aos filhos menores de pessoas que faleceram em consequência da tragédia.

Fotos: Divulgação

E-mail:terezinhanunescosta@gmail.com

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