Pernambuco garantiu 80 mil votos a Robeyoncé, mulher negra e trans, candidata a federal

A eleição deste ano em Pernambuco, marcada pelo protagonismo feminino, levou Robeyonce Lima, uma mulher trans, a ser a 21.a mais votada para a Câmara Federal. Ela conseguiu ter mais votos que quatro dos 25 deputados eleitos mas não chegou lá porque o seu partido, o PSOL, que formou federação com a Rede, só atingiu o quociente eleitoral para uma vaga, a que coube ao deputado Túlio Gadelha, da Rede.
Eleita co-deputada estadual em 2018, pelo coletivo Juntas, Roby teve seus votos somados aos das demais candidatas do seu grupo na época e não foi possível saber que seu desempenho eleitoral poderia ir tão longe. Este ano, porém, como registrou o Blogdellas durante a campanha, ela decidiu apostar mais alto. Saiu do coletivo e, atendendo a estratégia nacional do PSOL, que era eleger uma bancada de mulheres trans na Câmara, enfrentou o desafio e surpreendeu. Ficou em 4.o lugar no Recife só sendo superada pelos evangélicos André Ferreira e Clarissa Tércio e por Pedro Campos.
“Todos esses votos foram para uma travesti comprometida com a luta do povo. Esta luta não para aqui” – escreveu Roby, nas redes sociais, ao saber do resultado das urnas. Ela promete repetir a dose em 2026, mas vai trabalhar com mais certeza da vitória. Advogada, 34 anos, formada na UFPE pelas cotas raciais, fez toda a campanha nas redes sociais, uma vez que o PSOL tinha muitos candidatos proporcionais e muito pouco tempo de TV. Apesar de não ter conquistado a vaga agora, Roby já voltou à militância com o propósito de eleger o ex-presidente Lula nesse segundo turno e sua candidata a governadora Marília Arraes, para quem o PSOL garantiu “apoio crítico”. Das outras quatro mulheres trans candidatas a federal com perspectiva de vitória este ano, duas foram eleitas, também com votações expressivas. Erika Hilton, de São Paulo, teve 256 mil votos e Duda Salabert, de Minas, teve 208 mil votos.
Lula torceu por Marília?
Ao falar para uma multidão que lotou a Conde da Boa Vista esta sexta, o ex-presidente Lula não deve ter agradado ao deputado federal Danilo Cabral, candidato derrotado a governador, que teve seu apoio no primeiro turno. Lula se desmanchou em elogios à candidata do Solidariedade e contou uma história que deixa claro sua torcida para ela ainda no 1.o turno. “Marília, era pra gente ter ganho essa eleição no primeiro turno. Eu passei quase 3 meses faltando só um tiquinho para ganhar. Mas Deus disse, “espere Marília, espere ela. Para vocês fazerem campanha juntos”. Mais claro impossível.
Lula orientou Marília?
Na pré-campanha deste ano, antes do PT decidir apoiar Danilo Cabral, Marília, que desejava fazer carreira solo, apostou em uma última tentativa de convencer Lula e foi a São Paulo propor que ele armasse dois palanques no estado, um para o PT, com ela, e outro para o PSB, com Danilo. Já se sabe que a resposta foi não, mas de lá Marília foi direto para encontro com Paulinho da Força, presidente do Solidariedade, que decidira apoiar Lula e lhe garantiu a legenda. Até hoje desconfia-se que foi Lula que sugeriu à candidata esta válvula de escape.
Feriado adiado
Para evitar abstenção dos funcionários públicos no segundo turno, o governador Paulo Câmara adiou para 14 de novembro o feriado do dia do funcionário, comemorado todos os anos no dia 28 de outubro (uma sexta-feira). Alguém tinha dúvidas de que muita gente ia prolongar o feriado? Logo em Pernambuco isso não poderia ocorrer pois a meta neste segundo turno do PSB e PT e garantir aqui 70% dos votos para o ex-presidente, que teve 65% no primeiro turno.
Pergunta que não quer calar: A frente popular já perdeu dois partidos, o MDB e o PP. Qual vai ser a próxima baixa?
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