Polarizada, a eleição para presidente deixou lições para a esquerda e a direita

Além de ter terminado quase empate – Lula venceu por uma diferença de 2% dos votos – a eleição para presidente no último domingo trouxe muitas lições para a direita e a esquerda brasileiras. Uma pesquisa Poder Data, divulgada em 6 de agosto último, concluiu que só 48% da população se identifica com um dos lados. Coincidentemente 24% se dizem de direita e 24% de esquerda. O centro tem 25% dos eleitores e 27% não souberam se definir para os pesquisadores.

Portanto, apesar de terem conseguido, cada um, quase a metade, no caso de Bolsonaro, ou um pouco mais, no caso de Lula, dos votos válidos, foi de 25,17% o percentual de eleitores que, ou se abstiveram, não comparecendo às cabines de votação, ou preferiram votar branco ou nulo. Um quarto, portanto, dos que tinham direito a votar não escolheram nem um nem outro. Há ainda que considerar o fato de que se 24% dos eleitores se dizem de direita e 24% de esquerda e Lula e Bolsonaro tiveram o dobro disso. Uma coisa ficou clara: muita gente votou em Lula para evitar Bolsonaro ou votou em Bolsonaro para evitar Lula. Não são, portanto, nem bolsonaristas e nem lulistas.

Esta verdade cristalina demonstra que os protestos dos bolsonaristas estão muito longe de alcançar os 49,10% dos votos que ele teve, da mesma forma que o presidente eleito Lula da Silva, que teve 50,90% não tem carta branca de muitos dos seus eleitores para conduzir o seu governo da forma que desejar, sem ouvir a sociedade. Esses eleitores não fanáticos foram muito bem definidos por uma frase dita no calor da eleição pelo pastor Cláudio Duarte, conhecido como pastor Pop que tem 7,7 milhões de seguidores no Instagram. Ele votou em Bolsonaro, alegando que “a esquerda fala coisas opostas aos conceitos cristãos”, mas mandou um recado para os dois lados: “vivemos em um meio elástico: puxaram tanto para trás que quando soltou foi muito para a frente”. Ou seja, o radicalismo de um lado, produz coisa semelhante do outro.

PIX na berlinda

A imprensa nacional divulgou esta sexta-feira que a equipe de transição do presidente Lula pensa em taxar o PIX, uma das maiores conquistas das pessoas mais carentes para ter facilitados seus negócios e de toda a população que agora tem muito mais facilidade de pagar suas contas. Se isso se concretizar será o primeiro problema a ser enfrentado pelo presidente eleito até porque durante a campanha o PT garantiu que não pensava em fazer isso. Sem contar que a redução dos impostos é uma reivindicação antiga das pessoas. Criar mais um pode ser um tiro no pé.

Suape e as emendas parlamentares

Deputados estaduais manifestaram esta sexta-feira preocupação com a negociação feita pelo Governo do Estado para retomar as obras do canal de acesso ao Porto de Suape. Como o estado teve que desembolsar R$ 480 milhões para fazer acordo jurídico com o grupo vencedor da licitação, fontes do Palácio das Princesas fizeram chegar a alguns deputados que as emendas parlamentares que estavam para ser pagas este final de ano podem ficar para 2023. Na dependência da governadora eleita Raquel Lyra.

Lula na Bahia

Um vídeo antigo de Lula na Bahia, dançando com Janja e Daniela Mercury, foi divulgado na Internet esta sexta-feira. A divulgação pegou mal porque dava a impressão de que o presidente estava feliz quando o clima em todo o país é de tensão. No final da tarde, porém, foi esclarecido que o vídeo é antigo.

Pergunta que não quer calar: existe mesmo um relatório das Forças Armadas sobre as urnas eletrônicas ou tudo não passa de fake news?

 

E-mail: terezinhanunescosta@gmail.com

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