O que esperar do encontro entre Bolsonaro e Biden na Cúpula das Américas
O clima é de desconfiança, sabemos. O presidente Jair Bolsonaro (PL) embarca na próxima quarta (8), para os Estados Unidos para um encontro com o presidente Joe Biden e em Los Angeles permanece até dia 10, durante a Cúpulas das Américas, evento que reunirá lideranças mundiais.
A viagem ocorre depois de uma ofensiva diplomática de Biden para que Bolsonaro aceitasse o convite da Casa Branca. Desde que tomou posse, em 20 de janeiro de 2021, o presidente americano evitou gestos de aproximação com o presidente brasileiro com quem nunca sequer conversou por telefone . Segundo o Planalto, a ida aos EUA só foi acertada depois da garantia de um encontro bilateral de pelo menos 30 minutos entre os dois chefes de Estado.
“Não iria jamais para lá para ser moldura de uma fotografia. Tem uma audiência bilateral de pelo menos 30 minutos com ele? Tive três horas com Putin. A resposta foi sim. Então iremos falar a posição do Brasil, falar o que havia tratado com o presidente Trump para continuarmos essa política”, disse Bolsonaro.
Temendo um esvaziamento da Cúpulas das Américas depois da resistência de algumas lideranças em participar do encontro, Biden enviou o ex-senador Christopher Dodd para convencer Bolsonaro sobre a importância de sua participação. O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, sinalizou que não pretende comparecer caso os líderes das ditaduras de Cuba, Nicarágua e Venezuela não sejam convidados.
A Casa Branca ainda não havia confirmado a lista de lideranças que irão à Cúpula das Américas até a última sexta. “Vamos informar publicamente sobre a lista final de convidados. Não estamos focados em quem está convidado e quem não está, mas nos resultados que queremos alcançar com essa cúpula”, disse Juan Gonzalez, diretor para o Hemisfério Ocidental do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca. Biden deve tratar de pandemia, segurança e mudanças climáticas com Bolsonaro.
Até o momento, o Palácio do Planalto ainda não confirmou a data do encontro fechado entre Bolsonaro e Biden. Em nota, governo se limitou a informar que a “agenda será divulgada em momento oportuno”.
Na reunião entre Bolsonaro e Biden, o Itamaraty tem a expectativa de que os presidentes conversem sobre os temas tratados no âmbito da Cúpula. Entre estes, estão a preparação para enfrentar pandemias, a recuperação econômica pós-coronavírus, o fortalecimento da democracia na América Latina, bem como o desenvolvimento sustentável e as energias limpas.
Para além desses assuntos, também está previsto para ser abordado na esfera bilateral o impacto do conflito na Ucrânia no suprimento de fertilizantes, assim como seu efeito sobre a segurança alimentar global. O Brasil está empenhado em cumprir o pedido da Organização Mundial do Comércio (OMC) em ampliar a produção de alimentos.
O diretor do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca adiantou que os dois líderes terão uma “lista longa” de termas que serão discutidos na Cúpula das Américas. De acordo com Juan Gonzalez, assuntos como insegurança alimentar, resposta econômica à pandemia, saúde, segurança sanitária e mudanças climáticas serão debatidos. “São áreas em que o Brasil desempenha papel muito importante”, disse.
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