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Páscoa deve movimentar R$ 410,9 milhões em Pernambuco, aponta estudo

Levantamento do Hub de Dados do Comércio indica leve retração em relação ao ano passado e aponta impacto da inflação e do endividamento das famílias no consumo durante o período

Um estudo do Hub de Dados do Comércio, da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Pernambuco (Fecomércio-PE), projeta que a Páscoa de 2026 deve injetar R$ 410,9 milhões na economia pernambucana durante o mês de abril. A estimativa foi construída a partir da análise do histórico da arrecadação de ICMS do estado combinado com indicadores macroeconômicos. O valor representa uma retração de 2,9% em comparação com o registrado no ano anterior, indicando uma acomodação do consumo, embora a data continue sendo considerada relevante para o comércio no primeiro semestre.

Gráfico 1: Movimentação total da Páscoa- Fonte: Hub de Dados do Comércio

Para chegar à projeção, o modelo econométrico utilizado no estudo isolou fatores como a inflação do período, o nível de endividamento das famílias, a intenção de consumo e os efeitos da pandemia na economia. De acordo com os dados analisados, cada ponto de melhora no Índice de Consumo das Famílias (ICF) resulta na injeção de aproximadamente R$ 4,02 milhões adicionais no comércio durante a festividade. A análise também identificou que o endividamento da população exerce forte influência sobre o desempenho das vendas sazonais, funcionando como um dos principais fatores de desaceleração do consumo no período.

Segundo o levantamento, a cada aumento de um ponto percentual no nível de endividamento das famílias nos meses que antecedem a Páscoa, a movimentação financeira associada à data tende a reduzir cerca de R$ 6,19 milhões no estado. Esse comportamento ajuda a explicar o cenário projetado para 2026, em que a combinação entre aumento de preços e maior comprometimento da renda familiar influencia as decisões de compra dos consumidores.

Gráfico 2: IPCA dos produtos típicos da Páscoa (Acumulados dos últimos 12 meses)-Fonte: IBGE

Outro ponto observado pelo estudo é o impacto da inflação sobre os produtos típicos da data, fator que tem contribuído para mudanças no perfil de consumo das famílias. Nos últimos 12 meses, os chocolates registraram alta de 26,3%, a maior variação entre os itens associados à Páscoa. O achocolatado apresentou aumento de 17,9% no mesmo período, enquanto o bacalhau acumulou alta de 13,3% e o vinho registrou crescimento de 11%. Esses reajustes superam o índice geral de inflação, que ficou em 3,81%, e tendem a estimular a substituição de produtos na cesta de compras do consumidor pernambucano.

 Formalização do empreendedor na Páscoa

Além dos impactos no consumo, o período também apresenta reflexos no comportamento dos empreendedores. Os dados indicam um avanço sazonal na formalização de pequenos negócios nos meses que antecedem a festividade. Historicamente, março registra crescimento no número de registros após fevereiro, mês que costuma ter menor volume de aberturas. A expectativa é que Pernambuco alcance 8.898 microempreendedores individuais (MEIs) formalizados em março e 9.965 em abril, movimento associado à preparação para atender à demanda gerada pela data.

Gráfico 3: Quantidade de MEI’s em Pernambuco (2024-2025)-Fonte: Receita Federal do Brasil; Hub de Dados do Comércio

Apesar da leve retração prevista para 2026, o levantamento mostra que a Páscoa mantém relevância para o comércio estadual. Em 2021, durante o auge da crise sanitária, o impacto financeiro exclusivo da data chegou a R$ 279 milhões em valores deflacionados. Desde então, com a retomada gradual da confiança do consumidor, os números voltaram a crescer, alcançando valores superiores a R$ 420 milhões em 2024 e 2025. A estimativa de R$ 410,9 milhões para 2026 reflete, portanto, um cenário de moderação no consumo, mas ainda confirma a força do período para o fechamento de caixa do comércio no primeiro semestre.

O presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac Pernambuco, Bernardo Peixoto, destaca que a data continua sendo estratégica para o setor. “A Páscoa permanece como uma das datas relevantes para o comércio no primeiro semestre e, mesmo diante do aumento dos preços de alguns itens tradicionais, o período deve movimentar cerca de R$ 410,9 milhões na economia pernambucana. O consumidor tende a ajustar sua cesta de compras e o comerciante que observar essas mudanças de comportamento, oferecendo alternativas de produtos e faixas de preço distintas, encontra melhores condições para aproveitar o fluxo de vendas do período”, afirma.

Para o economista da Fecomércio PE, Rafael Lima, o cenário projetado para este ano está diretamente ligado à elevação de preços de produtos associados à data. “A projeção para 2026 indica uma acomodação no consumo em relação ao ano anterior, influenciada principalmente pela elevação de preços de itens associados à Páscoa. O chocolate, por exemplo, acumulou alta de 26% em 12 meses, derivada de um choque de oferta no mercado internacional de cacau. Enquanto outros produtos típicos também registraram variações acima da inflação geral, o que tende a estimular a substituição de itens na cesta do consumidor”, analisa.

Metodologia

A metodologia do estudo fundamentou-se num modelo econométrico SARIMAX (Modelos Autorregressivos Integrados de Médias Móveis com Variáveis Exógenas Sazonais) aplicado à série histórica da arrecadação de ICMS deflacionada do estado de Pernambuco, compreendendo o período entre 2013 e o início de 2026. Para isolar o impacto financeiro exclusivo da Páscoa, a investigação adotou uma modelação contrafactual com recurso a uma variável de interação dinâmica, cruzando a ocorrência do feriado com o Índice de Consumo das Famílias (ICF). Em simultâneo, o modelo controlou fatores macroeconómicos restritivos, como o nível de endividamento familiar e os choques atípicos provocados pelos confinamentos da pandemia de Covid-19. O rigor analítico permitiu retirar o volume de vendas rotineiras esperado para o mês, apurando com elevada precisão estatística o incremento marginal gerado estritamente pela festividade no comércio.

 

Redação com assessoria Foto: reprodução internet

e-mail: redacao@blogdellas.com.br

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