Policial da inteligência é suspeito de vazar apuração contra secretário da Prefeitura do Recife

Mesmo policial é investigado pelo Ministério Público por ‘reunião clandestina’ com ex-presidente da Câmara de Ipojuca suspeito de desvios de emendas
O comissário da Diretoria de Inteligência da Polícia Civil (Dintel) afastado após ser flagrado em “reunião clandestina” com o ex-presidente da Câmara de Ipojuca suspeito de desvios milionários de emendas parlamentares agora é alvo de um novo inquérito. Ele é suspeito de ter vazado informações sobre a apuração de denúncia anônima contra Gustavo Monteiro, secretário de Articulação da Prefeitura do Recife.
O policial civil era um dos dez integrantes do grupo de WhatsApp que trocaram mensagens sobre a investigação que apurou a denúncia de que um veículo locado pela gestão municipal estaria sendo usado para supostos pagamentos de propina. O carro foi monitorado entre agosto e outubro de 2025, segundo a Secretaria de Defesa Social (SDS).
No domingo (25), a apuração preliminar, que não chegou a se tornar inquérito, foi revelada pelo programa Domingo Espetacular, da TV Record, afirmando que a polícia estaria espionando adversários políticos da atual gestão estadual.
O secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, negou a acusação, disse que a investigação preliminar foi legal e pontuou que um inquérito será instaurado para apurar a responsabilidade de quem vazou as informações sigilosas da Dintel.
“Houve violação do sigilo profissional. Muito provavelmente pelo policial que foi afastado em novembro e que estava passando informações para uma organização criminosa. Essa é uma hipótese que estamos apurando”, afirmou Carvalho.
POLICIAL FLAGRADO EM “REUNIÃO CLANDESTINA”
De acordo com manifestação do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), o mesmo comissário da Polícia Civil estaria sendo cooptado para monitorar o inquérito dos desvios milionários de emendas parlamentares autorizadas pela Câmara Municipal de Ipojuca.
Na noite de 19 de novembro de 2025, o presidente da Câmara de Ipojuca, Flávio Henrique do Rêgo Souza, conhecido como Flávio do Cartório (PSD); o vice-presidente, Professor Eduardo (PSD); e o vereador Júlio Marinho (PP) foram flagrados com o policial no estacionamento do supermercado Mix Mateus, em Boa Viagem, Zona Sul do Recife.
Na avaliação do MPPE, o encontro se tratava de uma “reunião clandestina”, com o objetivo de fazer o policial civil monitorar a investigação sobre os desvios milionários e frustrar o andamento do caso, conduzido pela Delegacia de Porto de Galinhas.
Alessandro Carvalho ressaltou que a investigação apontou que outros encontros entre o policial e Flávio já haviam ocorrido.
No momento do flagrante, um dia antes da segunda fase da operação Alvitre, o presidente e o vice da Câmara de Ipojuca foram autuados por suspeita de lavagem de dinheiro. Na ocasião, a polícia indicou que eles estavam com uma sacola com mais de R$ 14 mil em dinheiro e com anotações de valores de possível esquema de “rachadinha”.
Desde então, o policial foi removido da Dintel e responde diretamente à Diretoria de Recursos Humanos. A Corregedoria Geral da SDS também instaurou investigação preliminar sobre a conduta dele, que responde resultar em processo administrativo.
redação com texto de Raphael Guerra do JC- compartilhado em 26/01/2026 Foto: SDS divulgação
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